Acessibilidade de surdos nas universidades

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Um novo dia começa, e com ele o silêncio, a companhia diária de quem pode ver, mas não pode ouvir os sons dos automóveis, das canções e das vozes que nos rodeiam

Por Vinicius Sarcetta [1]

Carla Tôzo [2]

 

No Enem de 2017, o tema da redação “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”, levou para a maioria dos estudantes, um lado da sociedade que poucos conhecem. A primeira instituição brasileira para surdos foi fundada no dia 26 de setembro de 1857, pelo imperador Dom Pedro II (1825–1891), no Rio de Janeiro. Nesta data é comemorado todo ano, o dia nacional do surdo, para relembrar as lutas por mais acessibilidade. O objetivo da instituição foi de oferecer uma educação de qualidade a todos os surdos.

O grande desafio enfrentado por estudantes surdos é a falta de acessibilidade nas universidades, com a ausência de meios de comunicação entre alunos e professores, e a falta de contratação de intérpretes que impedem os alunos a prosseguirem no ensino superior. Em 2014, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou um resultado de pesquisa com quase 30 milhões de surdos no Brasil.

Mauricio de Souza, aluno do curso de audiovisual da FMU, conta que “é difícil entender os textos. Eu tenho intérprete particular contratada da faculdade, porque os professores não conseguem se comunicar diretamente comigo”. Ele ainda ressalta: “Antigamente tinha pouca acessibilidade no cotidiano, mas melhorou. Mas as principais coisas do cotidiano ainda faltam, como hospitais e farmácias”.

Números do Censo Escolar de 2016 registram que o Brasil possui, na educação básica, 21.987 estudantes surdos. Três anos antes, no ensino superior, de acordo com o censo da área de 2013, estavam matriculados 1.488 estudantes surdos nas universidades do Brasil.

“Na faculdade o acesso realmente é pouco, a principal barreira é a conscientização das universidades em contratar intérpretes de libras, isso ainda acontece em algumas instituições”, afirma Marcelo Guti, intérprete e fundador do Instituto Mãos que Cantam. Para ele, “aos poucos os surdos vão ganhando vozes. Eles estão indo para as ruas, estão fazendo manifestações nas redes sociais, sem contar que a comunidade surda vem crescendo com o apoio dos familiares, intérpretes, professores, amigos, simpatizantes. E a gente vai aos poucos divulgando e conscientizando as pessoas. Teve sim uma melhora, mas não é muito significativa ao meu ver”.

 

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Relação de aluno e professor

O professor da cadeira de radiojornalismo há quase 20 anos da Fiam Faam, Marcos Nunes é professor do Mauricio e explica como foi fazer a inclusão do aluno. “Eu tive uma sacada, já que minha aula é de áudio. Eu utilizo a pessoa que esta com ele para fazer a voz. Ele escreve o que ele quer, a noticia e o boletim, e ela fala no lugar dele. Essa foi uma saída que eu encontrei de fazer com que ele se representasse”. Na estrutura nós chamamos o aluno e explicamos quem vai fazer a voz e assim ele participa”.

Na FMU|FIAM-FAAM existe o NAP (Núcleo de Apoio Psicopedagógico), uma área responsável por acolher e fornecer aos alunos com deficiência, orientações necessárias para o desenvolvimento e o progresso acadêmico. Na instituição de ensino estuda 30 surdos e para todos esses alunos são fornecidos pela faculdade interpretes diariamente para todo o período de aula.

Segundo a Cintia N. Madeira Sanchez, psicopedagoga do NAP, “atualmente nosso principal projeto é a manutenção dos intérpretes, além da capacitação de professor para que eles corrijam os textos de acordo com o conteúdo, não pela gramatica. Isso é importante, já que, o aluno surdo é usuário da língua de sinais, sendo uma língua com uma estrutura e gramatica própria diferente da Língua Portuguesa”.

Hoje a FMU não tem intérpretes contratados, eles são de uma empresa terceirizada, Educa Libras. O aluno surdo precisa fazer a declaração na matricula e trazer o laudo médico para que o intérprete seja solicitado.

Para o professor Marcos, “a mobilidade dela e a participação desse pessoal nas aulas é o resultado de uma atenção muito grande por parte da FMU, por parte da FIAM, com a preocupação de poder dar o melhor e dar todas as condições para o aluno surdo poder participar das aulas, isso eu não tenho a menor dúvida, é nota 10”.

Libras – Língua brasileira de sinais

Em 2002, a Lei n° 10.436, a língua Brasileira de Sinais (Libras) foi reconhecida como meio legal de comunicação e expressão no País.

Na cidade de Guarulhos, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), tem cerca de 54 mil surdos. Porem são poucos os profissionais formados em libras considerando esse número na segunda maior cidade do Estado. As únicas instituições em Guarulhos que tem curso de libras é o Instituto Mãos que Cantam e a prefeitura de Guarulhos, que dá um curso básico.

O que tem de vez em quando é a oferta de curso online, mas segundo Marcelo, “os cursos online não são de qualidade para formar um profissional interprete. Porque como em qualquer outra língua não dá para aprender pela internet tem que ter contato, tem que ser presencial, então ainda é pouco infelizmente”.

[1] Aluno do segundo semestre de Jornalismo e estagiário da Agência Integrada de Comunicação (AICom)

[3] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

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