Segundo dia da SBPJOR aborda os desafios da pesquisa em Jornalismo

Mesa temática abordou o papel do Jornalismo em cenários de conflito e abriu um debate sobre sua função na contemporaneidade

Por Ana Luiza Antunes [1]

Edilaine Felix [2]

O segundo dia do evento que celebra o 8º Encontro de Jovens Pesquisadores em Jornalismo, realizada pela Associação Brasileira dos Pesquisadores em Jornalismo SBPJOR), recebeu na manhã desta sexta-feira, dia 08/11, no Campus Ana Rosa do FIAM-FAAM – Centro Universitário, os professores Denis Ruellan, jornalista e pesquisador, e Christa Berger, professora da Universidade Cidade de São Paulo, para falar sobre as tensões do campo e os estudos das coberturas de conflitos e guerras.

O reitor do Complexo Educacional FMU|FIAM-FAAM Manuel Nabais da Furriela abriu a mesa ressaltando a importância do 16º SBPJOR para o curso de Jornalismo. “Este evento é importante e consagrado na agenda do Brasil e de São Paulo. Estamos em um ano de comemorações dos 50 anos da instituição, que é uma das mais tradicionais da capital. Os cursos envolvidos neste evento, principalmente o de Jornalismo, é um dos cursos mais importantes e tradicionais.”

A mesa, que foi mediada pelo professor da Universidade Federal Fluminense, Fernando Rezende, abordou temas como o cenário político atual brasileiro, fazendo um paralelo com o papel do jornalista e sua função de apurar e gerar informações sem se tornar hegemônico. Durante o debate, os palestrantes enfatizaram os conflitos como caminhos para entender o protagonismo da mídia antes, durante e após eleições 2018.  Bem como dar a oportunidade de realizar novos estudos e gerar novos conhecimentos sobre a função do jornalísticas em momentos sociais mais delicados.

A professora Christa Berger apresentou para um auditório lotado, análises de algumas revistas brasileiras que abordaram nos últimos dois anos os processos políticos que o país estava enfrentando. Estudar os argumentos e movimentos sociais de um determinado período diz muito sobre o papel da mídia em cobrir o factual e sua posição diante dos acontecimentos. Segundo ela, o campo hegemônico do jornalismo é inimigo íntimo da democracia. E não há democracia sem a liberdade de imprensa. “É de extrema importância discutir o que é mais importante no cenário político atual, pois assim como a justiça, a imprensa tem um papel fundamental no desenrolar de tudo o que está acontecendo”.

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Auditório do FIAM-FAAM na SBPJOR  (crédito: Ana Luiza Antunes)

Segundo ela, o jornalismo foi um dos elementos que construiu o cenário que estamos vivendo com o bombardeamento de fake news. Para Christa nós saímos do campo das disputas para o campo do enfrentamento. “É pensar o jornalismo em um lugar que contribuiu para chegar nessa situação e que oferece, aos pesquisadores, pautas do que iremos abordar daqui para frente”. Ela completa dizendo que houve uma mudança na cultura de massa nessas eleições, mas que os profissionais precisam continuar honrando sua função. “Nós como jornalistas temos o compromisso de tratar os fatos e acontecimentos com sua factualidade, que é o inverso do que a fake news faz.”

Em relação ao tema central da mesa, Fernando Rezende destaca que os conflitos precisam ser estudados. “Eles têm que servir de material para que a gente possa falar deles. O que a mídia vem fazendo, essa mídia hegemônica, é naturalizar e aplainar os conflitos. Nós temos que trazer o conflito para a cena e mostrá-lo.” Segundo ele, é preciso levar essa questão para dentro do ambiente profissional e da prática. “É pensar o jornalismo na redação e nas escolas, na forma como ensinamos os alunos a olhar para essa ideia.”

O papel do jornalismo e os desafios de lidar com suas funções abriu um debate sobre a noção do jornalista ser pautado ao mesmo tempo que precisa enfrentar os seus deveres éticos e profissionais. Para os palestrantes, é preciso voltar a debater a linguagem do jornalismo e rever o modelo da profissão, pois, de acordo com a professora Christa Berger, “a imprensa ao cumprir um papel, deixa de cumprir outro”.

Para Denis Ruellan, existe um desafio que o jornalista enfrenta ao se deparar com cenários de conflitos e cobri-los de forma a ser o mais factual possível. “A questão principal é dizer as condições exatas das fabricações dos conteúdos, pois o pior da informação é não dizer como foi feito. Uma informação tem a capacidade de ser real quando se pode dizer como você chegou até ela. O caminho é talvez mais importante que o destino. O destino é a informação. Mas como você chegou lá é realmente o mais importante”, conclui.

 

[1] Aluna do quarto semestre de Jornalismo e monitora da Agência Integrada de Comunicação (AICom)

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

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