Websérie Latentes traz reflexões sobre mulheres LGBTs

A atriz Priscilla Raibott e a roteirista Carol Bria contam sobre o projeto 

Luana Losimfeldt [1]

Edilaine Felix [2]

A websérie Latentes, um projeto da Colabora Produções, que tem como objetivo dar maior representatividade a mulheres LGBT’s e apresentar conteúdos diversificados para a web, retrata as relações de mulheres lésbicas e seu cotidiano.

A atriz Priscilla Raibott e a roteirista Carol Bria, contaram como é este projeto e como vai ser a mais nova série que estão produzindo. Contos Latentes será lançado ainda esse mês. A seguir, trechos da entrevista:

Como surgiu a ideia do projeto?

Carol: Eu sempre assisti filmes lésbicos e sentia falta de uma representatividade real neles. Então comecei a me ligar em quem estaria à frente desses projetos e quase sempre me deparava com diretores homens, brancos e heterossexuais. Isso me motivou a tirar do papel meu primeiro roteiro, o Latentes. Então eu reuni um pessoal que abraçou totalmente a ideia! Já faz cinco anos que filmamos e esse foi um começo bem importante para todos nós.

Como funciona o Colabora?

Carol: Temos uma equipe fixa no comando dela, eu, Priscilla, Renata e Renato. Cada um com suas múltiplas funções. Mas também temos uma equipe de parceiros que trabalham com a gente em projetos maiores quando necessário, como em Contos Latentes.

Como vai ser a websérie Contos Latentes?

Carol: Contos Latentes é o livro de contos da Nina, personagem de Latentes, que se propõe a contar histórias de mulheres que amam mulheres, seus conflitos, encontros e desencontros. Não é uma história contínua, cada temporada contará uma história diferente do conto diferente do livro.

Qual a importância desta série para mulheres LGBTQ+?

Carol: Inicialmente a representatividade que elas tanto precisam, mas não apenas isso. De forma bem mais sutil do que em Latentes, vamos abordar alguns assuntos necessários a serem discutidos, como relacionamento abusivo entre mulheres, bissexualidade e como as lésbicas lidam com isso. Enfim, vamos trazer muitas reflexões ao longo das temporadas.

Priscilla: Um projeto LGBT independentemente da abordagem é importante para nós LGBT, pois traz representatividade. É importante consumir produtos com os quais se identifiquem, se enxerguem, que de alguma forma ajudem no autoconhecimento. Lembro que quando fui descobrindo minha sexualidade não havia conteúdo que eu pudesse buscar. Havia pouca coisa “demonizando” e estereotipando o homossexual. E essa série traz isso. Falamos de outros temas que qualquer pessoa pode viver, independentemente da sua sexualidade.

Qual o sentimento com esta falta de representação no cenário nacional?

Carol: Isso é uma coisa que sempre me incomodou muito. Passei parte da adolescência com pensamentos errados sobre a minha sexualidade justamente pela falta de representatividade. Isso é uma coisa muito perigosa, porque pode levar a um caminho sem volta.

Priscilla: Triste, porém esperançosa. Cada dia mais inclinada a produzir, participar e divulgar projetos LGBTQ+, principalmente conteúdo lésbico, que além de fetichizado ou apenas trágico, se manteve tão raro por tanto tempo.

Por que você acha que ainda existe esta falta de representatividade em produtos culturais nacionais?

Carol: O Brasil ainda é um país muito conservador e além de conservador é capitalista. O audiovisual tem que vender e as grandes produtoras achavam que histórias LGBTs não seriam bem aceitas pelo público, o que não traria o lucro esperado de uma produção. Mas isso tá mudando, não de uma forma totalmente positiva, mas está. Com os avanços da militância LGBT, tem aparecido uma galera querendo pegar uma carona no aumento do interesse nas produções desse tipo. Com isso tem surgido mais material, porém algumas coisas meio duvidosas. Ainda sim, é um começo.  Mas, sem dúvida, o movimento independente dentro do YouTube vem fazendo a diferença e ganhando destaque, especialmente no conteúdo lésbico. Tem bastante coisa legal sendo feitas por mulheres lésbicas, e isso está mudando o cenário porque força a reflexão e a necessidade de contar essas histórias reais, além de mostrar que isso faz toda a diferença para quem assiste.

Priscilla: Por falta de conhecimento. As poucas produções que vimos por tanto tempo, como novelas, por exemplo, que são consumidas pela massa era feitas por heterossexuais, ou seja, sem vivência, sem prioridade ou propriedade para tratar de um assunto que não lhe diz respeito e que talvez nem lhe toque. Hoje temos mais coragem para produzir, mais conhecimento e acesso também. Temos mais lugares para exibir e pessoas mais interessadas. E a tendência é só aumentar!

Qual a sensação de participar de um projeto como este que traz tanta representatividade?

Carol: A melhor possível! Saber que estou contribuindo para que as meninas, hoje, não passem pelo mesmo que passei é sensacional. É preciso resistir e não podemos recuar.  Então tem muita coisa para fazer ainda.

Priscilla: Completamente satisfatória. Sensação de dever cumprido e de ter direito a um caminho a trilhar. A emoção de ver meninas que hoje, através da arte mesmo, se identificam, se vêm, se reconhecem e isso ajuda no autoconhecimento delas.

 

[1] Aluna do sexto semestre do curso de Jornalismo e estagiária da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

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