Possibilidade de novo surto de conjuntivite preocupa especialistas e população

Clima propício, aumento expressivo de casos durante o verão e falta de dados consolidados dificultam o planejamento de políticas públicas

Por Fabiana Gomes e Luiz Alberto Rheda Neto [1]

Edilaine Felix [2]

A chegada do verão e o aumento da temperatura formam o ambiente ideal para o aumento nos casos de conjuntivite. A possibilidade de que um novo surto da doença aconteça, como o que ocorreu no início do ano, tem preocupado especialistas.

Conforme dados do Centro Nacional de Epidemiologia (Cenepi), entre os meses de fevereiro e abril, foram notificados 184.840 casos de conjuntivite aguda nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Como a notificação da doença ao Ministério da Saúde por parte das Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde é obrigatória somente em caso de surto, estima-se que a extensão da conjuntivite em 2018 possa ser ainda maior.

Vítima da doença no mês de março, período em que a epidemia atingiu um grande número de pessoas, Leonardo Sotero, 22, teme um novo surto. “Naquela época, como eu só ficava em casa, não tinha perigo. Hoje eu sou motorista e, se acontecer novamente, eu posso infectar um monte de gente.”

Leonardo faz parte dos brasileiros que, assustados com o aumento expressivo de casos da doença, foram para a internet buscar respostas. O interesse pelo termo “conjuntivite”, que começou a crescer em fevereiro e atingiu seu pico no mês de março, teve um aumento de 910%, quando comparado com o mesmo período do ano passado.

Gráfico
Interesse pelo termo “conjuntivite” na internet atingiu o pico em março deste ano

A falta de um padrão de registro dos casos e a dificuldade em entender os números dos anos anteriores, dificultam uma análise da doença. Como explica a oftalmologista Sandra Naufal, “a inexistência da padronização e a falta de dados consolidados da doença nas diferentes regiões do país atrapalham tanto o estudo, como o controle da epidemia”.

Os números do interesse de busca por região do país mostram que a maioria das pessoas que pesquisaram sobre o surto não residem nos Estados que notificaram o CENEPI no início do ano.

Gráfico 1
O gráfico acima mostra os estados que mais pesquisaram o termo “conjuntivite

O gráfico acima mostra que em Estados como Piauí, por exemplo, as pessoas estavam mais interessadas na doença que no Paraná, que notificou o Ministério da Saúde sobre o surto.

Essa incompatibilidade ocorre porque as ocorrências individuais – em que não há contágio de uma segunda pessoa – não são de notificação obrigatória, e isso distorce os dados e gera estatísticas que não correspondem à realidade.

Eulália de Faria, 63, teve conjuntivite no mês de fevereiro.  “Enquanto no meu condomínio tinha um monte de gente com a doença, no hospital que fui buscar tratamento ninguém falava de surto porque não receberam alerta das autoridades sanitárias.”

Procuramos as Secretarias de Saúde do Estado e do Município de São Paulo para saber existem políticas públicas planejadas para lidar com um novo surto, mas não recebemos resposta até o fechamento da matéria.

A DOENÇA

Conjuntivite é a inflamação de uma membrana do olho, a conjuntiva, que recobre a parte branca visível do olho. Existem três tipos: as virais, as alérgicas (não contagiosas) e as bacterianas (contagiosas).

Embora comum o ano todo, é em perídios quentes, como o verão, que o número de casos da doença costuma aumentar. Isso porque é uma época de festas e confraternizações, como o carnaval.

Segundo a oftalmologista Sandra Naufal, o vírus da conjuntivite é resistente. “Ele pode persistir nos objetos por vários dias, podendo chegar a dois meses.” Nesse caso, evitar o contato com quem está com a doença é a melhor forma de se prevenir.

Além disso, alguns cuidados simples como lavar as mãos frequentemente, não compartilhar objetos pessoais, como toalhas, já ajudam na prevenção. Outra dica também é evitar grandes aglomerações e locais fechados.

Uma vez infectada, a pessoa com conjuntivite sente dor ao olhar para luz, a visão fica borrada, com olhos vermelhos, lacrimejando e com secreção esbranquiçada, que duram de uma a duas semanas, a depender da gravidade.

Apesar do aspecto feio, o tratamento é bem simples. Os medicamentos mais comuns são colírios e compressas geladas de soro fisiológico.

 

[1] Alunos do quinto semestre de Jornalismo e estagiários da Agência Integrada de Comunicação (AICom)

[3] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

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