O cotidiano é a pauta

Convidadas discutem a diversidade de temas na cobertura de cidades, e dividem dicas para filtrar pautas do dia a dia.

Por Amanda Sprocati,  Gabriela Garcia e Gabriela Sacche [1]

Carolina Rodrigues [2]

Edilaine Felix [3]

 

A Semana de Jornalismo está apenas começando, e a palestra de hoje, dia 02 de abril, pautou a cobertura do cotidiano. As convidadas Bia Reis, Luciana Coelho e Mariana Ferreira, abordaram suas rotinas como editoras e nos deram algumas dicas baseadas em suas experiências na editoria de Cotidiano.

Para Bia Reis, editora do caderno Metrópole no Estadão, quando o assunto é rotina jornalística, ela diz que as editorias que cobrem cidades têm uma característica de funcionarem full time, pois não tem hora para as coisas acontecerem. Como, basicamente, tudo interfere na vida de quem trabalha nessa editoria, o expediente dos repórteres começa muito cedo e acaba depois da uma da manhã para conseguir dar conta de tudo.

Ela explica que antigamente os jornalistas tinham mais tempo para a apuração, porque eles trabalhavam o dia inteiro para fechar uma matéria no fim do dia, e ela sair no dia seguinte no impresso. Porém nos tempos de internet e redes sociais, as coisas estão muito imediatistas, o acontecimento foi agora e a notícia tem que subir agora. Tudo muito rápido.

Para Bia, que também tem o blog Estante de Letrinhas, sobre literatura infantil e juvenil no Estadão, é fundamental fazer uma leitura da sociedade, colocar as crianças em contato com realidades que não são delas, com sentimentos que elas entendem e não entendem, e com poesia. “A leitura não é uma coisa natural, é uma coisa ensinada e que precisa ser estimulada para que faça parte da vida das pessoas.”

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Luciana Coelho, Mariana Ferreira, Bia Reis e o mediador Marcos Nunes (crédito: Ricardo Negrathia)

Desafios

Em meio a tragédia de Brumadinho, Minas Gerais, a jornalista Luciana Coelho assumiu a editoria do Núcleo de Cidades da Folha de S. Paulo. Apesar de considerar que sua carreira tenha seguido uma ordem inversa – trabalhou na editoria de internacional, como repórter e como correspondente em Nova York, Boston e Genebra, foi editora do caderno Mundo, além de ter trabalhado na Reuters e na CNN-, ela admite que suas experiências prévias em editorias e mídias diferentes, tem ajudado na cobertura do cotidiano.

Cobertura esta que precisa de “feeling”, que Luciana acredita ter desenvolvido para encontrar e filtrar as pautas, o que é extremamente necessário na editoria de Cidades, que engloba assuntos relevantes, que têm algum reflexo na vida das pessoas.  “A cobertura de cidades tem tudo a ver com o que acontece a nossa volta, por isso é importante gostar de ouvir as pessoas.”

Na TV

A editora-chefe do Cidade Alerta, Mariana Ferreira, quando chegou em São Paulo vinda do interior encontrou “um modo ligeiro” de se localizar pelas ruas da capital: usou as delegacias, como pontos fixos, para transitar pela cidade.

Para comandar um programa que é “baseado em resoluções policiais”, a editora-chefe enfatiza que precisa ter preparo emocional. “Não fico sensível, pois irei lidar com as pautas em meu cotidiano sempre, e sei que a perda da vítima não é minha tristeza, mas sim da família da vítima.”

Numa rotina de lidar diariamente com homicídios, Mariana, destaca a importância de confirmar a informação, de levantar dados. Ela relara que muitas vezes os jornalistas têm informações antes mesmo que a Polícia Civil e que, apesar de muitas vezes a relação ser complicada com os delegados, por exemplo, ela consegue a informação e manter uma boa convivência.

Confira o vídeo da mesa:

 

[1] Amanda Sprocati é aluna do sexto semestre do curso de Jornalismo, Gabriela Garcia é aluna do 8º semestre do curso de Jornalismo; elas são estagiárias da Agência Integrada de Comunicação (AICom); Gabriela Sacche é aluna do quarto semestre  do curso de Jornalismo e monitora Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[2] Aluna do sexto semestre do curso de Jornalismo e estagiária da Agência Integrada de Comunicação (AICom)

[3] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

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