16º Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo trouxe diferentes reflexões e maneiras de enxergar o Jornalismo

Pesquisas abordaram os desafios da profissão, a representatividade na imprensa e como se adaptar às novas mudanças que o Jornalismo vem promovendo

Texto e fotos Ana Luiza Antunes [1]

Carla Tôzo [2]

O Campus Vila Olímpia da Universidade Anhembi Morumbi recebeu alunos de todo o Brasil para apresentar seus projetos de Iniciação Científica e celebrar o 16º SBPJOR, que tem como objetivo expor os trabalhos de Jovens Pesquisadores em Jornalismo e promover trocas de experiências e conhecimentos. Novas narrativas, mulheres na imprensa e ética no jornalismo foram algumas das mesas na tarde desta quarta-feira. As abordagens trouxeram aos participantes a oportunidade de realizar reflexões sobre a função do jornalista e desafios da profissão. Oficinas para aprender a elaborar um artigo científico também foram destaques no evento.

Um debate sempre em alta

A Mesa Ética Jornalística retratou temas que incluem o equilíbrio da apuração com o dever de divulgar informações de maneira a respeitar as diversidades e, ao mesmo tempo, ser fiel ao fato. Para a professora de Jornalismo da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e Coordenadora da mesa, Izani Mustafa, o tema visa dar um norte para futuros profissionais sobre a abordagem que devem ter perante diferentes cidadãos. “Cada aluno que participa da mesa traz um olhar diferente sobre o assunto. É uma oportunidade que todos tem de ver um novo conteúdo, uma nova forma de trabalhar. É importante para que a gente possa produzir efetivamente um jornalismo mais humanizado”.

Um dos projetos apresentados foi da aluna Barbara Santos de Lima, que realizou uma análise de notícias sobre intolerância religiosa na mídia brasileira. Para ela, existe uma linha tênue na profissão entre a liberdade de expressão e o discurso de ódio. É preciso desvincular a religião aos atos bárbaros.  “A ética jornalística pode evitar muitas coisas. Quando vemos uma notícia sobre ataque terrorista, precisamos desvincular os muçulmanos a esse ato”, além disso, “quando há uma abordagem diferente sobre o assunto, outras mídias acabam seguindo esse exemplo.”

Jornalismo e suicídio
apresentação da pesquisa sobre a abordagem do jornalismo sobre suicídio da aluna Andressa Zaffalon

Abordar o suicídio no jornalismo também foi um dos temas discutidos na mesa. De acordo com as pesquisas da aluna Andressa Zaffalon, houve uma maior ascensão ao tema nas mídias brasileiras por estar em alta na sociedade, abrindo novos olhares e apurações para um assunto tão delicado.  Segundo ela, é preciso tomar cuidado ao falar do assunto para não romantizá-lo e torná-lo banal.

Adaptações constantes

Novas narrativas, literatura e jornalismo também foi assunto no 16º SBPJOR.  Para o Coordenador da mesa e membro do Grupo de Pesquisa de Edição, Cultura e Design, Gabriel Rizzo, o encontro auxilia na variação de conhecimentos. “É importante que os alunos tenham essa troca, ainda mais tendo pesquisadores de várias partes do país”, e completa dizendo a influência desse encontro na carreia profissional dos futuros jornalistas. “Conhecer outras pesquisas e saber o que está sendo pesquisado é um acréscimo não só para a carreira, mas para o ambiente acadêmico de cada um deles.”

Durante a discussão, foram destacados a ligação que o jornalismo possui com a literatura, fazendo com que as narrativas despertem interesses para se conhecer uma história e fazer mudar de ideia sobre determinado assunto. Virginia Guedes e Pedro Henrique destacaram em seu projeto como as narrativas criam conexões entre o jornalismo e a cultura, promovendo uma memória cultural e uma maior dinâmica social. Para eles, produzir cultura é criar cultura. É o que aproxima os seres humanos e prevalece na memória das gerações.

Novas narrativas - Memória Cultural e Jornalismo
Pedro Henrique e Virginia Guedes 

Beatriz Vilardo, aluna de Jornalismo da PUC-RIO destacou a fronteira entre o jornalismo e literatura que existe dentro dos desafios da profissão. Para ela, é difícil se adaptar às novas narrativas que o jornalista encontra atualmente. “O mundo está muito dinâmico. A internet está sempre dinamizando mais ainda as coisas. É preciso não só saber conciliar e treinar suas habilidades, mas ter outras alternativas além do ambiente de redação que todos conhecem”. E destacou pontos importantes para quem deseja criar um livro reportagem. “O livro reportagem é uma história específica. É preciso saber o porquê você quer contar essa história. Você precisa compreender aquilo que você quer trabalhar e tentar da melhor forma, com brainstorming, conseguir organizar suas ideias”.

Elas também estão na imprensa

Outra mesa participante do evento contou com pesquisas sobre Mulheres e questões de gênero no Jornalismo. De acordo com o debate, algumas realidades sociais femininas, como mulheres no campo, não são representadas nas mídias tradicionais. Quando são, aparecem ofuscadas e não representam a totalidade de seu trabalho, ou seja, geralmente a participação feminina nas notícias segue atrelada à presença masculina.

Janaína Kalsing, Coordenadora da mesa e Editora de notícias do Zero Hora e GauchaZH, acredita que o tema é relevante tendo em vista o contexto político que vivemos atualmente, além do debate ser composto somente por mulheres. “Há uma disparidade muito grande entre homens e mulheres no mercado de trabalho. É uma questão que tem que ser trabalhada, pesquisada e estar na pauta do meio acadêmico”.

Mulheres e questões de gênero (2)
Mesa sobre Mulheres e questões de gênero no Jornalismo

E completa dizendo ser um tema que irá refletir diretamente na carreira profissional das alunas. “Essas meninas já vivem isso e já fazem isso diariamente, mas pesquisando profundamente com certeza elas serão ainda mais combativas no ambiente de trabalho e dentro da família delas. Combater mesmo esse machismo que tem dentro das redações, nas rotinas de trabalho. Tem tudo para elas colocarem isso no dia a dia delas também”.

Por onde começar?

Ao final do dia, foram realizadas oficinas voltadas para a elaboração de Artigo Científicos e como se adequar às exigências para que eles sejam publicados. Durante o debate, a Professora Doutora Claudia Lago destacou que cada revista possuía uma lógica para aceitar publicar uma pesquisa. É preciso estar por dentro das normas de cada uma delas e se adequar ao que pedem como padrão. Além disso, também falou sobre a necessidade de saber interpretar um feedback caso o projeto não seja aceito. De acordo com ela, às vezes é necessário realizar algumas alterações e que isso é completamente normal. Raramente um projeto é aprovado logo de primeira.

Para ela, boa parte dos trabalhos acadêmicos se organizam a partir da publicação e exposição dos trabalhos em Congresso. “A internacionalidade é a bola da vez. Precisamos aprender a fazer isso de maneira internacional”, e destaca dois pontos fundamentais para quem deseja iniciar um artigo ou projeto científico. “A primeira coisa é ler muito artigo. Quanto mais você lê mais você pega detalhes e entende como funciona o processo e como eles se estruturam. Outra coisa que se pode fazer é dar uma olhada nos guias para os autores. As próprias revistas costumam indicar como elas querem os artigos”.

O evento principal segue até 6f (9/11) no Campus Ana Rosa.

[1] Aluna do quarto semestre de Jornalismo e monitora da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

 

 

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