Representação LGBTQ+ na mídia brasileira

Por Milena Aguida [1]

Carla Tôzo [2]

A mídia tem um papel fundamental na disseminação e no reconhecimento de determinados grupos sociais, afinal é ela que define interpretações e associa características a esses grupos, estabelecendo assim os estereótipos midiáticos. Além disso, no Brasil a mídia tem uma forte influência cultural, pois o que é transmitido, principalmente nas televisões, é o que culturalmente considera-se “normal” e “bonito”.

Por isso, a representação das classes minoritárias na mídia brasileira sempre foi um desafio, mesmo num país diverso. Negros, indígenas, deficientes, mulheres e principalmente a comunidade LGBTQ+ vinham tendo pouca ou nenhuma visibilidade, o que acaba criando um cenário de preconceito e de estranheza na participação desses grupos em qualquer meio comunicacional.

No entanto, atualmente a mídia passou a inserir, principalmente a comunidade LGBTQ+ de maneira gradativa em sua programação. Seja no jornalismo, no cinema, nas telenovelas ou nas publicidades, esse público vem assumindo diferentes papéis e começou a fazer parte dos elencos como qualquer outro grupo, como explica Gean Gonçalves, jornalista e pesquisador da USP sobre gênero e comunicação. “Uma possível linha evolutiva é que esses personagens saíram de um lugar caricato e do humor, e foram para um lugar em que eles estão demarcando possibilidades de afeto e resistência. Então são personagens que estão se transformando e ganhando outra roupagem e complexidade”.

Dessa forma, a visibilidade dada a LGBTQs através das personagens proporcionou que a comunidade como um todo fosse exposta a questionamentos e abrisse diversas discussões perante a sociedade. De um lado, manifestações de preconceito e total repúdio ao que era transmitido, por outro lado, essa visibilidade pode ser considerada também uma forma de “pressionar” instâncias governamentais por mais direitos e políticas de igualdade.

Para que as representações de LGBTQs na mídia sejam capazes de romper estereótipos e de transformar a maneira de pensarmos a respeito da sexualidade, é necessário haver muitas discussões a respeito do assunto. Inseri-los em debates políticos e econômicos, colocá-los em situações de poder e conversar sobre a maneira em que observamos questões de gênero, pode influenciar e diminuir os impactos negativos que personagens LGBTQs ainda causam nos brasileiros.  “Se a imagem do homossexual, trans, bi e etc for desmistificada através da mídia, aos poucos essa sensação de estranhamento vai sumindo, é preciso não só bater de frente, mas também mostrar que todos somos iguais construindo narrativas mais próximas da realidade”, explica o estudante de Jornalismo Kauan Lopes.

Entretanto, é importante lembrar que toda a representatividade não muda uma sociedade de um dia para o outro. É necessário que a mídia haja de forma educativa e que aos poucos molde uma sociedade mais preparada e orientada a entender as diferentes formas de sexualidade, e acima de tudo, respeitá-las.

[1] Aluna do oitavo semestre do curso de Jornalismo. Estagiária da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

 

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