Fake news e a espetacularização da notícia

37% dos usuários já compartilharam algo nas redes sociais e depois descobriram que o conteúdo era falso

Por Fernanda Carvalho [1]

Edilaine Felix [2]

As fake news podem ser definidas como histórias falsas, em formato de notícias e propagadas divulgadas em meios de comunicação e redes sociais e na maioria das vezes, com interesses políticos. Essas falsas notícias não são novidade, contudo, com a internet, elas tornaram-se um fenômeno global.

O termo ganhou força mundialmente em 2016, com a corrida presidencial dos Estados Unidos, época em que conteúdos falsos sobre a candidata Hillary Clinton foram compartilhados de forma intensa pelos eleitores de Donald Trump. E os aplicativos de mensagens instantâneas acabam sendo os principais responsáveis pela distribuição de conteúdos falsos.

As informações falsas apelam para o emocional do leitor/espectador, fazendo com que as pessoas consumam o material noticioso sem confirmar se o conteúdo é verdadeiro. O poder de persuasão das fake news é maior em quem usa apenas as redes sociais para obter informações.

Para legitimar as fake news, as páginas que produzem e divulgam esse tipo de informação costumam misturar as publicações falsas com a reprodução de notícias verdadeiras de fontes confiáveis. Outro problema presente nas redes sociais são as chamadas sensacionalistas que induzem ao erro. Seguindo a linha do sensacionalismo, nos deparamos com outra condição que caminha lado a lado com a notícia falsa: a espetacularização da notícia.

Muitos autores afirmam que um fato não pode ser modificado e se for, transforma-se em ficção. No entanto, analisando a maneira como alguns veículos produzem e reportam a notícia – principalmente nos telejornais – podemos observar que a espetacularização da notícia está fortemente presente. É importante lembrar que a maneira como um acontecimento é contado influencia diretamente o pensamento do receptor ao receber a notícia.

Laurindo Leal Filho em seu texto “As raízes da espetacularização da notícia”, relata que a espetacularização pode ser fruto de uma combinação de fatores, sendo de um lado as necessidades comerciais e de outro o entretenimento que o público busca na televisão ou redes sociais. Enquanto os veículos buscam o lucro para se manter, o receptor busca se entreter enquanto se informa.

Voltando à questão das fake news, o jornalismo tem um forte papel em combatê-las. Esse combate deve ser feito por meio do fortalecimento da credibilidade da profissão e principalmente, através de uma apuração criteriosa dos fatos. Do outro lado, os receptores também podem contribuir ao compartilhar apenas aquilo que eles têm certeza que é verdadeiro.

 

[1] Aluna do sétimo  semestre do curso de Jornalismo e estagiária da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

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