Simpósio Integrado de Pesquisa reúne seis escolas do complexo

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Comitê uniu representantes de diferentes escolas e propôs exercício aos alunos e visitantes de identificação da ciência em diversas áreas do conhecimento

Por Milena Wiltemburg Pochini [1]

Edilaine Felix [2]

 

Com o objetivo de fomentar a discussão em prol da ciência no meio acadêmico e promover atividades científicas desenvolvidas no Complexo Educacional FMU|FIAM-FAAM nos níveis de iniciação científica, especialização e mestrado, a instituição realizou o VI Simpósio Interdisciplinar de Pesquisa.

Foram cerca de 960 inscrições e 160 trabalhos apresentados por alunos das escolas de Direito, Educação, Saúde, Comunicação, Negócios e Engenharia. A organização ficou por conta de um representante de cada escola, com o direcionamento do professor do mestrado profissional de saúde ambiental, e responsável pelo comitê, Jefferson Russo Victor.

O formato deste Simpósio, apresentado no último sábado, 20 de outubro, atribui a filosofia da própria organização Laureate de introduzir a interdisciplinaridade no debate estudantil e oferecer aos alunos, visitantes e ouvintes a possibilidade de expandir o conhecimento para além das áreas de graduação. A novidade que se introduziu no próprio currículo dos cursos oferecidos, esteve presente no evento para incentivar o abandono do conhecimento unidirecional.

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Professor do Mestrado e da Graduação do Jornalismo do FIAM-FAAM, Ivan Pagnotti fez a palestra de abertura do Simpósio com o tema: As Eleições das Fake News. (crédito: Eduardo Batista)

O organizador do evento e pesquisador Victor acredita que a carreira científica tem algumas características que talvez a juventude de hoje não veja com bons olhos, como o retorno financeiro a médio e longo prazo. Entretanto, observa que a pesquisa propõe retornos ainda mais valiosos: “a pesquisa oferece desenvolvimento humano baseado em habilidades e que futuramente trará retorno financeiro, intelectual, senso crítico e resolução de problemas com maior complexidade”.

Barreiras

De acordo com Victor, somente incentivar os alunos não exclui as barreiras que eles enfrentam para chegar até a iniciação cientifica. Uma das maiores dificuldades dos alunos é a falta do inglês, pois a ciência no mundo inteiro é desenvolvida na língua inglesa. Infelizmente, componentes educacionais e econômicos influenciam a permanência da estagnação cultural brasileira de pesquisa, já que a impressão da docência do ensino superior é que o aluno chega com uma deficiência em questões básicas do conhecimento por conta de sistemas destrutivos de inteligência, e o professor lamenta ao dizer que “as crianças que foram submetidas a esse tipo de ensino e estrutura de aprovação automática foram assassinadas [intelectualmente]”.

Representando a escola de engenharia a professora Elisângela Rodrigues considera a pesquisa importante na vida acadêmica do aluno. “Existe toda uma cadeia de construção de conhecimento e informação, então a gente percebe que o aluno que passa pelo processo de iniciação científica, tem uma maturidade muito maior do que aquele aluno que só assiste as aulas e não participa de nada”. A pesquisa não somente gera amadurecimento profissional e direcionamento na área de atuação, como “reflete nas notas e na postura do aluno”, analisa.

Outro objetivo que a professora considera legítimo aos que se aventuram na iniciação científica é contribuir de alguma maneira para a sociedade: “é o nosso dever construir uma sociedade melhor, (…) se o trabalho que a gente faz aqui que pode gerar um resultado que pode vir a melhorar alguma coisa por menor que seja da sociedade, já é uma conquista”.

Iniciados

Raynara Rozo do Amaral está no 8º semestre do curso de Fisioterapia e realizou um projeto com o título “Programas e diretrizes voltadas à assistência da população idosa do município de São Paulo”. O projeto é uma cartilha destinada a 3ª idade que busca levar informações sobre o Sistema Básico de Saúde (SUS) e seus programas de cuidado ao idoso.

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Aluna Raynara Rozo do Amaral (crédito: Eduardo Batista)

Ela conta que a ideia partiu da necessidade familiar. Sua avó começou a ficar enferma e seus familiares procuraram informações no SUS sobre o tratamento e enfrentaram dificuldades em encontrar informações sobre os programas e campanhas destinados aos idosos. Para a aluna, a falta de comunicação dos órgãos públicos atrasa e dificulta o processo de pesquisa científica. “Muitos idosos não sabiam nem que tem fisioterapeuta em uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Eu e minha orientadora vimos que esse era um problema que a gente precisava estudar.”

O aluno de Rádio, TV e Vídeo, Henrique analisou como as narrativas complexas se introduziram nas indústrias das séries a partir de Twin Peaks (ABC, 1990), produzida pelo cineasta David Lynch. “Pesquisando as séries que possuem a narrativa complexa, eu cheguei até Twin Peaks que foi a pioneira, então eu me propus a analisar como a série conseguiu abrir essas portas.”

O grande desafio do aluno foi analisar as produções audiovisuais durante os últimos 30 anos para validar que a série realmente era a pioneira em quebrar padrões cinematográficos e os paradigmas da sociedade norte americana.  “Primeiro eu precisei entender o que torna uma série marcante, e o que torna uma série um momento histórico da televisão.”

Avaliação

A professora de nutrição Amanda Flippe Padoveze foi avaliadora de quatro projetos das áreas de Saúde, História, Gestão Ambiental e Arquitetura. Segundo ela, o evento propiciou que os participantes fossem introduzidos em um ambiente favorável ao seu próprio desenvolvimento.

“O Simpósio foi bastante rico nesse sentido, porque eu também procurei avaliar trabalhos que aparentemente não são da minha área, mas a gente consegue ver o quanto isso é integrado e o quanto contribuiu de alguma forma para o desenvolvimento do aluno.” Em sua perspectiva, todos os trabalhos são de relevância científica para a sociedade.

 

[1] Aluna do sexto semestre de Jornalismo e estagiário da Agência Integrada de Comunicação (AICom)

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

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