NA PIOR EM PARIS E LONDRES

Nesse livro, o autor George Orwell relaciona técnicas jornalísticas – como a apresentação de dos personagens através de breves perfis – com elementos literários em uma narrativa que além de rica em informações, proporciona uma leitura agradável e envolvente

Texto: Eric Ribeiro [1]

Carla Tôzo [2]

A história começa com o autor apresentando os dias em um pequeno hotel em que estava vivendo na “Rue du Coq d’Or”, em Paris no ano de 1928. Somos apresentados aos personagens em forma de perfil jornalístico e o leitor pode sentir-se bem próximo de tudo isso com riqueza de detalhes presente na obra. Com o passar dos dias, a vida do personagem tem algumas reviravoltas que o levam a situações bem complicadas e cada vez mais precárias. Em uma exaustiva busca atrás de oportunidades de emprego pelas ruas de Paris, o protagonista consegue reencontrar seu velho amigo Bóris, que por estar em situação parecida, passa a acompanhá-lo em suas desventuras.

Entre os eventos que acabam vivendo na busca por trabalho, os dois passam por muita coisa juntos, conhecem pessoas e lugares um tanto singulares. Certa vez até foram “recrutados” pela máfia Russa. Em outro episódio, contam sobre os segredos mais desagradáveis e outras experiências que tiveram ao trabalharem em um restaurante – que ninguém ficaria contente em ser cliente – ou em muitos outros pela cidade também.

A primeira metade do livro é marcada por críticas sociais quanto ao trabalho e a situação que as pessoas viviam no contexto da época.

Na segunda parte da história, os amigos acabam se separando e o protagonista viaja para Londres, onde recebeu um convite que pode mudar sua vida. Mas no decorrer dos capítulos, descobre que talvez essa viagem não seja nada do que esperava. E tudo acaba indo de mal a pior até que encontre o que lhe foi prometido no início da viagem.

Entre idas e vindas, muitas vezes passando por miséria extrema e humilhação social, o personagem ainda consegue contar tudo de forma divertida, mantendo sempre alguma esperança e determinação. Durante a leitura do livro nunca temos contato com o nome do personagem ou o que levou a chegar no ponto em que a história começa. E George Orwell só fala sobre isso no final, após os últimos acontecimentos. O desfecho é mais do que satisfatório e, com certeza, vai agradar tanto os que esperam um final feliz, quanto aos que não contam mais com isso após todos os acontecimentos. O ponto alto da leitura são as técnicas de contar passagens tristes e sofridas de forma relativamente leve. O roteiro é bem trabalhado quanto a proposta de crítica social do autor e, ao mesmo tempo, entrega uma história de vida que vale a pena ler.

[1] Aluno do oitavo semestre do curso de Jornalismo e estagiário da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

 

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