Cia Ozarte

O teatro capoeira da periferia e os sonhos inabaláveis

Texto e fotos: Thynaila Moura [1]

Carla Tôzo [2]

 

Qual é o tamanho da força de uma flor que desabrocha em meio a massa de concreto e cimento? Uma flor que carrega tristezas nos olhos e uma rara alegria, que quando surge, contagia os mais belos sorrisos. Senhoras e senhores, com vocês, a companhia Ozarte!

Para quem nunca imaginou que a zona oeste de Osasco também poderia ter grandes produções artísticas vindo direto da periferia, se surpreenderia com a força que o grupo carrega e as raízes de sua origem.

“Nós começamos com os perrengues, nós continuamos com os perrengues, e nós vamos continuar com os perrengues. Essa é uma questão de todo um cenário cultural e teatral, mesmo diante desses obstáculos, nada nos segura.”, diz Wesley Vieira, de 29 anos, professor de teatro e um dos diretores do grupo. Junto à Celso Barbosa comemora dois anos de Companhia.

professor
Professor e diretor da companhia Ozarte, Wesley Vieira. (crédito: arquivo pessoal)

Antes, participantes de um projeto social chamado Casa de Cultura e Cidadania, que por conta da crise financeira do país e diversos outros empecilhos, acabou fechando as cortinas para sempre, a Companhia foi se formando devido aos sonhos das crianças e adolescentes de trazer sorrisos aos olhos de quem os veem.

Rafaella Alves, de 16 anos, é uma das participantes mais antigas e que também fazia parte do projeto social. Hoje, como uma mulher negra de orgulho, compartilha suas experiências com os mais novos. “A missão da companhia foi de levar a arte a onde mais necessitava, então muitas coisas a gente não faz por dinheiro, e sim por amor, porque foi de graça que nós recebemos e de graça nós fazemos”.

teatro peça1
Peça da companhia “Dandara”, com Rafaella Alves no centro da foto.

Como uma semente plantada que cresceu, se transformando aos poucos em uma grande árvore, o grupo compõe-se de crianças vindas de uma comunidade periférica, com muitas famílias em meio a um ambiente degradado de lixo e barracos como casa. Elas se transformaram em adolescentes e, hoje, quase adultos, levam diversão e sonhos para escolas, cursos, teatros grandes e faculdades.

O palco é o sonho de muitas pessoas, mas chegar até as cortinas vermelhas com os refletores ligados e ao som dos aplausos, não é uma tarefa fácil de se alcançar. Qual seria a grande estrada do teatro amador para o profissional?

Nathalia Guimarães, atriz e professora nos cursos de comunicação do Centro Universitário FMU|FIAM-FAAM, dá aulas de Direção de arte e cultura e  comenta um pouco o trabalho do grupo. “O teatro periférico é absolutamente múltiplo, então é preciso tomar cuidado para não colocarmos em uma gaveta e acharmos que é tudo igual. O que esta presente em todos esses grupos é a resistência.”

teatro peça 2
Peça da companhia “O grande Circo”.

Utilizando temas sociais, como o negro escravo das senzalas, o preconceito contra a mulher, racismo e o forte nordestino, o grupo segue uma linha do teatro do oprimido de Augusto Boal. Quando quer trazer alegria e sorrisos aos olhos infantis, entra o teatro contemporâneo e popular, carregando altas gargalhadas e um show de acrobacias imperdível. O seu diferencial, além de ser um grupo que pode ser considerado profissional, vem de sua mistura da arte do teatro e capoeira que andam juntas, enraizadas uma na outra.

[1] Aluna do oitavo semestre do curso de Jornalismo. Estagiária da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s