50 anos de Tommy

-“Listen to Tommy with a candle burning, and you’ll see your entire future”

‘Almost famous’

Texto: Cássia Costa [1]

Carla Tôzo [2]

Considerada por muitos a maior ópera Rock de todos os tempos, o álbum ‘Tommy’ da banda britânica The Who, chegou à marca de meio século de vida. E como um disco com tanto tempo, conseguiu se manter tão atualizado e inovador? Não é novidade para os amantes da música que o The Who foi uma das bandas mais importantes dos anos 60, e que Tommy é a menina dos olhos de todo fã do grupo, mas antes de tudo, vamos começar do inÍcio, para entender melhor toda a dinâmica de ‘Tommy’.

A década de 60 foi um divisor de águas para toda a humanidade. Musicalmente falando tivemos a Beatlemania, o Woodstock e infinitas bandas e artistas, que a cada momento, achavam formas de se reinventar. Com o The Who não foi diferente. Eles começaram voltados ao Movimento Mod, com uma pegada de Beat Music, mas não demorou muito para seguirem outros rumos. Algumas canções são vistas como espécies de percussoras ou antecessoras ao ‘Tommy’, chegando a serem lembradas como mini óperas rock, como é o caso de ‘I’m a Boy’ que seria uma das principais músicas para o projeto ‘Quads’, que acabaria não saindo do papel;  ‘A Quick One, While He’s Away’ que faz parte do disco ‘A Quick One’ e é considerada um marco da ópera rock na carreira do The Who; ‘Rael’ que nas palavras do guitarrista da banda, Pete Townshend, era uma épica ópera rock de duas horas que foi condensada em, mais ou menos, 7 minutos.

Tudo isso guiou a banda para o que 1969 reservava.  ‘Tommy’ foi idealizado por muito tempo, já que, Pete Townshend era o compositor principal do grupo e tinha milhares de ideias em sua cabeça. O documentário ‘Sensation: The story of Tommy’ conta a história de uma bad trip de LSD que Pete experienciou que o levou a entrar em contato com seu lado espiritual. Ele explica que começou a querer levar a vida mais a sério e que quando conheceu o guru Meher Baba, e em especial o livro que foi feito sobre ele ‘The God Man’, sentiu que estava finalmente pronto para compor ‘Tommy’ e levar essa criação como uma história espiritual.

O álbum abre com ‘Overture’ que remete a outras canções presentes no disco, e apesar de ser, em suma, um instrumental, no final traz uma pequena letra que dá inicio a trama. Capitão Walker está entre os desaparecidos, e seu filho, ainda não nascido, jamais o conhecerá (o ano é 1918, e Capitão Walker esta na lista de desaparecidos de guerra).

A próxima música, ‘It’s a Boy’, não tem nem 40 segundos, e tem certa relação com outra canção já lançada pelo grupo. ‘Glow Girl’ é de 1967 e traz uma letra com ideia similar da presente em ‘Tommy’, pois no final da composição, ela fala para alguém, denominada de Sra. Walker, sobre uma menina. A mesma brincadeira é usada em ‘It’s a Boy’, a única diferença é que o anunciado é um menino (It’s a boy, Mrs. Walker, it’s a boy!). A música é usada para falar sobre o nascimento de um menino, filho do Capitão Walker, e da Sra. Walker, o protagonista do disco, Tommy Walker.

A canção seguinte é ‘1921’ que começa com uma composição calma, com fortes marcações no acorde e traz uma inesperada mudança no enredo. Apesar de não ficar claro na música, em 1921 o Capitão Walker, de repente, retorna para casa e descobre sua mulher com outro homem. Ele não suporta o fato e mata o amante. No instante seguinte, surge um coro de tons de vozes questionando sobre o menino, o pequeno Tommy, ter visto tudo. Os pais, então, convencem o garoto de não ter visto nem ouvido nada, ou seja, ele não deve contar sobre isso para ninguém.

O que vem depois é ‘Amazing Journey’ que é o pontapé inicial para essa maravilhosa jornada (perdoem o trocadilho) que ‘Tommy’ traz. O ponto principal da canção é mostrar que Tommy, agora, com 10 anos de idade, é cego, surdo e mudo. Com todo o estresse pelo qual teve que passar, com o incidente de 1921, ele foi transformado em um garoto que agora está limitado ao mundo das vibrações e da imaginação. Seguindo, vem ‘Sparks’, com várias nuances, viradas e melodias, serve para dar continuidade a ideia de que Tommy, agora, com sentidos aguçados, por não usar os três já mencionados, sente tudo profundamente, pelos tremores, oscilações, e pelas emoções.

Com ‘Eyesight to the Blind (The Hawker)’, a única canção não composta por nenhum membro do grupo no disco, temos um brilhante cover da música de Sonny Boy Williamson, em que a banda consegue fazer uma incrível referência a uma de suas influências, que seria o blues, mas também uma interessante relação com o tema da obra original que fala, exatamente, de alguém cego, surdo e mudo. Na versão do The Who, somos introduzidos ao Sr. Hawker, que é um cafetão e está apresentando uma mulher com poderes místicos capazes de cura, que voltara para trama mais tarde.

E assim segue  ’Tommy’ que foi pensado nos mínimos detalhes e é considerada a primeira grande ópera rock da história.  Até hoje, quer esteja fazendo 50 anos, ou apenas um dia, não cansa de maravilhar a todos. O álbum vendeu milhões, as turnês bateram recordes e foram criados filmes, musicais e diversas referências a ‘Tommy’ durante todos esses anos. Um disco que merece ser lembrado, todas as vezes que falarem sobre a história da música, e é claro, do legado do The Who.

[1] Aluna do quinto semestre do curso de Jornalismo e monitora do NECULT.

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

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