Mesa debate a preservação do meio ambiente nas cidades

Convidados se utilizam de suas experiências pessoais para tratar tema de sustentabilidade

Por Luana Losimfeldt, Gabriel Castilho [1]

Edilaine Felix [2]

 

A segunda palestra do Fórum de Sustentabilidade, realizada pelo NEMA (Núcleo de Estudos do Meio Ambiente) do Centro Universitário –  FIAMFAAM na noite de 20/05 trouxe o tema “Sustentabilidade no Meio Urbano e as Representatividades na Mídia”. Para tratar do assunto, a mesa contou com a presença do secretário parlamentar José Valverde, a jornalista especialista em cobertura de meio ambiente Andrea Vialli e o ambientalista Sergio Shigeeda, a mediação foi da professora da casa e coordenadora do NEMA, Rita Ribas.

Na palestra foram abordados assuntos como cobertura jornalística, a logística reversa, reciclagem e ações positivas. Durante a sessão de perguntas, os convidados ainda falaram sobre como um profissional de comunicação, em seu papel de fomentar o consumo, pode fazer isso com responsabilidade social.

Administração dos resíduos sólidos

José Valverde criticou o atraso do Brasil em relação à gestão de resíduos sólidos, afirmando que fazemos conceitualmente o que se fazia no século XIX. “Geramos, recolhemos e afastamos para aterrar longe da cidade.”

Sobre a lei estadual de resíduos sólidos, ele acredita que apesar de já estar aprovada há alguns anos, ainda não surtiu o efeito que a população merecia. “Com esse fenômeno das cidades serem cada vez mais o modo predominante de vida, as cidades estão perto e o lixo também fica cada vez mais perto.”

Valverde conta que o Brasil hoje tem mais de 50% dos municípios com lixões. “Ou seja, nem uma destinação ambientalmente adequada, quem dirá processos de mais valorização de resíduos sólidos. Mas o estado de São Paulo tem dado passos importantes ao estabelecer a logística reversa.”

A logística reversa é quando, por exemplo, uma empresa coloca um produto no mercado e consegue dar uma destinação ou reaproveitamento quando este produto acabar. Mas, mesmo saindo na frente do resto do país, São Paulo tem um potencial de reciclagem de 32%, da qual, apenas 0,6% são efetivamente executadas.

Jornalismo para o meio ambiente

Andrea Vialli acompanha o tema sustentabilidade desde 2001, e percebe mudanças na cobertura jornalística deste então. Para ela, os jornalistas pararam de tratar a proteção do meio ambiente como algo de “abraça árvores” e passaram a buscar a complexidade e os desafios do assunto.

“O tema é visto com bastante interesse pela sociedade, eu acredito que as pessoas querem saber sobre questão climática, resíduos, preservação. Então o tema é bem acolhido, mas eu acho que o público ainda não entendeu qual o seu papel.”

Em seu livro, O Azul da Mata Atlântica (2013) – livro escrito em parceria com a SOS Mata Atlântica –, a jornalista conta um pouco sobre os projetos existente na costa brasileira. “Você tem uma comunidade científica muito comprometida de norte a sul do Brasil, pesquisando a costa e as espécies, sempre com as mesmas dificuldades. Porque a gente sabe que fazer pesquisa no país não é fácil, então me chama muito atenção a resiliência dos pesquisadores e das pessoas envolvidas.”

Uma horta na selva de concreto

Os terrenos baldios são comuns em São Paulo. Em 2007, a Sempla (Secretaria Municipal do Planejamento) revelou que a capital paulista tinha quase 93 km² somente em áreas desocupadas. “Quando você tem espaço ocioso, abandonado e público, ele é passível de gerar quase todos os problemas sociais”, diz Sergio Shigeeda, analista de sistemas, morador do bairro da Saúde, zona sul da capital paulista, que ao se deparar com esse problema, decidiu tomar uma atitude.

Em novembro de 2013, com a ajuda de um grupo de moradores e autorização da prefeitura, Shigeeda transformou o terreno que “tinha assaltos e era um depósito de lixo” na Horta Comunitária da Saúde, um espaço verde entre as residências e prédios da Rua Aracatu.

O projeto permite que os colaboradores entendam melhor o conceito de sustentabilidade, tenham uma alimentação mais saudável e pratiquem atividades socioculturais: cantar, trocar experiências, compartilhar receitas com PANCs (plantas alimentícias não-convencionais), etc.

Sergio, que se considera um “praticante de pequenas boas práticas”, conta que a horta funcionou também para sensibilizar os vizinhos quanto às questões de sustentabilidade: “o pessoal faz compostagem em residência – nos prédios também têm –,  e a reutilização da água da máquina de lavar roupa”.

Esse trabalho de conscientização vai além da horta. Sergio também é idealizador do Plantio Global: um projeto que existe desde 2017 e visa sensibilizar quanto mais pessoas possíveis para plantar e cuidar de árvores nativas ao redor da capital paulista. Na edição deste ano, mais de 300 mudas foram plantadas.

“Costumo sempre falar lá que a gente está plantando não só árvores, plantas e horta. Estamos plantando pessoas para mudar o olhar em relação à natureza”, diz o analista de sistemas sobre uma das etapas mais complexas de todo o processo: construir novos seres humanos.

 

[1] Alunos do sexto semestre do curso de Jornalismo e estagiários da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

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