Jornalistas buscam no empreendedorismo alternativas para se manter na profissão

Como empreender no jornalismo? Alunos buscaram repostas para essa pergunta em uma mesa na III Semana de Jornalismo

Por Gabriela Mirely Martins, Lucas Miranda e Mariana Rotelli [1]

Vídeo: Ana Carolina Carvalho [2]

Edilaine Felix [3]

Para falar sobre como sobreviver em um cenário de redações mais enxutas e diante de uma nova configuração do mercado de trabalho, os jornalistas Thiago Medaglia, fundador da Ambiental Media, que produz conteúdo científico inovador, atraente e acessível para o público geral, e Vinicius Lima, ativista e cofundador do SP Invisível, focado em histórias de pessoas em situação de rua, estiveram presentes na Semana de Jornalismo para debater com alunos sobre o empreendedorismo no jornalismo.

Medaglia conta que o tema meio ambiente faz parte de sua trajetória no jornalismo. Ele iniciou a carreira como estagiário da revista Caminhos da Terra (editora Abril) e não parou mais. “O jornalismo ambiental sempre foi minha vida”, diz. Depois de atuar como repórter, editor, coautor de livros, e perceber a dificuldade me encontrar estudos brasileiros sobre conteúdo científico, ambiental, fundou, em 2016, a Ambiental Media. “A Ambiental Media não vai solucionar o problema do jornalismo ambiental no Brasil, mas ela quer ser parte da solução.”

Segundo ele, além dos recursos financeiros, vencer o preconceito imposto pelos próprios colegas de profissão, que possuem a visão que a sociedade não se interessa por esse tipo jornalismo, é uma das dificuldades de empreender no jornalismo científico no País. “Eu sou completamente contrário a esta visão, as pessoas adoram o meio ambiente e se interessam pela ciência e cabe a nós, jornalistas, procurar instigar o tema nas pessoas e descobrir maneiras criativas de repassar este conteúdo.”

“A cidade que ninguém vê”

O cofundador do SP Invisível e autor do livro “A cidade que ninguém vê”, Vinicius Lima, conta que o projeto surge, em 2014, a partir de uma ação entre amigos, que tinha o objetivo de fotografar “tudo que era invisível cidade”. Desse evento, surgiu fotos de lixo no chão, de favelas, mas também de pessoas dormindo na rua. Intrigados com as imagens, Lima e André Soler pensaram, “invisível não é o corpo e sim a história dessas pessoas” e decidiram aperfeiçoar o projeto para contar a história dessas pessoas.

Nasce o SP Invisível, que já contou mais de 800 histórias de pessoas em situação de rua. Para manter o projeto, contar as histórias e ajudar as pessoas em situação de rua – que são as personagens de suas reportagens -, Lima informa que eles utilizam financiamentos coletivos e ainda contam com ajuda de alguns voluntários fixos que os auxiliam na produção de conteúdo e o das ações que realizam.

MESA
(da esq. para dir.) Thiago Medaglia, fundador da Ambiental Media e Vinicius Lima, cofundador do SP Invisível (crédito: Patrícia Santos )

Oportunidade

Para Alciane Baccin, professora da disciplina de Jornalismo Digital e Comunicação Multiplataforma do FIAMFAAM, o tema da palestra “Como empreender no jornalismo” tem o objetivo de despertar nos estudantes as possibilidades existentes no mercado de trabalho.  Segundo ela, todas as disciplinas no curso de jornalismo podem abordar o empreendedorismo e mostrar as oportunidades que existem, como as do SP Invisível e da Ambiental Media. “Temos projetos que podem ser uma iniciativa empreendedora para o jornalista.”

AUDITORIO
Auditório para palestra “Como empreender no jortnalismo” (crédito: Patricia Santos)

Gabriel Rodrigues, estudante do 3° semestre de jornalismo, diz que a palestra é uma oportunidade para entender como conseguir empreender entregando uma notícia de qualidade e rentável. Já Raquel Duarte, concluinte do curso de jornalismo, que atua na área há 20 anos, e possui uma assessoria de imprensa, acredita que a área é um dos campos que devem ser explorados como uma possibilidade de trabalho, pois oferece muitas vezes maior remuneração ao jornalista.

Confira a reportagem em vídeo:

 

[1] Gabriela Mirely é aluna do quarto semestre do curso de Jornalismo e monitora da Agência Integrada de Comunicação (AICom); Lucas Miranda e Mariana Rotelli são alunos do oitavo semestre do curso de Jornalismo e estagiários da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[2] Aluna do quinto semestre do curso de Jornalismo e monitora da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[3] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

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