Veículos tradicionais x alternativos é tema de debate

3° dia da Semana do Jornalismo do FIAM-FAAM abre palestra com o tema jornalismo comunitário

Texto: Luana Losimfeldt e Anália Lunas [1]

Ricardo Negratia [2]

Reportagem e produção em vídeo: Ana Luiza Antunes e Isabella Santana da Silva [3]

Carla Tôzo [4]

 

Com a aproximação do dia do jornalista comemorado no dia 7 de abril, a primeira palestra do dia (03/04) teve como tema “Cobertura de pautas sociais: veículos tradicionais e alternativos’’. A mediação foi feita pela professora Cláudia Nonato e os convidados desta mesa foram: Eliane Trindade, colunista da Folha de São Paulo, representando a mídia tradicional e Renato Rovai, responsável pelo blog do Rovai publicado na revista Fórum, Paulo Talarico, editor chefe do Mural e Dríade Aguiar, gestora do Mídia Ninja como representantes da mídia alternativa.

Da esquerda para a direita: Paulo Talarico (Mural), Cláudia Nonato (mediadora), Renato Rovai (Fórum), Eliane Trindade (Folha de S.Paulo), Dríade Aguiar (Mídia Ninja)

Para a jornalista Eliane, quando você faz um bom trabalho ele acaba sendo publicado independente do veículo. “É muito importante o trabalho da Mídia Ninja, do Mural, do Fórum e tudo mais porque isto também acaba contaminando positivamente a pauta da grande mídia‘’. Em seu trabalho, ela procura trazer pautas mais sociais e com um viés diferenciado.

Eliane Trindade, autora do livro As meninas da esquina

Nesta tentativa de trazer pautas sociais para um público maior, ela publicou o livro As meninas da esquina, pela editora Record, que traz histórias de meninas de programa. Na tentativa de manter a identidade das personagens em segredo, ela tomou alguns cuidados básicos como mudar o dia do nascimento, o nome e localizações. “Era um contato continuado com essas meninas para que elas me conhecessem, abrissem suas vidas e contassem fatos muito dolorosos”.

Renato Rovai, que migrou das mídias tradicionais para as mais alternativas, conta como os empresários por detrás dos veículos podem influenciar a linha editorial. “Os maiores grupos de mídia são controlados por grandes grupos empresariais, a lógica é essa. A Folha se tornou um grande veículo empresarial a partir de ser um grupo editorial, hoje ela tem a maquininha do Uol que é o que sustenta boa parte de sua produção. A Globo tem uma grande diversidade de produtos, então ela acaba se sustentando. Então você trabalhar para grupos de comunicação não significa que você está trabalhando para eles, muitas vezes você está trabalhando para grandes grupos empresariais que tem interesses muito bem definidos. Se você consegue ter seu veículo, fazer sua produção própria, seu blog, pelo menos você pode escolher seus parceiros‘’.

Renato Rovai, criador da Revista Fórum

Na palestra, Rovai ressaltou a importância de debater as coberturas de pautas sociais em uma sociedade que está focada nas novidades digitais e apenas em replicar o que a mídia tradicional fala. E, além disso, ignora que o mundo digital ajuda a promover as mídias alternativas e as minorias.

Paulo Talarico, narrou a trajetória do Mural com exemplos de como as mídias alternativas tem importância na periferia. Na criação do Mural, ele percebia que as matérias envolvendo periferias eram majoritariamente negativas. Hoje ele enxerga o aumento de pautas sócias não tradicionais, porém a maioria ainda com viés estereotipado. “O Mural entrou com a proposta de mudar isto, de trazer pautas não apenas sobre violência que está na cidade como um todo, não é exclusividade da periferia, e a gente mostra que tem muitas outras histórias a serem contadas. Ações de moradores que buscam mudar a realidade de seu bairro, ações culturais diferentes (…). Nós temos correspondentes que são moradores da periferia, tanto na cidade de São Paulo quanto na grande São Paulo. Boa parte das pautas surge desses moradores que são jornalistas, comunicadores, que são pessoas que vivem a realidade que já sabem quem são as pessoas importantes no bairro”, conclui o jornalista.

Paulo Talarico é editor da Agência Mural de Jornalismo das Periferias

“É fundamental as mídias buscarem a verdade de quem está passando pelo objeto da pauta em questão”, reflete Dríade Aguiar ao ressaltar a importância de um veículo alternativo como o Mídia Ninja para tratar de pautas sociais tais como, LGBTs expulsos de casa. Outro exemplo é ao abordar a reforma agraria começar entrevistando os pequenos agricultores, os indígenas que perdem as terras ao invés dos empresários. Dríade, inclusive, levantou o seguinte questionamento “no Mídia Ninja até onde vai o jornalismo e começa o ativismo?”

Dríade Aguiar, uma das fundadoras do Mídia Ninja

“Isto depende muito do que você classifica como jornalismo, se você entende jornalismo como compartilhar fatos através de uma visão específica que tem a vivência daquilo (…) eu acho que a Mídia Ninja sempre fez jornalismo. Você pode dizer que é um jornalismo ativista, porque de fato deixa muito claro quais são as pessoas que a gente defende, não temos nenhuma pretensão de ser imparciais. Obviamente a gente coloca informações que foram checadas, nesse quesito acredito que a gente sempre fez jornalismo. O que está sempre em disputa é o que é o jornalismo? ”

Quem concorda com essa visão é a estudante do sexto semestre de Jornalismo Gabrieli Sales. “Acho muito importantes esses veículos e essas abordagens, já que, a mídia hegemônica não dá voz a todos. ”

Confira o vídeo do evento:

[1] Alunas do sexto e sétimo semestre do curso de Jornalismo e estagiárias da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[2] Editor de Imagens do Centro Universitário FIAM-FAAM.

[3] Alunas do quinto semestre do curso de Jornalismo e monitoras da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[4] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

 

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