Diversidade: como o profissional de Relações Públicas pode ajudar a conectar prática e discurso nas empresas?

Para além do discurso, é imprescindível trazer a diversidade para a prática em qualquer organização. E este foi o tema das apresentações de Bruno Carramenha, diretor da 4CO, consultoria em comunicação organizacional, e Tais Oliveira, analista de métricas na Associação Cidade Escola Aprendiz, durante a Semana de Relações Públicas, no último 5 de maio.

Por conta da pandemia da Covid-19, a conversa aconteceu virtualmente, mas isso não impediu que os alunos tivessem contato com um rico debate sobre diversidade.

A conversa começou com uma provocação de Oliveira, que questionava se a diversidade era só um discurso nas empresas. Ao apresentar o perfil Corona Capitalismo, ela mostrou como organizações incoerentes com seus discursos ao desrespeitar cuidados básicos de saúde durante a pandemia. Oliveira lembra que o profissional de Relações Públicas, ao se formar, faz um juramento de respeito à vida e deve pensar como alinhar o discurso com a prática diversa da empresa.

Ao final da conversa, ao ser questionada sobre “lugar de fala” e companhias que têm homens brancos ocupando quase todos os cargos de liderança, Oliveira destacou que o conceito não deve ser confundido com omissão. “O racismo é um problema principalmente de pessoas brancas, que têm sim que discutir o que é racismo. O que elas não podem fazer é determinar o que é racismo, o que é minha vivência, como eu enquanto pessoa negra me sinto”, diz. Mas, para ela, as lideranças que não são compostas por minorias não podem se omitir. “Elas têm que estudar, têm que falar e, principalmente, têm que ouvir”, comenta.

Carramenha mostrou também que há uma distância entre teoria e prática quando o assunto é diversidade dentro de companhias. Ao realizar uma pesquisa qualitativa com várias empresas líderes de seus setores, ele identificou seis possíveis razões para a discrepância entre discurso e ação. São elas:

1) Para algumas empresas, a diversidade importa mas não é relevante;

2) Há um discurso vazio e uma prática rasa, com abordagens pontuais;

3) Há diversidade nas organizações, mas não há estrutura para acolher as pessoas;

4) Em algumas corporações, o preconceito é tão recorrente que a mera tolerância é tida como inclusão;

5) Líderes inconscientes, ausentes e sarcásticos;

6) A diversidade estar abaixo da busca pelo lucro.

Para o pesquisador, é essencial ter metas objetivas para políticas afirmativas. “É preciso criar metas, olhar com transparência e maturidade para os problemas e se entender como um agente da sociedade para promover uma transformação social. Há muito comodismo das empresas”, diz ele.

No debate, ambos ainda destacaram como o profissional de Relações Públicas é essencial para conectar o discurso à prática da empresa em uma via de mão dupla — não só comunicando o que a organização faz para ser mais inclusiva, mas também trazendo demandas sociais de fora para dentro da companhia.

Para assistir ao debate completo, clique aqui.

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