Resenha: Spotlight: Segredos Revelados

A obra aborda o trabalho jornalístico, mostrando como uma imprensa livre e atuante é fundamental nas sociedades democráticas

Anália Lunas [1]

Carla Tôzo [2]

Alguns filmes parecem seguir uma regra com recomendações bem específicas para se habilitarem aos principais prêmios do cinema americano. Spotlight: Segredos Revelados de longe parece um exemplo disso, um drama baseado em fatos reais e com uma crítica social importante nos dias atuais. O longa do diretor Tom McCarthy evita cair nos clichês do gênero e revela-se um grande filme.

Baseado na história de um grupo de jornalistas que investiga um escândalo de pedofilia na Igreja Católica em Boston, McCarthy entende perfeitamente que o tema é dramático por si só, não caindo na armadilha do sensacionalismo e sentimentalismo. Spotlight consegue extrair dramaticidade dos próprios fatos sem apelar para uma trilha sonora grandiosa ou grandes surpresas, o longa tem um compromisso com a realidade e faz desse fator sua melhor qualidade.

O elenco do filme é impecável; Rachel McAdams, Michael Keaton e principalmente Mark Ruffalo se entregam, tornando seus personagens, que já são bem complexos, ainda mais humanos. Mas o que chama atenção são os personagens secundários, o grupo de jornalistas busca pela cidade as vítimas dos abusos de vários padres, e são nesses relatos em que o filme surpreende. Os fatos narrados por esses personagens menores são marcantes e dramáticos por natureza. É fascinante como o diretor utiliza bem os silêncios nessas cenas. Há apenas a experiência daquelas pessoas, há apenas o drama, há apenas o mal causado por toda aquela situação.

Dessa maneira, Spotlight: Segredos Revelados é um filme denúncia. Ao longo da busca da equipe de jornalistas pelos acontecimentos, é mostrado como uma cidade inteira foi igualmente culpada pelos fatos. Acobertando tudo o que acontecia para proteger a reputação da Igreja e da cidade, Boston é um dos tantos criminosos. Em um momento do longa, um advogado diz que para educar uma criança é necessária uma vila inteira e para abusar de uma criança também é necessária uma vila inteira. É exatamente essa ferida que Spotlight busca cutucar, ninguém ficará impune, nem que para isso seja necessário escancarar os pecados de uma população inteira.

O filme não tenta de forma alguma ser genérico ou universal, mostrando as particularidades da cidade norte-americana e porquê o caso se deu de tal forma naquela região. Vale ressaltar como o diretor filma a cidade nas cenas externas, sempre com a presença física de alguma igreja, evidenciando ainda mais o poder e a opressão daquela instituição na vida e atos dos cidadãos de Boston.

[1] Aluna do sétimo  semestre do curso de Jornalismo e estagiária da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

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