Profissionais do rádio e da televisão debatem irreverência e credibilidade no jornalismo diário

Jornalistas conversaram com alunos na noite de segunda-feira, dia 1/04

Texto: Por Beatriz D’angelo, Felipe Aranda e Vitória Ferreira da Luz [1]

Vídeo: Ana Luiza Antunes [2]

Produção: Gisele Sousa e Nathalie Araujo [3]

Edilaine Felix [4]

 

A atividade jornalística desenvolvida atualmente, ainda possui traços em seu formato que são originais do seu surgimento. Um trabalho diferenciado e autêntico ganha espaço no mercado e busca modificar a forma como o jornalismo se conecta com seu público. Jornalistas estão cada vez mais direcionando o diálogo em programas de rádio e televisão para algo similar a uma conversa com um conhecido, abrindo portas para a descontração.

Para chegar nesse ponto, há conceitos que precisam ser balanceados para que o profissional não perca mão da essência do jornalismo, que é informar a população. Os  jornalistas, e colegas em algum momento de redação, Aline Midlej (GloboNews), Carla Bigatto (BandNews FM), Juliano Dip (Band TV) e Roberta Russo (BandNews TV) se juntaram em uma conversa com os alunos do Centro Universitário -FIAMFAAM na noite da segunda-feira, 01/04, para discutir a “Irreverência e credibilidade no rádio e na televisão” sob mediação do professor Cal Francisco no Auditório Nelson Carneiro do Campus Liberdade.

Relação diferente 

O rádio é um dos meios que mais permite o jornalista experimentar uma relação de proximidade com o público. Carla Bigatto, âncora das manhãs e início das tardes na BandNews FM, acredita que o rádio estreita essa relação pela companhia que ele pode fazer ao ouvinte. “O rádio entra na rotina das pessoas. Quando você está no transporte público ou dirigindo, você ouve uma notícia e associa ao ponto da cidade que você está. Então de fato parece que a pessoa que está apresentando, está ali junto de você”.

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Carla Bigatto, Juliano Dip, mediador Cal Francisco, Roberta Russo e Aline Midlej (da esquerda para a direita) credito: Felipe Aranda

A forma como conduz o seu programa gera resultados, positivos e negativos, nítidos e diários na interação com o público, mas Carla lembra que é preciso saber dosar a quantidade de irreverência aplicada. “É preciso encontrar um equilibro para você não se perder e para não associar a sua imagem inteiramente a tiração de sarro, ao humor. Quando elas discordam de você, elas param de ouvir todo o resto, mas quando você coloca de uma forma mais leve, com mais humor, a tendência da pessoa se fechar é menor.”

Seu colega de empresa, Juliano Dip, repórter da BandNews TV, acrescenta que o rádio é um veículo que não deixará de existir, mesmo que este discurso seja repetidamente dito. “Imagina, não é coisa do passado, nós passamos a noite inteira falando do Boechat, a gente só falou dele por causa do rádio, ele revolucionou a linguagem no rádio e é considerado o veículo mais rápido que existe”, lembra.

Na TV, a liberdade para se trabalhar um formato diferenciado é um pouco mais limitada. Aline Midlej, uma das âncoras do Jornal GloboNews Edição das 10h, conta que levou um ano para  começar a deixar o programa com a sua cara. “No primeiro ano eu tinha bastante dificuldade para imprimir um pouco o meu estilo. Eu tinha que entender aquilo ali, o canal, as limitações impostas. Depois, eu fui ganhando confiança, pois já tinha um domínio maior sobre o jornal, tecnicamente também, já que você tem que falar o tempo todo.”

Aline conta ainda que permanece nesse processo de criação e que diariamente tenta achar um caminho mais irreverente, mais solto, mais informal de trabalhar com seu público. “A formalidade virou uma característica do jornal hoje, e eu aprendi a ser eu mesma e brigar por isso. Quero dar uma cara nova para o jornal e deixar a minha marca”, acrescenta.

