Ação promove combate ao descarte incorreto do lixo

Movimento nacional reúne instituições em ação ambiental no Parque do Ibirapuera

Milena Wiltemburg Pochini [1]

Edilaine Felix [2]

Após ação no Dia Mundial da Limpeza, a Instituição Lixo Zero Brasil promoveu a Semana do Lixo Zero no Parque do Ibirapuera, no último sábado dia 27 de outubro. Instituições como Limpa Brasil, Meio Ambiente na Prática, Casa Causa, Mundo Sem Bitucas, Seu Lixo Meu, Pegada Animal, e o NEMA (Núcleo de Estudos do Meio Ambiente do FIAM-FAAM), estiveram reunidos em prol da conscientização ambiental.

O Instituto Lixo Zero Brasil realiza anualmente uma programação da Semana Lixo Zero, que reúne ativistas, empresas, universidades, ONGs, e a sociedade para debater sobre o lixo. A escolha do Parque do Ibirapuera se deu pelo grande número de visitantes que recebe diariamente, e a grande quantidade de lixo que se encontra no gramado do espaço.

A ação promoveu também uma temática folclórica e lúdica com sereias e fundo do mar a fim de que as pessoas pudessem ser impactadas pelos “bichinhos” que sofrem por causa da grande quantidade de lixo encontrado nos oceanos.

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Sereias e o fundo do mar pretende despertar para as sujeiras nos oceanos (crédito: Milena Wiltemburg Pochini)

Coordenadora do Lixo Zero em São Paulo, da Associação Brasileira dos Profissionais pelo Desenvolvimento Sustentável (Abraps) e fundadora do Instituto Casa Causa, a psicóloga Flávia Cunha trabalha em empresas com recursos humanos e mudança de cultura. “As pessoas não mudam, porque às vezes não têm exemplos, não conhecem as ações, porque não são cobradas, e acham que não fazem parte disso, (por isso, essa questão) não ‘toca’ tanto”.

O mito do lixo

Flávia lembra da recente crise hídrica que atingiu o estado de São Paulo entre 2014 a 2016. “As pessoas ficaram desesperadas com a falta de água porque a água de primeira necessidade a atinge as pessoas. E o lixo? Ah, o lixo está em um saco preto, a sociedade não tem essa consciência sobre a geração de lixo e para onde vai. Aliás, ninguém quer vê-lo. O lixo sempre foi tratado como o que é sujo, é nojento e tem bicho. A gente já cresceu com esse raciocínio”, analisa.

Para a coordenadora nacional do Instituto Limpa Brasil, Edilainne Muniz, a entidade também é um movimento que leva reflexão às pessoas sobre o seu papel em como cuidar e preservar o meio ambiente, e por isso, as instituições se unem. “Por que no final, a causa é uma só. Se integrado com outras ações a gente consegue levar a informação a um maior número de pessoas e, alinhado a educação, construir uma sociedade mais preocupada em perceber seu papel dentro dessas questões, de cuidar, preservar o espaço público” comenta.

Engajamento

Fernanda Joenck, engenheira ambiental e técnica em meio ambiente e educação ambiental, é a sócia fundadora da Instituição Meio Ambiente Na Prática. A startup de educação é voltada para a capacitação técnica e jurídica de pessoas que atuam ou que pretendem atuar com o meio ambiente.

Ela considera que a questão da falta de consciência ambiental se dá por vários fatores: “temos uma problemática muito grande de educação ambiental que falta desde as escolas. As formações precisariam ter essa pauta ambiental. Falta [educação ambiental] nas indústrias, nas empresas, em todos os âmbitos da sociedade, até mesmo dentro do poder público. Realmente é um desafio pegar todos os setores da sociedade para fazer uma força tarefa. Todos precisam trabalhar em conjunto”, afirma.

O projeto Mundo Sem Bitucas nasceu em 2015 diante do incômodo da Natalia Zafra Goettliecher ao verificar no percurso que fazia todos os dias entre a Alameda Itu e a Avenida Paulista, região nobre da zona sul da capital paulista, muitas pontas de cigarro no chão. Ela decidiu fazer uma pesquisa, em 2016, com 200 fumantes, o resultado foi que 62% deles afirmaram que jogavam a bituca de cigarro no chão e justificativa é que não havia coletoras em todos os lugares.

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Camiseta do Projeto Mundo Sem Bitucas (crédito: Milena Wiltemburg Pochini)

O trabalho de conscientização pelo “Mundo Sem Bitucas” é conversando com fumantes e não fumantes e, por meio de oficinas que identificam pontas de cigarro, a ativista consegue convencer que é um problema real, e ensinar os riscos que existem para a saúde pública, já que uma ponta de cigarro possui mais de 4 mil substâncias tóxicas.

Juventude consciente

Aline Morais e Rafaela Soares, são estudantes do 6º semestre de Relações Públicas do FIAM-FAAM e participaram pela segunda vez de uma ação voluntária de recolhimento do lixo no parque.

Aline conta que diferentemente da maioria das crianças, ela teve uma educação ambiental rígida dentro de casa. Ela comenta que sempre quando sua mãe via alguém jogando lixo no chão, ela educava a filha, dizendo “nunca faça isso, é falta de educação” e o valor que sua mãe lhe ensinou, é presente até hoje.

Rafaela diz que aprendeu tarde sobre essa questão, e que não teve essa educação na escola, mas que deveria estar presente não somente na escola, como em casa também, pois, primeiramente é responsabilidade dos pais o estímulo para que as crianças joguem o lixo no lixo, e também sejam conscientizadas sobre o desperdício. ”A escola deveria estimular a criança a pensar ‘o individuo que ela é na sociedade, como ser humano’, pois ela vive em um planeta que ela tem que cuidar do espaço que ela vive. É a nossa casa”, insiste.

 

NEMA – FIAM-FAAM

O NEMA existe desde 2015, e está sob a orientação da professora Rita Ribas. Caso você queira participar do Núcleo de Estudos do Meio Ambiente, basta enviar um e-mail para rita.ribas@fiamfaam.br , contendo nome completo, RA, curso, período e disponibilidade.

 

[1] Aluna do sexto semestre de Jornalismo e estagiária da Agência Integrada de Comunicação (AICom)

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

 

 

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