NEMA participa de roda de conversa com o especialista em sustentabilidade, Peter Webb

 A atividade promoveu a permacultura e a construção de ideias para aprimorar o ecossistema das grandes cidades.

Por Felipe Aranda [1]

Edilaine Felix [2]

 

A conscientização da população sobre o meio ambiente se faz cada vez mais urgente. Que a natureza não é infinita, é uma verdade absoluta há muito tempo, mas a percepção da necessidade de preservação do que temos, da mudança do comportamento e de reinventarmos práticas que agridem a natureza como o desperdício de água, o despejo incorreto de resíduos e o descarte impróprio de produtos recicláveis, por exemplo, não possuem o mesmo peso.

O Núcleo de Estudos do Meio Ambiente (NEMA) do Centro Universitário – FIAMFAAM, marcou presença na Roda de Conversa com Peter Webb promovida pela Horta Comunitária da Saúde no último sábado, dia 18/05/2019. Peter Webb é formado em Ciências Hortícolas na Austrália e desde 1984 mora no Brasil. Atualmente, desenvolve vários projetos a favor do meio ambiente e da sustentabilidade.

Ambiente permacultural

Um dos objetivos da roda de conversa foi promover a permacultura. Peter Webb explica que o termo se refere a um conjunto de fatores que acontece quando pessoas se juntam para trocar experiências sobre a natureza – seja de forma didática ou autônoma –, buscar e discutir soluções, e, principalmente, se enxergar parte desse ecossistema. “Ajuda a gente a perceber a natureza, mas também a ver o ser humano envolvido com essa natureza de uma forma para aproveitar a riqueza e a abundância dela, mas sem destruí-la. É um tipo de arte, baseado nas técnicas que a humanidade desenvolveu em todos os continentes do mundo”, complementa.

Nas grandes cidades onde problemas sociais são evidentes, a troca de experiências se torna a porção mais importante da permacultura, pois faz com que o cidadão pense sobre o espaço em que vive e como pode melhorá-lo, passando por limitações como a administração deficiente do poder público. Para exemplificar, Peter conta que aprendeu a costurar com sua mãe e, hoje, ao andar pela cidade em um dia de sol, ele consegue ver tendas em vários lugares para levar sombra para as pessoas e, o mais interessante, que ele mesmo pode criar aquilo. “[A gente] precisa de sombra e eu, com uma máquina de costura, posso pegar retalhos de tecidos, costurá-los e de repente tem sombra. É uma coisa muito interessante.”

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Comunidade e alunos da FMU-FIAMFAAM reunidos para conversa com Peter Webb e Sergio Shigeeda (crédito: Laura Yoko)

Sensibilização e participação da comunidade

A roda de conversa estava marcada para acontecer na Horta Comunitária da Saúde, porém, devido ao tempo chuvoso, a Comunidade Dedo Verde – um espaço que promove o aprendizado em coletividade –, próxima a Horta, gentilmente cedeu uma sala.

Até novembro de 2013, o espaço na Rua Paracatu, 66, na região do bairro da Saúde, Zona Sul da cidade de São Paulo, estava abandonado, acumulando entulhos, insetos e tristes ocorrências de assalto. “Um grupo se reuniu, eu participei desse grupo, para fazer uma horta comunitária para alimentação saudável. Então começamos a fazer a ocupação, no início com 10 pessoas e a coisa foi evoluindo”, conta Sérgio Shigeeda, organizador da Horta Comunitária da Saúde.

Com o tempo, diversos projetos foram idealizados pelos voluntários da Horta, como o compartilhamento de sabedoria com a participação de especialistas (a roda de conversa); a caixa de abelhas para promover a educação ambiental nas crianças desde cedo; arborizaram calçadas e fizeram a plantação de pequenas florestas pela cidade.

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Sergio Shigeeda conversa com a comunidade (crédito: Laura Yoko)

Um dos projetos mais recentes é o Corredor Verde de Polinizadores, o primeiro da América Latina. Teve um crescente número de voluntários nos últimos anos com a entrada do projeto no Plantio Global, uma ideia com o apoio da ONU para promover um dia mundial de conscientização da plantação da árvore na cidade e dos cuidados corretos, ambos praticados pela comunidade. O NEMA também marcou presença no III Plantio Global que aconteceu em março de 2019.

Para trazer cada vez mais pessoas para o movimento, Shigeeda conta que apostou no tema sustentabilidade e em ações que podem ser feitas em casa como o reúso de água e a compostagem orgânica. “Muitos moradores aqui do entorno fazem compostagem em casa, reúso da água da máquina de lavar roupas […] É uma pequena boa prática que gera outras pequenas boas práticas.”

Já Peter Webb acredita que o cidadão acaba sendo levado a pensar sustentavelmente por necessidade. O ambiente promove encontros e reencontros de amigos, novas amizades e a conversa sobre um tema que é de interesse a todos. “Surge de uma necessidade ontológica, de coisas que para nós, como seres humanos, são importantes”, completa.

Do acadêmia para a sociedade

Sandra Braz, formada em Gestão Ambiental pelo Centro Universitário FMU, participou da primeira pedalada em hortas urbanas em várias regiões da cidade de São Paulo. No evento conheceu Shigeeda e logo se tornou voluntária da Horta Comunitária da Saúde.

Todas as sextas-feiras, há um ano e meio, Sandra faz a poda, a plantação e a limpeza da horta. Durante esse período, percebeu que a comunicação no setor de gestão ambiental era sempre de especialista para especialista. A fim de inovar, retornou à instituição e iniciou o curso de Relações Públicas. No primeiro semestre teve contato com a professora Rita Ribas, que também é coordenadora do NEMA, e passou a participar das atividades do núcleo.

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Peter Webb e Sergio Shigeeda (crédito: Laura Yoko)

“É fundamental que o aluno tenha esse contato com o NEMA. É onde eles vão entender (o meio ambiente), se conhecer melhor e se preocupar. A gente tem uma profissão, a gente precisa trabalhar, mas a gente também precisa ser sustentável”, analisa Sandra sobre o núcleo.

Sobre a parceria do NEMA com a Horta Comunitária da Saúde, a professora Rita Ribas explica que o intuito é a sensibilização e a reconexão dos alunos com a natureza para “eles compreenderem a importância da preservação, da sustentabilidade e do amor e harmonia entre seres humanos e natureza. Nós fazemos parte, nós somos a natureza”.

 

[1] Aluno do quinto semestre do curso de Jornalismo e monitor da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

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