#Mulheres do Brasil Carolina de Jesus: da fama ao esquecimento

Nesta data, 105 anos após seu nascimento, a autora negra e pobre, foi homenageada pelo Google

Por Gisele Sousa [1]

Edilaine Felix[2]

No último dia 13 de março a escritora e poetisa Carolina Maria de Jesus completaria 105 anos. Seu primeiro livro, Quarto de despejo, lançado em 1960, que vendeu 10 mil cópias em uma semana e foi traduzido para dezenas de línguas, caiu no esquecimento.  Mineira, nascida em Sacramento, veio para São Paulo na década de 1940 e passou parte de sua vida na favela do Canindé, zona norte da capital paulista.

Mãe de três filhos, procurou na cidade grande com o desejo de buscar melhores oportunidades na vida. Em São Paulo, trabalhou como doméstica, catadora de latinhas e papelão para sustentar sua família. Desempenhou um papel importante ao narrar em seu diário a realidade da favela do Canindé: um cotidiano rodeado por discriminações e violência, sofridas por parte dos moradores da comunidade em sua obra.

Na década de 1950 o jornalista Audálio Dantas, descobriu que uma mulher na favela do Canindé tinha vários cadernos. Carolina concordou em mostrar seus cadernos no qual fazia anotações de como sobre como era ser mulher, negra, moradora da favela. Editado por Dantas esse diário se tornou o livro Quarto de despejo: o diário de uma favelada.

A obra, simples e rica ao mesmo tempo, converteu-se em um importante documento de denúncia social. Traz em sua narrativa o relato da vida em uma periferia marcada pela desigualdade, pela dor, sofrimento e descaso por parte da sociedade. Periferias, cujos moradores eram – e são – esquecidos e tidos como marginalizados. Apesar do cotidiano e das dificuldades, Carolina não desanimou e usou as adversidades para vencer o preconceito, o racismo e a intolerância.

Em 2018, os ilustradores e roteiristas João Pinheiro e Sirlene Barbosa transformaram a vida da autora em uma biografia em quadrinhos.  O livro Carolina, da editora Veneta, mostra a infância pobre da escritora em Minas Gerais, sua vida sofrida em São Paulo, a fama, as ilusões, as decepções e o esquecimento.

carolina-maria-de-jesus-Doodle do Google

Para homenagear a vida e obra da autora a biblioteca do Museu Afro Brasil, no Parque do Ibirapuera recebeu seu nome.  Carolina, que ainda escreveu Diário de Bitita  e Casa de Alvenaria, faleceu no dia 13 de fevereiro, aos 62 anos, em um pequeno sítio e já afastada da fama.

 

[1] Aluna do curso de Rádio e TV e monitora da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

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