Cresce a busca por cursos a distância no país

Por Paula Mello [1]

Carla Tôzo [2]

Dados do Censo da Educação Superior de 2017, divulgados pelo Ministério da Educação, mostram que o número de ingressantes no Ensino Superior a distância teve um aumento de 18% em 2017, em comparação com 2016. Uma pesquisa divulgada pela Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) mostra que o ensino a distância tem crescido mais do que o presencial e deve ultrapassá-lo: estima-se que 51% dos estudantes matriculados no Ensino Superior recorrerão ao EAD até 2023, contra 49% dos que optarão por salas de aula tradicionais.

Com a missão de ser flexível ao aluno, o marketing das universidades apresenta a novidade como uma forma de gerenciar com autonomia o seu horário e o seu local de estudo, conforme suas necessidades. O que é importante na sociedade em que vivemos, pois, “tempo é dinheiro”, palavras da estudante de administração, Maria Eduarda Gomes, 36 anos.

Maria comenta que esses fatores contribuem para a busca do EAD, porém o principal motivo pelo qual ela e seus colegas de classe escolheram o modelo para estudar está relacionado com o valor: “o custo é extremamente menor. Fica muito mais em conta do que estudar na própria faculdade”.

A média das mensalidades nas instituições particulares é de R$ 1009 para os cursos presenciais e de R$ 295 para os oferecidos remotamente. “Preciso trabalhar para pagar as contas de casa e ajudar meus pais, gastar mais de mil reais com os estudos não caberia no meu orçamento”, complementa Maria Eduarda.

Outro fator ligado a busca por este novo método de aprendizagem pode estar relacionado ao enxugamento das vagas do programa de Financiamento Estudantil (Fies). Em 2017, no governo Temer, 170.95 novos contratos foram garantidos para que alunos entrem em universidades particulares com a ajuda do projeto, contra 690.588 de 2014, do governo Dilma (FNDE, site Lei de Acesso à Informação).

Tem-se a crença que o ensino a distância é uma forma mais simples de recorrer ao tão desejado diploma. Hoje o público do EAD (Ensino a Distância), se caracteriza por pessoas mais velhas, que buscam um melhor posicionamento no mercado de trabalho e que necessitam de tempo para realizar uma faculdade.

O diálogo é parte importante para o desenvolvimento de um pensamento crítico e analítico do aluno. Mas é possível atingir a mesma qualidade de um curso presencial e transformar o conteúdo passado em conhecimento? Só o tempo irá nos mostrar se os alunos do curso a distância conseguem absorver e desenvolver um trabalho coeso e de impacto como se espera de um aluno de um curso tradicional.

[1] Aluna do oitavo semestre do curso de Jornalismo. Estagiária da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

 

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