“Mulheres de Atitude” debatem os 12 anos da Lei Maria Da Penha

O encontro reuniu mulheres que lutam contra a violência

Texto e fotos: Gabriel Rodrigues [1]

Edilaine Felix [2]

Na quinta-feira, 27 de setembro, a FMU realizou, em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo, o evento “Mulheres de Atitude” para debater os 12 anos da Lei Maria da Penha (nº 11.340/06). O evento foi mediado pelo coordenador do curso de Direito da FMU, Fábio Pereira.

A jornalista Mariana Kotscho relembra de quando fez uma série de reportagens para a Rede Globo no Ceará, onde a fila para que as moradoras da região registrassem as agressões físicas dos maridos dobrava o quarteirão, motivo que a fez criar um grupo no Facebook Violência Contra A Mulher – Grupo de Risco, com mais de 1.700 membros.

“Elas não sabem a quem recorrer e eu tinha de fazer alguma coisa por essas mulheres”, diz Mariana, que alerta: “parem de culpar a vítima, é uma responsabilidade de todos nós”.

O número crescente de casos de feminicídio foi um dos assuntos abordados pela promotora de justiça do Ministério Público do Estado de São Paulo, Fabíola Sucasas, criadora do projeto Prevenção da violência doméstica e familiar contra as mulheres com a estratégia de saúde da família, que recebeu o prêmio Innovare.

O projeto é voltado à proteção de mulheres em situação de violência por meio da atuação preventiva de agentes comunitários de saúde, além de entregar uma cartilha a mulher que sofre com o problema dentro de sua residência. “Elas vivenciam isto no bairro delas, ninguém seria melhor para entender a gravidade do problema do que quem já sabe onde ele está”, explica.

O trabalho começou no bairro de Cidade Tiradentes, zona leste da capital paulista, com as agentes com o objetivo de levar adiante a recuperação da dignidade das mulheres. Fabíola destaca a parceria do Sebrae em seu projeto, que está oferecendo cursos gratuitos de empreendedorismo para que as vítimas de violência recuperem sua independência financeira. A história gerou um documentário: “Enfrentamento da Violência Doméstica pela Estratégia de Saúde da Familiar”, disponível no YouTube (https://www.youtube.com/watch?v=QSQekx-xY-8)

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Fabíola (à esquerda) compartilhou o prêmio com as agentes (credito: Gabriel Rodrigues)

A inspetora Elza Paulina, policial da Guarda Civil Metropolitana, foi convidada a fazer parte do Projeto Guardiã da Maria Penha, que dá proteção e segurança para que mulheres agredidas por seus ex-companheiros recebam um pouco de dignidade e respeito. Ele classificou o empoderamento feminino como “uma vitória” e explica que “cada um pode fazer a sua parte” para contribuir na causa. Elza apresentou para a plateia um documentário com mulheres atendidas por sua equipe:  https://www.youtube.com/watch?v=I3OLhOyPAVA .

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Elza Paulina ((à direita) do Projeto Guardiã Maria Penha

A ativista da causa da mulher que atua no Instituto Avon, Mafoane Odara, comentou sobre um exemplo de racionalidade: ter o hábito de dar um pouco de alimento para cada pessoa em situações de escassez, para que ninguém fique sem comida. A atitude foi chamada por ela de sentimento de nação: “A gente é ensinado que só ganhamos quando o outro perde, mas está errado. Só vamos ganhar quando todos ganharem”. Mafoane diz que o empoderamento deve ser individual: “Ninguém empodera ninguém, as pessoas se empoderam, mas é preciso dar as ferramentas certas”.

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“Levo minha filha em todas as reuniões. É um ato político”, afirma Mafoane Odara

Ana Cláudia, conselheira da Organização de Cegos do Brasil, se define como uma mulher vitoriosa. Após ultrapassar as barreiras da invisibilidade social, se formou pedagoga. Hoje, comemora a conquista e reforça o exercício da cidadania plena. A militante, que também defende a causa na Secretaria da Pessoa com Deficiência, em São Paulo, trabalhou na área da educação por 20 anos.

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Laura (4ª esquerda-direita) e Ana Cláudia (à direita) representam as partes mais invisibilizada da militância: a deficiência e a trans

Laura encerrou a noite falando sobre a realidade da mulher trans, ainda muito marginalizada devido à intolerância dos brasileiros. O maior país da América do Sul está no topo do ranking de mais mortes de travestis no planeta. Para ajudar nesta causa, Laura decidiu criar um programa de reintegração, que dá incentivo às mulheres a concluírem seus estudos. O foco é tirá-las da prostituição: “A sociedade as colocou ali, quando uma família as expulsa de casa, elas não têm outra saída”, explicou.

 

[1] Aluno do segundo semestre de Jornalismo e estagiáriaoda Agência Integrada de Comunicação (AICom)

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

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