Jornalismo em quadrinhos

Entrevista Ping Pong com Luiz Fernando Meneses, repórter do Aos Fatos

Texto e foto: Thynaila Moura [1]

Carla Tôzo [2]

 Tornou-se um fato que, nessa nova era contemporânea e tecnológica, o jornalismo acaba se transcendendo para outras mídias, com os atuais meios de expansão e comunicação. O jornalismo em quadrinhos é um exemplo claro dessas novas ferramentas como novos meios de informação. Os HQs que tanto fascinam o mundo com suas histórias, agora também fazem parte do jornalismo, não apenas como tirinhas humorísticas, mas grandes perfis e reportagens.

Essa transição teve início com o cartunista e ilustrador Art Spiegelman, ganhador do prêmio Putlizer, em 1992, com sua grafic novel “Maus”, que conta a história de seu pai, sobrevivente do holocausto. No entanto, jornalismo em quadrinhos se consolidou com o jornalista e ilustrador Joe Sacco, autor da obra “Palestina” e “Notas sobre Gaza”.

Sendo uma nova forma de jornalismo ainda muito recente, o jornalista Luiz Fernando, repórter do Aos Fatos, comenta um pouco sobre o assunto e o como foi o processo de seu TCC em 2013, escrevendo o livro “Socorro! Policia!”, juntamente com a repórter Amanda Ribeiro, atualmente, jornalista da Folha.

AICom: Jornalismo e ilustração são duas áreas completamente diferentes, como é esse processo de pesquisa para juntar o desenho e o jornalismo?

Luiz Fernando: Eu converso com alguns jornalistas de quadrinhos, que são chamados de HQ jornalistas, depois prefiro fazer tudo ao mesmo tempo. Não consigo pensar em um texto e depois transformar em quadrinhos, então começo a pensar nas ilustrações junto com o texto.  Estou até com um trabalho no Aos fatos de checagem de quadrinhos, que esta saindo toda sexta.

 AICom: Você realizou o trabalho de produção todo sozinho? Como foi o processo?

Luiz Fernando: Não.  Fiz com a Amanda Ribeiro, que é repórter da Folha. Fizemos toda a apuração básica primeiro, depois o roteiro e então a apuração ilustrativa, onde fui procurar como é uma arma, qual a arma que os policiais usam, peguei as fotos comparei com as verdadeiros e outras imagens. Ou seja, estas pesquisas referenciais tem que ser feitas, pois você não pode fazer tudo de cabeça.

AICom: Quando você apresentou a sua ideia alguém se colocou contra sobre histórias em quadrinhos como meio jornalístico?

Luiz Fernando: Bom, como o meu foi um TCC, que fiz na Universidade Federal de Santa Catarina e o meu curso poderia ter vários temas, eles acharam o máximo, pois era o primeiro que iria ser grande, porque lá nós estudamos novas formas de comunicação. Já estava no sétimo semestre e era uma coisa que não tem muito, então foi tranquilo.

AICom: Como foi a escolha do seu tema? Foi muito difícil organizar o processo?

Luiz Fernando: A principio comecei a fazer algumas reportagens em quadrinhos, resolvendo fazer o TCC de 40 paginas desenhadas. Meu orientador falou para pensar em algo atual. Eu já pensei logo nas vendas, em pessoas para ler este negócio, porque não iria valer a pena fazer seis meses de desenho com 140 páginas para depois ninguém ler. Então eu pensei em vários temas polêmicos e resolvi fazer a ideia de como nós temos uma imagem errada sobre a policia, ou seja, como as pessoas que querem acabar com a policia militar não pensam no conjunto todo, por exemplo?

 AICom: Se tornou uma nova forma útil de jornalismo como meio de informação? Quem foram suas inspirações?

Luiz Fernando: Em relação de novidade ele não é muito novo, pois existem casos muito antigos até mesmo antes do Joe sacco em 1994. Só que ele ficou mais famoso nos últimos quatro anos, então acredito que o quadrinho é uma maneira mais interessante de passar informação porque você pega o texto ou vídeo e pode colocar em quadrinhos, que faz com que as pessoas leiam mais pelo fato de ser ilustrado, mais divertido, faz a pessoa ter mais interesse. Sobre minhas inspirações, como disse anteriormente, Joe Sacco, o pai do jornalismo em quadrinho. Art Spiegelman com a obra dele “Maus”. E atualmente, o Alexandre de Maio, que é o maior jornalista em quadrinhos do Brasil, com uma carreira de 20 anos, por aí. E também o Robson Vilalba, com “Notas de um tempo silenciado”, contando seis histórias não contadas sobre a ditadura militar, ganhando o prêmio Vladimir Herzog.

AICom: Após o término do seu TCC, como foi o planejamento de marketing da obra?

Luiz Fernando: Bom, após o término da faculdade, pagamos as tiragens de nosso próprio bolso e íamos em eventos, nos stands dos artistas, como a Comic Con, por exemplo. Passávamos nas livrarias oferecendo o livro para por nas prateleiras. Um processo bem complicado, mas que valeu muito a pena. Atualmente, há muitos projetos crowdfunding que ajudam pessoas com seus livros, o Cartase é um deles.

[1] Aluna do oitavosemestre do curso de Jornalismo. Estagiária da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

 

 

 

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