Para Roberta Russo, apresentadora da BandNews TV, a irreverência é aceitável até certo ponto. Ela conta que se sente incomodada quando assiste a colegas que não sabem dosar essa receita. “Eu fico desconfortável, me sinto envergonhada,  principalmente quando envolve desrespeito com o ser humano. O jornalista tem que parar e pensar que tem muita coisa por trás de uma morte, de um assassinato e de um crime.”

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Mesa debatendo “Irreverência e credibilidade no rádio e na televisão”

Segundo ela, os jornalistas ainda estão aprendendo a aplicar a irreverência sem perder a credibilidade. “A gente vai encontrando por meio de um pouco de bom senso, muito repertório e ajuda da chefia. Você tem que atingir um certo nível de conforto no jornalismo pra conseguir ser mais irreverente.”

Prática e academia 

Universitários de diversos cursos estudam a ética em suas profissões. Muitos estudantes de jornalismo têm em suas mentes o anseio de desenvolver um trabalho tido como destaque: a ancoragem de um programa. Carla Bigatto analisa que esse sonho dos jovens jornalistas, se for baseado em vontade e em desenvolvimento do talento, é válido, mas que também há outros espaços como o mundo acadêmico. “A gente precisa de mais gente na academia, mais jornalistas pensando na teoria e fortalecendo isso e entendendo o que está acontecendo nessa velocidade rápida de hoje em dia. Entrar no mercado é difícil e a gente tá precisando de gente na academia também.”

Eventos como a Semana do Jornalismo, que promove discussões amplas envolvendo especialistas e professores, também busca instigar o interesse do aluno pelo mundo acadêmico. “A semana de jornalismo acrescenta muito para nós estudantes conhecermos mais essa área, além do mais, esse tema, credibilidade,  é importante e temos que estar sempre buscando”, afirmou José Ibiapina, aluno do terceiro semestre de Jornalismo do FIAM-FAAM.

A estudante do 7° semestre de Jorbakismo, Juliana Pereira Agatão, vê que a maior importância da Semana de Jornalismo é trazer profissionais que estão na área pra ter contato com os alunos, “É uma troca de experiências que a gente leva para além da sala de aula”, diz Juliana.

Aluna do 5 semestre de Jornalismo, Andreia Paiva de Lima, acredita que as palestras são muito importantes para ter mais informação e aumentar o conhecimento na área. “O tema é muito importante. Credibilidade é algo que temos que ter em toda profissão, é bom ter esse assunto para a gente ficar mais ligado, saber o que a gente tem que fazer, o que está certo e o que está errado.”

Relembrando Boechat

Ao final, a mesa também fez uma homenagem ao jornalista Ricardo Boechat, que nos deixou em 11 de fevereiro de 2019. Juliano Dip apresentou a reportagem especial que fez para a Band TV e BandNews TV sobre a carreira e a identidade ímpar do jornalista. Roberta Russo, que foi produtora de Boechat, conta um lado que talvez não tenhamos conhecido apenas por acompanhá-lo na TV ou no rádio.

“Ele era realmente um gênio, dava broncas surreais, mas talvez o lado paizão não tenha ficado claro na rádio. Ele tinha um lado muito família. Por mais que ele fosse tão inteligente, trabalhasse tanto, era tão antenado nas notícias, ele vivia muito bem, gostava muito de tomar um vinho e tinha muitos amigos. Ele foi muito feliz. Ele tem muito esse lado do que eu acredito que é uma boa vida.”

confira o vídeo do evento na íntegra:

 

[1] Beatriz D’Angelo e Vitória da Luz são alunas do terceiro semestre  do curso de Jornalismo e Felipe Aranda é aluno do sexto semestre do curso de jornalismo. Eles são monitores da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[2] Aluna do quinto semestre do curso de Jornalismo e monitora da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[3] Aluna do sexto semestre de Rádio e TV do curso de Rádio e TV e monitora da Agência Integrada de Comunicação (AICom); e a aluna do sexto semestre de Rádio e TV do curso de Jornalismo e estagiária da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[4] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

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