Leparkour reúne cidade, filosofia e arte

Texto e fotos: André Vidal [1]

Carla Tôzo [2]

Há quem diga que filosofia é um papo cabeça, um exercício ligado à mente ou simplesmente o ato de pensar. Ao longo da história, diferentes pensadores ousaram responder os mais profundos questionamentos do ser humano. Corpo ou mente, mente ou corpo: o que seria mais importante? Imagine Descartes – no auge do seu aforisma filosófico – correndo pelo túnel do tempo e se deparando com os dias atuais, frente a frente com um homem que mistura, em seu balaio, o puro êxtase do salto e os limites da mente.

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Será possível? Zico Corrêa, com seu poder de invisibilidade e silencioso como um gato, um verdadeiro personagem do mundo dos quadrinhos que anda pelas paredes, solta teias e tem sentido de aranha, salta para o mundo real e prova que sim, super-heróis existem. Mas ele não é o Homem-Aranha. Zico, 34, é um mortal professor de leparkour, um esporte radical em que o objetivo é vencer obstáculos, seja um muro de cinco metros ou o medo da morte, e atingir os lugares mais altos. Em uma sociedade marcada por normas de etiqueta, Zico procura ser uma metamorfose ambulante, em vez de ter aquela velha opinião formada sobre tudo.

Através do leparkour, ele une o ambiente e o absurdo aos olhos de um ‘careta’ para formar a arte e transmitir a mensagem de que é possível fugir do teatro de engessados e quebrar a rotina sufocante em que o ser humano está inserido. “Quando a gente entra em um lugar, a gente não picha, a gente não usa drogas, a gente entra em um lugar, às vezes pra tirar uma foto bonita do nascer do Sol, ou pôr do sol e expor isso na internet justamente para as pessoas olharem a cidade de uma forma diferente”, disse Zico.

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O leparkour é uma forma de alcançar locais improváveis e inóspitos para mostrar à sociedade uma nova visão, uma beleza que geralmente não é notada por quem tem os pés no chão. “Já que ninguém entra em um pico tão alto pra poder ver o horizonte em São Paulo, a gente consegue, a gente registra essa cena, e depois expõe”.

Na terra de iguais, o esporte permite a busca pela liberdade dentro de um poleiro. Enquanto a maioria está presa nas atividades diárias, Zico pensa em um dia completamente diferente. “A gente pensa até em fazer um dia nacional da subida em cima do telhado, fazer todo mundo subir pelas paredes’’.

[1] Aluno do oitavo semestre do curso de Jornalismo. Estagiário da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

 

 

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