SBPJor abre sua semana de encontros com premiação à jovens pesquisadores

Os trabalhos premiados trataram principalmente das mudanças no campo de trabalho jornalístico e dos novos formatos da notícia

Texto e Fotos: Gabriela Marqueti e Vanessa Cristina [1]

Carla Tôzo [2]

Na manhã desta quarta-feira, dia 7, a Associação Brasileira dos Pesquisadores em Jornalismo realizou seu oitavo Encontro de Jovens Pesquisadores em Jornalismo, que premia pesquisas notáveis no mundo acadêmico. A edição desse ano buscou abordar os desafios relacionados ao desempenho da pesquisa jornalística na atualidade.

A presidente da SBPJor e professora da Universidade de Sorocaba (UNISO), Monica Martinez, fala com orgulho dessa categoria: “É aí que está o futuro do nosso campo, e é um campo que nós sabemos que está em transformação. E às vezes, talvez, a gente não tenha a dimensão da importância dele”.

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Monica Martinez, presidente da SBPJor

Logo pela manhã, tivemos a abertura do evento com a apresentação de alguns trabalhos, que teve início com Gabriele Wagner de Souza, estudante da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), premiada na categoria de Iniciação Científica com a pesquisa Jornalismo e qualidade de vida: reflexos das mudanças estruturais do jornalismo na vida pessoal dos jornalistas de Santa Maria/RS.

Gabriele falou um pouco sobre a metodologia utilizada em sua pesquisa que aborda a falta de perspectiva da profissão, o cansaço extremo e o interesse de estudantes da área em fazer uma segunda faculdade como plano reserva. O estudo foi realizado com profissionais que atuam em diferentes áreas do jornalismo em Santa Maria e os resultados demonstraram que fatores determinantes para o desgaste são a desregulamentação da profissão, com a retirada da necessidade do diploma para exercê-la e o estresse relacionado a reconfiguração do perfil profissional do jornalista, que hoje em dia, precisa ser multifuncional.

Também foi observado que as profissões de freelancer e repórter de redação são as mais problemáticas com relação à qualidade de vida, pela rotina inconstante, falta de estabilidade financeira e de tempo para descanso e vida pessoal. Porém, para todos os entrevistados, a satisfação de exercer a profissão, no final das contas, é maior que as inúmeras adversidades.

Sobre ter sido a primeira pessoa premiada a apresentar seu trabalho na categoria de Iniciação Científica, ela disse: “Eu acho que é importante para as pessoas que estão, também, desenvolvendo seus TCCs, é um incentivo para que elas acreditem no que fazem, e isso também dá uma repercussão para a sua pesquisa, então mais pessoas podem conhecer e saber o que você está pesquisando. A SBPJor é uma instituição renomada, então ganhar esse prêmio é uma honra”.

A mesa teve continuidade com José Cavalcanti Sobrinho Neto, estudante da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), que levou o prêmio na categoria de Mestrado, com a pesquisa Novos formatos da notícia no relógio inteligente, que tem como intuito analisar como o jornalista transforma a informação em uma síntese de duas linhas para ser passada através de um micro aparelho, analisando os modos específicos de produção e estruturação da notícia. Para o desenvolvimento da pesquisa, José estudou veículos como o The New York Times e o portal R7, e usou como base o conceito de “Glance Journalism” ou “jornalismo de relance”, no qual através de uma chamada de no máximo 2 segundos, o jornalista tem que conseguir despertar o interesse do leitor para acessar a informação na íntegra.

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José Cavalcanti Sobrinho Neto, vencedor da categoria Mestrado

Para fechar a apresentação dos trabalhos, a premiada na categoria Doutorado, Adriana Barsotti Vieira, falou sobre sua pesquisa Primeira página: do grito no papel ao silêncio no jornalismo em rede, que demonstra a realidade jornalística desde as manchetes de destaque que ganharam popularidade nos primeiros jornais até o silenciamento no âmbito digital, onde os sites de informação não são prioridades na busca por informação, perdendo espaço para o Google e redes sociais. A pesquisa procura também, demonstrar como os profissionais do jornalismo procuram se adaptar a essa nova realidade.

Dentre os demais premiados também estão Beatriz Corrêa Pires Dornelles na categoria Sênior da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e Márcio Carneiro dos Santos na categoria Pesquisa Aplicada da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

Sobre a importância da FIAM-FAAM sediar parte do evento a jornalista, professora do Mestrado Profissional em Jornalismo do Centro Universitário FIAM-FAAM e diretora científica da SBPJor, Cláudia Nonato, afirma que “a responsabilidade é grande, o prazer também é grande porque a instituição fica sendo conhecida nacionalmente e a gente conta com a alegria dos alunos, de todo mundo, para receber as pessoas e deixar uma boa impressão”.

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jornalista e professora do mestrado profissional em jornalismo do FIAM-FAAM Cláudia Nonato

O evento principal segue até 6f (9/11) no Campus Ana Rosa.

[1] Alunas do sexto semestre de Jornalismo e estagiárias da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

 

 

 

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