Tecnologia e audiência: De que forma eles impactam o jornalismo contemporâneo?

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Palestrantes abordam o papel das redes sociais, a influências dos algoritmos e a mudança de arquitetura em que a profissão está submetida

Por Ana Luiza Antunes e Luana Losimfeldt [1]

Edilaine Felix [2]

No intuito de fomentar a discussão em torno dos novos modelos de negócios e pesquisas em que o jornalismo está envolvido por conta do atual fluxo de informações, o Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental promoveu, neste sábado, dia 10 de agosto, uma roda de conversa sobre a tecnologia e seu papel na formação de audiências não só em torno do jornalismo, mas na construção da realidade em geral. Discutindo o tema, com mediação de Caru Schwingel, estavam os convidados Bruno Torturra, Krishma Carreira, Breno Costa e Claudio Ikeda.

Em vista do cenário em que a profissão se encontra, refém dos novos tempos alimentado pela agilidade e praticidade, a conversa seguiu a lógica do jornalismo e do público estarem enredados no antigo sistema hegemônico da profissão, no qual enxergam a audiência como estatística, tendo em vista a análise feita demograficamente para chegar a um resultado desproporcional às demandas e necessidades de hoje.

Bruno Torturra, criador do Estúdio Fluxo e um dos articuladores da criação da Mídia NINJA, apontou que há uma competição de audiência em termos de estilo, já que, devido a todos terem a possibilidade criar conteúdo, há uma disputa por atenção no mesmo espaço. “O que atrai as pessoas é este sistema cíclico e não o interesse. A rede social colocou em pé de igualdade o produtor de conteúdo e a audiência, o que pode ser ruim, visto por esse lado, e bom se olharmos para o bom relacionamento que o jornalismo pode criar com a audiência.”

Privacidade Hackeada

Nos últimos anos, a tecnologia tem trazido com força a noção de ter a possibilidade de mudar o futuro e ação das realidades. Krishma Carreira, professora e coordenadora do curso de Jornalismo na FAPCOM (Faculdade de Comunicação), trouxe para o debate de que forma os dados e algorítimos impactam nossa realidade.

Para ela, estamos vivenciando a construção de uma plataforma de controle, que tem acesso a todas as informações pessoais da sociedade, e que podem usar isso para modificar o poder de escolhas de tais audiências. “Os dados estão tomando decisões por nós que às vezes nem sabemos. São decisões que impactam os direitos humanos”. E ressalta o porquê precisamos ficar alertas. “O que precisamos ter em mente é que os dados exercem influência sobre a democracia”.

Tentativas e erros

Breno Costa é jornalista, fundador e diretor do Brio – empresa que fornece serviços destinados ao jornalista, e também é o criador e responsável pelo Brasil Real Oficial, que busca “traduzir” para o público geral o conteúdo do Diário Oficial da União. Com bom humor ele falou que é um “experimentador”, que tentou vários tipos de projetos ao longo da vida, e que já acumulou um grande número de fracassos. Baseado em sua experiência, ele fala sobre como é importante saber qual o seu público, o que você quer produzir e quais os meios que vai utilizar. Saber lidar com o fracasso e sempre tentar novamente é um ponto que todos os palestrantes concordam ser essencial na área jornalística.

Costa comentou sobre como, ao lidar com produtos jornalísticos em mídias digitais, é importante pensar não só na criação do site, mas também em como as pessoas vão achá-lo. Pensando nisso, ele conta como a Newsletter e o Substack – plataforma para profissionais, como jornalistas, mandarem e monetizarem suas newsletter – deu certo para ele. “Se existe algo no mercado, use o que existe. Não crie algo em relação à plataforma para competir com as que já existem. E se der certo, você faz algo mais independente.”

O Brasil e a Inteligência Artificial

Diretor de BI e Big Data da Vivo, o engenheiro de automação Claudio Alberto Ikeda falou sobre o sucesso da Aura (inteligência artificial da Vivo) e do Brasil no que se diz respeito a essas tecnologias. “Se tem o Black Mirror que fala do que a tecnologia pode causar, eu estou vivendo o White Mirror, porque se trata do que a tecnologia pode fazer para a gente”, comentou Ikeda após narrar a história do projeto feito em conjunto com a IBM e a Microsoft.

Ikeda fala sobre a conquista na “assertividade” da Aura em entender o que as pessoas escrevem em comparação com o resto do mundo. Enquanto a média de entendimento das inteligências artificiais costuma ficar em torno de 70%, a Aura teve um case diferenciado ultrapassando os 90% ao ter professores da língua portuguesa e especialistas linguísticos sendo inseridos no processo. Estes profissionais ficam no que ele denominou como “centro de treinamento robótico” onde “ensinam” a inteligência artificial a detectar e compreender as regionalidades do que se é dito a partir do contexto no qual está inserido.

A mediadora Caru Schwingel doutora em ciberjornalismo, comandou a roda de conversa que ocorreu com bastante descontração e participação do público presente. Antes de abrir para as perguntas, comentou sobre a importância dos assuntos tratados na palestra. “O que estamos falando é do empreender no jornalismo e do que é sucesso e fracasso”, encerra.

 

[1] Alunas do sexto e sétimo semestre do curso de Jornalismo e monitoras da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

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