O olhar periférico sobre o meio ambiente é assunto no Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental

Evento ocorre entre os dias 9 e 10 de agosto em São Paulo

Por Verônica Andrade [1]

Edilaine Felix [2]

 

A Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental (RBJA) e o Instituto Envolverde promoveram entre os dias 9 e 10 de agosto o Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental em São Paulo. Dentre os diversos assuntos discutidos nos dias de evento, Thiago Borges (Periferia em Movimento) e Ronaldo Matos (Desenrola E Não Me Enrola) na mesa “As novas narrativas do meio ambiente: diversidade, raça e contextos periféricos”, com mediação de Rachel Añón (PonteAPonte/RBJA), falaram sobre o olhar periférico sobre a consciência ambiental.

Durante a conversa os palestrantes mostraram sua perspectiva jornalística sobre a questão do meio ambiente dentro de suas vivências nas comunidades. Ronaldo Matos morador da zona sul de São Paulo, destaca a importância de conhecer e reconhecer a história do espaço em que vive.“Esta mesa é um convite para que a gente compreenda o meio ambiente a partir de um olhar periférico e para isso precisamos partir do processo histórico do nosso território”, diz Matos e questiona: “por que eu enquanto morador de uma área que já foi abundante não me dou conta ou não sei disso?”

Já Thiago Borges, ressalta o a importância cultural que o ambiente representa no cotidiano dos moradores do Grajaú, região das represas Billings e Guarapiranga. “Quando eu era jovem, meus finais de semana eram nas represas, quantos amigos morreram lá, atravessávamos de balsa a represa sempre.” No entanto, ele destaca que a justificativa ambiental ainda é utilizada pelo governo para que estas pessoas não tenham a posse da terra, por se tratar de área de mananciais.

O déficit habitacional na cidade de São Paulo é de cerca de 370 mil moradias. Para ele, é quase impossível falar de preservação do meio ambiente sem levar em consideração a habilitação. “Vamos falar de preservar? Vamos. Mas como ficam as pessoas que vivem ali? Não adianta você remover as famílias que construíram suas casas irregularmente, e não dar um apoio a elas”, indaga Borges.

Novas narrativas

Durante a roda de conversa os palestrantes salientaram os desafios dos jornalistas em criar uma consciência ambiental , com novas narrativos em contextos periféricos. “Quando a gente fala sobre o assunto é com uma visão elitista, como se não fizesse parte do nosso dia a dia, como se questões como saneamento básico e poluição não estivesse nos rodeando e, quando a gente vai para os extremos isso vai ficando muito forte e fazendo alguns recortes sociais vamos percebendo que há uma série de questões que vão se sobrepondo”, conclui a mediadora da roda Rachel Añón.
[1] Aluna do quinto semestre do curso de Jornalismo e monitora da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

 

 

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