É hora das empresas saírem do armário do conservadorismo

Por Milena Aguida [1]

Carla Tôzo [2]

Estamos no ano de 2018 e ainda é comum nos depararmos com situações de preconceito e intolerância no ambiente corporativo principalmente relacionadas a comunidade LGBTQ+. Basta darmos uma olhada nos números de empregabilidade apontados por algumas pesquisas para comprovarmos esse retrocesso social. Em um levantamento feito pela empresa de recrutamento Elancers, em 2015, mostrou que 18% dos recrutadores de 1.500 empresas em todo o Brasil não contratariam uma pessoa homossexual para algum cargo.

Já a consultoria de engajamento Santo Caos fez, no mesmo ano, uma entrevista com 230 profissionais LGBTQ de 14 estados, na faixa etária de 18 a 50 anos, compondo um rol de diversos segmentos. Desse universo, 40% já disseram ter sofrido discriminação direta por sua sexualidade e todos – sem exceção – relataram o constrangimento da discriminação velada.

Todos esses números comprovam ainda mais o cenário atual brasileiro onde LGBTQs tendem a esconder sua sexualidade para manter ou conquistar um novo emprego. Além disso, sustentam o conservadorismo de algumas empresas em não contratar determinado funcionário se baseando em sua sexualidade e não em sua capacidade e desempenho.

A questão da inclusão da comunidade LGBTQ+ no ambiente de trabalho deve ser compreendida fundamentalmente aos olhos da Lei, no qual os direitos fundamentais de TODO o cidadão à vida e a participação em sociedade são garantidos pela Constituição Brasileira, como explica a Pedagoga especialista em Educação Sexual, Direito Educacional, Gestão de Ensino e Direitos Humanos Dra. Silvia Piedade de Morais. “Em primeiro lugar, é preciso considerar que os direitos LGBTQ+ se constituem na esfera dos Direitos Humanos, ao contrário do que se costuma dizer, esses direitos não são privilégios. Nesse sentido, todas as esferas públicas e privadas devem ser reguladas em torno dos Direitos Humanos e, no caso do Brasil, nos direitos fundamentais da liberdade e da dignidade humana”.

INFOGRÁFICO - PAUTA 2

É extremamente importante discutir essa questão da inclusão de grupos minoritários no ambiente corporativo, pois o trabalho é um ambiente que pode ser usado como ferramenta para desconstruir preconceitos já impregnados em nossa sociedade. Limitar a capacidade profissional de uma pessoa se baseando em sua sexualidade é um problema social e que incentiva ainda mais a propagação de manifestações de intolerância de qualquer tipo. Como afirma o Psicólogo Clínico especialista em atendimentos ao publico LGBTQ+. “Desconstruir preconceitos é desconstruir diferenças, porque não há diferenças. Nós somos humanos, somos pessoas temos nossas necessidades. Nesse sentido, somente através de discussões e da conscientização que começamos a pensar mais sobre, afinal muitas vezes fazemos coisas no automatismo e muitos preconceitos são reverberados”.

[1] Aluna do oitavo semestre do curso de Jornalismo. Estagiária da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

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