A roda do candeeiro

Texto e fotos: Thynaila Moura [1]

Carla Tôzo [2]

 

 

Claudio Guedes da Silva, de 37 anos, mais conhecido como Saruêzinho, é professor e diretor cultural do grupo de capoeira Zumbá. Como um dos responsáveis pelas rodas de capoeira de rua da região de Osasco, também é o principal organizador de um dos maiores eventos da cidade, a roda do Candeeiro.

Uma vez por ano, pessoas por toda São Paulo se reúnem para comemorar o evento, tornando-se um marco cultural que resgata a tradição do inicio do esporte. Muito esperado por todos os capoeiristas que já participam há muitos anos, mais uma vez, ele se repete no dia 30 de Novembro de 2019, aberto para todas as pessoas com interesse no esporte.

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Claudio Guedes, “Saruêzinho

AICom: Há quantos anos você está na capoeira? Como ela influenciou sua vida?

Claudio: Pratico a arte da capoeira desde 1996, sendo graduado a professor em 2011, exerço dentro do Grupo de Capoeira Zumbá, do Mestre Gallo, o cargo de diretor cultural.  A capoeira me foi a porta de entrada para este mundo rico que é a cultura brasileira. Ela acolhe em seu seio diversas linguagens culturais, sendo uma grande propulsora de nossa cultura à diversos cantos do mundo.

AICom: Qual a diferença da capoeira contemporânea e a antepassada? Que hábitos culturais foram resgatados?

Claudio: Alguns praticantes da arte capoeira se utilizam desse termo “contemporânea”, mas devemos procurar entender o real significado dessa palavra. O que diferencia a capoeira de hoje para uma capoeira do passado é a evolução. Que é comum em qualquer segmento que acompanha o tempo. A capoeira que é praticada hoje, realmente não vai ser a capoeira que foi praticada ontem. Não existe este purismo que muitos também defendem. Não podemos ser hipócritas, ao falar que pratico a capoeira conforme suas origens. Agora querer colocar rótulos na capoeira para diferencia-la, é só questão de ego ou de alguém que queira lucrar em cima disso. Ou pessoas que sente no direito, assim como mestre Bimba teve, ao criar a Luta Regional Baiana. Ficando conhecida como Capoeira Regional. Não importa o sobrenome que dão a capoeira. Ela continuará sendo capoeira. Você escolhe a melhor maneira de prática lá.

AICom: O que é a roda do candeeiro e qual sua importância? Há quantos anos você a realiza?

Claudio: Sou responsável pela direção geral da Roda do Candeeiro, que é um evento realizado anualmente na cidade de Osasco, com o objetivo da preservação e propagação cultural. Tradição implantada pelo meu Mestre, Hermano Dias Pereira Neto (Mestre Gallo) fundador do Grupo de Capoeira Zumbá. Fundado em 04 de março de 1991 na cidade de Osasco SP, onde exerço a Direção Cultural do Grupo. Há mais de 20 anos que a Roda do Candeeiro é realizada por nós, e nas palavras do Mestre, ela não é exclusividade do grupo da Zumbá. Ela pertence a cultura popular, e ao ser implantada e difundida pelo grupo, é uma maneira de resgate e preservação de uma cultura longínqua. Essa roda de capoeira é realizada em um ambiente escuro, apenas com a iluminação de um candeeiro. Os participantes têm a oportunidade de ter a sensação de como os nossos antepassados viviam em uma época sem a energia elétrica. Tempo que a iluminação de ambientes era realizada através de velas e candeeiros, a base de querosene e combustíveis diversos.

AICom: Quantos grupos chegam a participar do evento? Qual foi a mais memorável e marcante para você?

 Claudio: Convidados da comunidade da capoeira de diversas localidades do Estado de SP participam desta festividade realizada pelo grupo. É difícil falar um número exato de participantes e também citar algo marcante. A cada edição da Roda do Candeeiro, é um momento único.

AICom: Quais suas espectativas para as rodas futuras?

Claudio: Eu espero que a próxima geração da Capoeira Zumbá preserve essa tradição. Mas que também acrescente algo que venha ser enriquecedor, porque não podemos passar por este mundo sem deixar algo a se lembrar. Hoje eu escrevo a minha história, mas amanhã meus descendentes escreverão as suas também. A capoeira não para, ele é constante movimento pela linha do tempo.

[1] Aluna do oitavo semestre do curso de Jornalismo. Estagiária da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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