Grupo Butanclan reúne skate, arte e filosofia de vida

Texto e fotos: André Vidal [1]

Carla Tôzo [2]

 

De acordo com o dicionário Aurélio, família é o “conjunto de todos os parentes de uma pessoa, e, principalmente, dos que moram com ela”. Alguns a definem como a união entre pai, mãe e filhos. Mas nem tudo é tão convencional assim. Os clãs são tribos de pessoas de mesma origem e alguns surgem de uma mesma raiz, outros de um ancestral em comum, ou mesmo no CEU. Assim nasceu o Butanclan, da união do concreto com as rodas do skate e as ondas sonoras do Wu-TangClan. “Nós fomos numa festa aqui no Santa Maria. Começou a tocar uma música de um grupo de rap chamado Wu-Tang Clan, aí nós começamos: aqui é Butanclan, não Wu-Tang Clan, aí ficou”, conta Marcos, 43, um dos fundadores do grupo e freqüentador do Centro Educacional Unificado (CEU) do Butantã desde a fundação em 2003. Na ‘vibe’ do skate, o conjunto formado pela música, o grafite e a amizade dão origem a uma tribo e fazem da arte, o Butanclan.

Mais que um esporte, o clã é um estilo de vida que reúne diferentes classes sociais, gostos musicais que vão do rock ao hip hop e diversas maneiras de expressão.Em cima do shape, as vibrações musicais dão ritmo às manobras. O casamento perfeito entre a música e o skate une o flipao rap, o grabao reggae, o hippyjump ao hip hop. De um Butanclan musical, outros galhos surgem da árvore genealógica. O Infestto é uma banda de rock formada por skatistas que tiram um tempo para fazer um som.

Como toda família tem princípios para a convivência, o grupo tem lá as suas regras:“agente só gosta de nego certo, porquê de repente o cara vem dar role com nós aqui, chega até nós aqui que lá atrás, o cara deu uma ramelada, a gente vai chamar o cara e falar: mano, o quê que ‘tá’ acontecendo?” – afirma Marcos. Por outro lado, devem-se manter os pés no skate. Muitos dos iniciantes têm o sonho de se tornarem skatistas profissionais, mas quando o ego sobe, descem a humildade e o respeito.

Há um ditado popular que diz que a educação vem de casa. Que na vida podemos tomar decisões que marcam em definitivo a nossa história e que devemos o respeito a preceitos complexos e cartilhas preestabelecidas. Sem isso, o Butanclan atrai jovens que estavam com um pé no crime  e, sem intenção, modifica a visão de mundo: “Antigamente tinha muito jovem aí desocupado, não tinha o que fazer, ‘tava’ com o pé no crime. […] Os caras falam: se eu sou o que sou hoje, é por causa do skate. […] O skate salva”.

[1] Aluno do oitavo semestre do curso de Jornalismo. Estagiário da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

 

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