Em refúgio para o Brasil

FIAMFAAM apresenta documentário feito em parceria com o ACNUR e promove palestra sobre audiovisual

Por Pamela Ricciardelli [1]

Nadini Lopes [2]

Eles chegam, são muitos, são milhares aos dias, e tentam de alguma forma reconquistar sua liberdade, ter a sua moradia, sonhar com o melhor, se agarrando na esperança.

Na 8ª edição da Semana de Comunicação a FIAMFAAM traz uma importante discussão: o que acontece com as pessoas que chegam ao Brasil refugiadas de seus países?

O que suscitou o debate foi a produção do documentário “Em refúgio”, produzido por Segundas Estórias, dirigido pelo professor da casa Piero Sbragia, em parceria com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e com o complexo FMU FIAMFAAM.

Após a apresentação do documentário o debate teve como objetivo contar a história de imigrantes refugiados de seus países de origem, isto é, procurando por melhores condições de vida e especialmente de emprego em outro país, onde buscam acolhimento.

Carlos, que saiu da Venezuela para fugir dos conflitos que enfrentava, encontrou sua felicidade no Brasil, foi convidado a dividir um pouco sobre sua experiência com os alunos. Ele conta que era jornalista na Venezuela mas, que aqui no Brasil, atua como auxiliar de cozinha. Além disso, inaugurou o projeto de comida venezuelana, orgânica e artesanal chamado “Nossa Janela”.

Assim que pôde, Carlos trouxe sua família para morar com ele e retomar a sua vida no Brasil. “Primeiro trouxe a minha namorada e sua filha, em seguida demos um jeito de trazer meus pais”.  Ele conta que sonha em poder retribuir o favor para os que lhe ajudaram.

“Quando vim para o Brasil tive que recomeçar do zero, a parte mais difícil foi a emocional pois meus pais não estavam aqui, para me ajudar, não perca o foco do que realmente quer, saia e faca sua parte. Não podemos ficar parados esperando que alguma coisa vá acontecer, tem que ir atrás”, comenta o jornalista.

Hoje, Carlos ajuda desinteressadamente a Agência da ONU para Refugiados, onde fez uma sessão gratuita para exibir o documentário onde os ingressos podiam ser retirados uma hora antes.

O refugiado participou do documentário que foi apresentado e que mostrou sua luta para trazer seus pais, na platéia do auditório eles estavam presentes, fisicamente, para compartilharem este momento de alegria com o seu filho.

Assista ao vídeo que mostra mais coisas que aconteceram na 8a edição da Semana de Comunicação do FIAMFAAM.

 

A noite do dia 23 de outubro trouxe um workshop ministrado pela professora Maria Isabel Blanco sobre produção no audiovisual. Por conta do crescimento e do dinamismo voltado para o setor e que visa não só promover o debate a respeito da cultura visual para a formação de pensamento crítico e reflexivo, como também auxiliar os estudantes a produzir esses conteúdos.

Compreendendo que as imagens invadem o cotidiano por meio de toda a mídia impressa, o cinema, a fotografia e a televisão, interpretação acaba sendo uma questão fundamental para a compreensão das características dos audiovisuais.

A professora Maria Isabel destaca que “o documentário pra nós, que estudamos ou trabalhamos com isso, é a representação da realidade. É uma definição unânime. E, essa representação e característica veem da visão autor que escolheu determinado tema”.

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Neste sentido, a professora Maria traz sua contribuição fazendo com que os alunos aprendam como funciona produzindo documentários desde o roteiro, passando pela produção, até a edição final com a sua orientação.

O estudante de jornalismo Guilherme Augusto (26), conta que desde pequeno sempre gostou de contar histórias. “Eu vejo o documentário como uma produção mais independente e livre das amarras sociais, de mídia ou de qualquer outro instrumento de poder. E o audiovisual em minha opinião é o modo mais sensível e humano para se contar uma história”.

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