Debate sobre uso de tecnologias para potencializar o trabalho do advocacy tem sala cheia

“Como se apropriar do uso de tecnologias para potencializar o trabalho do advocacy?” foi tema do encontro 

Por Gabriel Ferreira e Jéssica Leite [1]

Carla Tôzo [2]

Nesta terça-feira dia 10 de setembro o Campus Liberdade da FMU recebeu o painel de debate “Como se apropriar do uso de tecnologias para potencializar o trabalho do advocacy?”. O evento ocorreu como parte da programação da Primeira Conferência Nacional de Advocacy e contou com a presença de Maira Baracho, coordenadora do Beta; Max Maciel, do Podcast Papo de Quebrada; Saulo Porto, do Dado Capital e a mediação da Natália Neris, do InternetLab. O encontro rendeu um longo debate sobre como transformar plataformas digitais que são consideradas vilãs em locais para influenciar positivamente o engajamento em políticas públicas.

Maira Baracho que é coordenadora do BETA, criado em 2017, deu inicio ao painel explicando a criação do projeto e como a tecnologia tem ajudado a “quebra da bolha” do ativista do sofá.

O BETA faz parte do Nossas, que é uma rede de incidências políticas nas grandes cidades e que decidiu apostar em uma nova plataforma, criando um robô com inteligência artificial, que acompanha pautas do Congresso Nacional que ferem ou ameaçam direitos das mulheres, a partir de palavras chave como: laicidade, aborto, sexualidade e mulher. ”Tínhamos acabado de passar pela primavera feminista, as mulheres estavam na rua, então foi o gancho perfeito para encontrar essas mulheres que estavam sensíveis sobre esse tema e serviu para furar a bolha do ativista de sofá, a BETA abre a possibilidade de podermos agir de fato.”, explicou.

A BETA identifica uma ação e manda para sua base de mais de 135 mil pessoas e elas mesmo enviam o e-mail. Em sua maior campanha foram enviados 70 mil e-mails em 48h para o congresso sobre a PEC29 (que proíbe o aborto desde o inicio da gestação).

Já Saulo Porto criador do Dado Capital e atuante na área há mais de 40 anos cita que hoje vivemos uma terceira era, a “era dos dados”, na qual se pode acompanhar, decifrar e antecipar ações que possam ser feitas na Câmara e nas comissões.

Saulo defende o uso da tecnologia como meio de profissionalização nas campanhas de votos, substituindo a opinião por dados, acompanhando as ações de parlamentares. “Existem mais de 27 mil projetos de lei, é mais que acompanhar, é entender como vai acontecer, por exemplo, os deputados se agrupam dependendo do estado e do partido, mas também se agrupam em questões de interesse deles o que chamamos de “grafos” e você identificar como eles agem de forma conjunta, contra ou a favor do seu interesse, isso não tem preço.”

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Participantes acompanham o evento (crédito Laís Fiocchi)

A terceira parte do painel ficou por conta de Max Maciel, apresentador do Podcast Papo de Quebrada – que trata de assuntos de relevância com uma visão e linguagem periférica – e que comentou sobre a função social do projeto. “O Papo de Quebrada quer discutir narrativa, produzindo seu próprio conteúdo para explicar aos atingidos  porque estão sendo atingidos”, além disso, Max reforçou seu grande desejo em fazer da população periférica uma população mais ativa, ocupando mais espaços, principalmente em locais onde minorias são ignoradas e marginalizadas, como em espaços políticos: “Não sei o nosso trabalho tem total esse alcance, mas talvez seja um processo não só das pessoas voltarem a falar de política, mas o ponto de elas se engajarem de sair politicamente, ao invés de ser apenas quem vota, ser parte desse processo de solução”, levantou a provocação.

A mesa seguiu de forma muito equilibrada, inclusive debatendo como essa junção do advocacy com as tecnologias podem se tornar excludentes com uma parcela muito grande da população que ainda não tem acesso a internet  ou que tem um acesso muito limitado. Para eles, isso ocasiona – muitas vezes- o não alcance das estratégias de integração de políticas publicas adotadas por quem decide atuar nesse segmento mais conectado às redes.

[1] Alunos do sexto semestre do curso de Jornalismo. Estagiários da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

 

 

 

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