O que é obsolescência programada?

Entenda as causas que impactam a vida útil dos eletrônicos

Por Felipe Aranda [1]

Edilaine Felix [2]

 

Os equipamentos eletrônicos, especialmente os que nos acompanham no dia a dia como smartphones e computadores, possuem vida útil. Essa vida útil, no entanto, é bastante criticada por especialistas. Na maioria dos casos, as fabricantes intencionalmente deixam seus equipamentos lentos por meio de atualizações de softwares que forçam o consumidor a trocar por um modelo novo. Essa prática é chamada de obsolescência programada.

Benito Muros, presidente da Fundação Energia e Inovação Sustentável Sem Obsolescência Programada (Feniss), disse em reportagem para o EL PAÍS Brasil que, atualmente, um telefone possui em média vida útil de dois anos, mas que “se a obsolescência programada não existisse, um telefone celular teria uma vida útil de 12 a 15 anos”. Se isolarmos essa prática por um momento, há uma causa natural que impacta na vida útil dos eletrônicos.

Evolução da tecnologia

Um hardware funciona em conjunto com um software. No caso de um smartphone, seu hardware, principalmente o processador, é fabricado seguindo uma determinada arquitetura com capacidade e tecnologias de processamento já predeterminadas. Isso significa que o processador já sai de fábrica com um limite de quão rápido pode trabalhar.

O software, por outro lado, tem seu código constantemente alterado para agregar novas funcionalidades e permitir que aplicativos já existentes e futuros trabalhem com essas funções. Essas modificações acabam exigindo maior poder de processamento para sua execução.

“Depende muito do modelo de negócio da empresa que disponibiliza o dispositivo eletrônico e a necessidade de uso do dispositivo. As empresas de celular lançam anualmente novas versões dos seus modelos de smartphones e após alguns anos, os aplicativos deixam de ser compatíveis com os modelos mais antigos”, diz o professor do curso de Jogos Digitais do Senac e doutor em Ciências da Computação, Adalberto Bosco.

É nesse momento que se percebe a lentidão que não existia antes ou simplesmente a ausência de uma novidade, oriunda de uma atualização de software, que a fabricante decidiu liberar apenas para uma versão “parente” do seu smartphone por possuir maior capacidade de processamento. E mesmo que a fabricante nunca tenha lançado uma atualização de software, que possivelmente poderia aplicar a obsolescência programada, os vários aplicativos de redes sociais, mensageiros, e-mails, entre outros, também acumulam modificações em seus serviços que, com o tempo, faz com que seus aplicativos ocupem cada vez mais espaço, necessitando de mais memória RAM e, respectivamente, um processador mais rápido.

Custo x benefício 

Existem alternativas com o objetivo de estender a vida útil dos eletrônicos e fazer com que o consumidor utilize cada centavo investido. Antes que a única opção seja de fato a substituição do eletrônico, há versões alternativas de determinados softwares com a premissa de oferecer um melhor desempenho em dispositivos obsoletos em troca da chamada “experiência completa” de utilização.

Essas versões comumente ganharam a palavra “Lite” como complemento em seus nomes, ou, no caso do sistema operacional móvel Android, o complemento “Go”.

Em computadores, o Windows ganhou o modo S e há também diversas distros (distribuições) do Linux com o tema longevidade em mente que não limitam tanto a experiência completa do usuário em troca de um bom desempenho. Vale lembrar que o sistema operacional do icônico logo do pinguim possui um excelente nível de segurança por ter seu código aberto e frequentemente receber contribuições de toda a comunidade de usuários e desenvolvedores, além de não custar um centavo.

 

[1] Aluna do quinto semestre do curso de Jornalismo e monitor da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

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