Sem investimento, sem acessibilidade

Por Erika Cristina Lima [1]

Edilaine Felix [2]

 

Todos os dias milhares de usuários do metrô que têm deficiência visual enfrentam dificuldades para acessar as estações e embarcar nos trens do Metrô. Segundo esses passageiros, o principal motivo de toda essa dificuldade é a falta de acessibilidade nas estações, pois eles não conseguem ter autonomia para se locomover dentro das estações, tornando-os assim dependentes  dos funcionários da companhia para embarcar – ajuda que pode demorar, pois para que um desses funcionários  possa auxiliar, tem que esperar eles ficarem disponíveis ou de um outro usuário, que é o que acontece na maioria das vezes.

Os últimos investimentos em acessibilidade realizados pelo Metrô de São Paulo foi em 2013, com gastos de cerca de 6,4 milhões de reais. Em 2014, os investimentos pararam no meio do ano e nos anos seguintes eles simplesmente não existiram, ou seja, há seis anos o metrô não realiza investimentos em acessibilidade.

Ajuda

A Companhia do Metropolitano do Estado de São Paulo (Metrô) é uma das empresas que participam do programa Jovem Aprendiz, do qual jovens entre 16 e 21 anos são contratados para prestarem serviços, como guiar pessoas com deficiência, nas dependências das estações, mas segundo esses usuários esse programa é falho pois não é em todas as estações que eles encontram esse auxilio, fazendo-os contar com ajuda, um braço amigo dos demais usuários.

O ultimo processo seletivo para contratação de novos jovens para esse programa foi aberto em março de 2018, disponibilizando 150 vagas.

Essa falta de investimento é percebido diariamente por usuários como Priscila Barbosa, que é deficiente visual e utiliza o metrô para ir trabalhar todos os dias. “Em estações pequenas, eu até consigo me virar, pois elas costumam ter suas plataformas laterais, assim eu sigo a parede e localizo a escada. Mas, em estações grandes que são de transferência, eu já não tenho essa facilidade, pois na maioria delas as plataformas são centrais e o risco de eu me acidentar caindo na via é maior.”

Priscila também reclama do piso tátil das estações, para ela poderia ser melhor sinalizado, pois muitas ele não direciona o usuário ao local correto. “Na minha opinião, antes de construir e planejar o piso tátil, deveriam consultar um deficiente visual, pois ele sim saberá indicar as necessidades de locomoção sem precisar depender totalmente de outra pessoa e correr o risco de se acidentar”, ressalta.

Ela também é crítica ao programa Jovem Aprendiz, pois acredita que eles deveriam ter treinamento mais adequado para guiar o deficiente visual. “Para mim não funciona, pois raramente recebo ajuda deles, sem contar que quando eles guiam mais de um deficiente visual, sempre o que está por ultimo acaba se batendo em alguma coisa e até se machucando”, conclui.

Segundo o Metrô de São Paulo, todas as estações do metrô são acessíveis e fornecem auxilio as pessoas com deficiência por profissionais capacitados a atendê-los.

 

[1] Aluna do oitavo semestre do curso de Jornalismo e estagiária da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

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