Futuro e ativismo negro são destaques em painel sobre diversidade étnico-racial

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Temas estiveram em pauta durante painéis na primeira Semana da Diversidade e Inclusão 

Milena Wiltemburg Pochini [1]

Edilaine Felix [2]

Diversidade étnico-racial e as problemáticas sociais e psicológicas de jovens negros foram os temas debatidos na mesa, mediada pela professora e coordenadora do NERA (Núcleo de Estudos Étnicos-Raciais do FIAM-FAAM), Maria Lúcia da Silva,  que recebeu o doutorando em Psicologia Social da Universidade de São Paulo (USP) Carlos Eduardo Mendes, que falou sobre o “O Futuro da Juventude Negra”, e a advogada e conciliadora no Tribunal de Justiça de São Paulo, ativista e militante da EucAfro, Ketlein Cristini, que apresentou o tema “Ativismo Negro, Empregabilidade Racial e o Pacto pela Inclusão Social de Jovens Negras e Negros no Mercado de Trabalho”, no segundo dia da 1ª Semana da Diversidade e Inclusão promovida pelo Complexo Educacional FMU|FIAM-FAAM.

Em sua apresentação, Mendes conta sobre a infância no bairro do Capão Redondo, periferia da zona sul da capital paulista, e como encontrou nos livros a oportunidade de conhecer o mundo. O futuro dos jovens negros começou a ser objeto de pesquisa na iniciação científica e depois no mestrado.

“O jovem negro se identifica através de relações intersubjetivas; a construção da identidade de uma pessoa negra acontece na relação com os outros”, diz. Segundo Mendes, a imagem do negro é ligada todos os dias aos presídios, à mendigos, ou à criminalidade e,se sua imagem não é representada pelo médico, pelo juiz, ou por alguém bem sucedido, todos os dias ele está sendo negado. “Se as características do meu espelho real não são constantes, não aparecem, há sempre uma negação. Começo a criar um passado que se embranquece.”

A advogada Ketlein, que também é coordenadora do Engaja Negritude, membro da coordenação colegiada do Fórum Estadual de Prevenção e Combate à Discriminação Racial  nas Relações de Trabalho MPT/SP, lembra que é necessário o ativismo negro e a luta por condições humanas aos negros. “As lutas que aconteceram antes de mim que me permitiram estar com vocês aqui hoje, com 24 anos, advogando”, afirma.

Ela recorda que desde que o Papa Nicolau V autorizou o rei de Portugal Afonso V em 1452 a escravizar os negros, por considerá-los ‘desalmados’, eles começaram a ser colocados em navios e escravizados. Para negar essa condição, os escravos faziam greves de fome, fugas individuais e coletivas, e organizaram quilombos para resistir. Um de seus maiores símbolos, Zumbi, que nasceu livre, foi capturado, e se tornou líder do Quilombo de Palmares por 15 anos.

Após a abolição da escravidão em 13 de maio de 1888, a busca pela igualdade de direitos dos negros jamais cessou. Isso porque os negros foram formalmente livres, mas não tinham condições de sobrevivência e foram marginalizados, novamente precisaram trocar força de trabalho por um prato de comida. A advogada indaga: “liberdade? Sem política pública, sem educação, com condições mínimas de sobrevivência? Quando os negros foram livres, as terras foram escravizadas, e os negros continuaram lutando e resistindo”, lamenta.

Ketlein considera a própria escola como ‘mecanismo de disseminação do racismo: “minha primeira experiência com o racismo foi na escola. Meus professores nunca me ouviam. Eu era invisível até que aconteceu uma situação e eu revidei, foi a primeira vez que a professora ouviu minha voz, e ainda fui punida”, conta. E, segundo ela, o reconhecimento e formação de coletivos foram necessários para organizar uma resistência e denúncia pela luta da igualdade racial.

Mudança

A professora Maria Lúcia perguntou aos convidados sobre as perspectivas para o futuro da juventude negra, e os passos a serem dados para que uma mudança efetiva ocorresse. Para Mendes, a perspectiva “está na possibilidade de falar sobre o tema”, e Ketlein lembra que no passado as pessoas negras tinham medo de sonhar, mas isso mudou, “hoje as pessoas sonham. Eu fui a primeira formada na minha casa, depois de mim, todos da minha família começaram a cursar o ensino superior”, recorda.

A mediadora, que leciona no curso de Jornalismo do FIAM-FAAM, conta que possibilitou, desde 2016, que o tema étnico-racial fosse tratado em 14 trabalhos de conclusão de curso, pesquisas e participação de painéis e mesas de debates em semanas promovidas pelo Complexo Educacional.

NERA

O Núcleo de Estudos Étnico-Racial (NERA) é aberto para todos alunos, professores e colaboradores do Complexo Educacional FMU|FIAMFAAM e à comunidade geral. Para participar, entre em contato com maria.l.silva@fiamfaam.br. O núcleo tem a Revista e o site Dumela, para conhecer, acesse: http://revistadumela.com.br/

 

[1] Aluna do sexto semestre de Jornalismo e estagiária da Agência Integrada de Comunicação (AICom)

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

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