Resenha do documentário Voyeur

Por Amanda Sprocati [1]

Carla Tôzo [2]

 

O documentário Voyeur, do ano de 2017 produzido pela Netflix, mostra o renomado jornalista Gay Talese e a sua trajetória ao escrever uma história um tanto intrigante, para se dizer o mínimo. Em sua visão, transparecida através das cenas do filme, a sua fonte, Gerald Foos, não passa de um homem comum com fetiches peculiares. Porém, depois da publicação da história, as reações foram contrárias. Gerald foi considerado um pervertido doentio, um sociopata.

O motivo é explícito. Ele comprou um motel com o objetivo de observar as pessoas em seus quartos sem que elas soubessem. E ele fez isso por décadas. O que explica a sua conduta é o sentimento que ele tem ao fazer o que fez. Gerald é um voyeur (classificado como uma psicopatologia) que significa “ter prazer sexual ao ver estímulos sexuais, objetos associados à sexualidade ou o próprio ato sexual praticado por outros”.

O longa conta que Talese soube da história por meio de uma carta que o próprio Gerald escreveu a ele, oferecendo parte de sua biografia a fim de ficar conhecido, de ser lembrado depois que morresse. Gay ficou interessado e aceitou a proposta, começou o processo de apuração dos fatos e imersão jornalística vinte e cinco anos antes de publicar algo sobre o assunto. A primeira publicação sobre o fato foi em formato de artigo em jornal impresso e a reação dos leitores e críticos foi negativa logo de cara, antes mesmo da publicação do livro em 2016.

Foos foi considerado um tarado e mentiroso, chegou a sofrer ameaças e pedir proteção à polícia de Denver. Um pouco antes da publicação do livro, Gay recebeu um e-mail enviado por Paul Farhi – um dos verificadores do Washington Post – dizendo que havia inconsistências nos relatos contados por Foos. Aparentemente, além de ter errado a data em que comprou o Motel Manor House, Gerald também não havia contado que vendeu o estabelecimento para o amigo Earl Ballard.

Nessa fase, não tinha mais como suspender a divulgação do livro e Talese decidiu se posicionar contra a história do voyeur. O jornalista concedeu diversas entrevistas, nas quais, dizia que não autorizava o conteúdo do livro e que nunca deveria ter acreditado nas histórias contadas por Gerald. Foi apenas em 14 de julho de 2016, durante o programa Late Night with Seth Meyers, que Gay fez uma declaração dizendo que o Washington Post havia errado apontando o voyeur como mentiroso e que ao ligar para Earl pôde confirmar que Foos continuou realizando suas observações no sótão do motel durante o período em que não era o dono.

[1] Aluna do sétimo semestre do curso de Jornalismo e estagiária da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

 

 

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