Dia Mundial da Limpeza promove reflexão ambiental e cidadania

Núcleo do Meio Ambiente (Nema) do FIAM-FAAM recruta alunos como voluntários no Dia Mundial da Limpeza no Parque do Ibirapuera

Milena Wiltemburg Pochini [1]

Edilaine Felix [2]

Em pouco mais de uma hora, cerca de 150 voluntários retiraram toneladas de micro lixo às margens da marquise do Parque do Ibirapuera, no dia 15 de setembro, Dia Mundial da Limpeza. A ação organizada pelo Instituto Limpa Brasil, que com apoio do Núcleo de Estudos do Meio Ambiente (NEMA) do FIAM-FAAM, é um alerta para a quantidade de lixo que não é descartado corretamente, e o impacto que tem causado para a fauna e flora do parque.

O movimento Let’s do it começou em 2008, na Estônia. A população local estava incomodada com resíduos em diversos pontos do país, principalmente oriundos da construção civil, e decidiram se juntar para resolver o problema. Uma parcela pequena da população se organizou através de um aplicativo, e criaram o movimento Let’s do it – vamos fazer isso, em português – e limparam o país em cinco horas. No Brasil, a ação também ocorreu em outros pontos de São Paulo, Recife, Salvador e Fortaleza.

No Parque do Ibirapuera o evento teve o apoio do Complexo Educacional FMU|FIAM-FAAM, Universidade Anhembi Morumbi, Deloitte, Escoteiros K2, Igreja Mormon, Casa Causa, Ecobairro, Atento Brasil.

Ativismo

Talitha Araújo, 22 anos, aluna do curso de engenharia ambiental e sanitária da FMU, ativista na área ambiental no Instituto Limpa Brasil e é uma das organizadoras do evento, propôs aos participantes que compreendessem que é necessário que a responsabilidade pelos resíduos seja compartilhada: “a sociedade não encara que ela é responsável. A gente tem que quebrar paradigmas e comunicar, seja em áreas de periferia ou centrais, precisamos deixar a informação mais explícita”.

Após os participantes recolherem os resíduos, o lixo foi acumulado em um local e exposto para ser discutido e separado. A ativista explica que “esse é um exercício para gente enxergar o lixo e saber que ele está presente”.

Talitha Araújo
Talitha Araújo, aluna do curso de engenharia ambiental e sanitária da FMU, ativista na área ambiental no Instituto Limpa Brasil (crédito:

Rita Ribas, professora do curso de Relações Públicas do FIAM-FAAM e coordenadora do NEMA, engajou os alunos a participarem do evento  para estimular a compreensão sobre os resíduos que ninguém vê. “Precisamos ressignificar o nosso olhar para que possamos entender que esses pequenos lixos são muito prejudiciais aos animais, ao parque, e à cidade”, diz e completa que o consumo exagerado “ nos leva ao fim da própria espécie”.

A professora critica a forma como lidamos com os recursos naturais, e a compulsão por consumir que se estabeleceu nas últimas décadas. “A gente entrou em uma sociedade de consumo muito grande, então achamos que tudo é para nós, seres humanos. Somos egoístas e nos distanciamento da natureza”.

Rita Ribas
Professora do curso de RP e coordenadora do Núcleo de Estudos do Meio Ambiente do FIAM-FAAM (crédito: Milena Wiltemburg Pochini)

“O lixo é meu, e eu cuido dele”

Maria Sandra de Araújo, 40 anos, aluna do FIAM-FAAM no curso de Relações Públicas, formada em Gestão Ambiental, explica que o brasileiro culturalmente nunca se preocupou com a questão do lixo. “Achamos que afastar lixo da nossa casa é suficiente. A gente não tem a noção do efeito que o lixo vai causar no meio ambiente”.

Bertules Santos, 21 anos, aluno do 6º semestre de Relações Públicas, desde sempre compreende seu papel de conscientizar as pessoas ao seu redor. Para ele, a sociedade tem um dever, e o dele é servir à sociedade. “Futuramente quero ter filhos, então nada mais importante do que eu me conscientizar para conscientizar minha família também. Isso é fundamental. Para que exista um mundo melhor, temos que ser melhores para o mundo.”

O impacto causado pela exposição do lixo após a ação foi positivo para o estudante, mas ele acredita que ainda faltam ações e que o governo precisa apoiar esses movimentos organizados por universidades e ONGS. “A sociedade precisa ter consciência, mas também precisa ter apoio governamental para que isso aconteça. Essa relação é importante”.

A união faz a força

Diversos grupos estiveram presentes na ação, engajando crianças e jovens para aprender na prática a preservar o ambiente. Membro do grupo de Escoteiros K2, a adolescente Sophie Faria conheceu o evento através do Facebook e indicou aos seus líderes para fazer parte de uma ação habitual do grupo chamado “multicom”, mutirão comunitário. A conservação dos espaços é fundamental para o grupo da jovem Sophie “um dos nossos lemas é: deixe sempre o lugar mais limpo do que você encontrou”.

Chefe de um dos segmentos do grupo de escoteiros, Silvia Faria compreende que “aprender fazendo” é um dos métodos educativos utilizados para engajar as crianças e fomentar a evolução do aprendizado.

Membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Mormon) também estiveram presentes. Jovens e adolescentes souberam do evento através da liderança, e foram acompanhados pelo bispo José Roberto Filho, que os incentiva a serem protagonistas e conscientes sobre seu papel. “Sempre temos esses projetos de serviço. Geralmente eles são de limpeza de algum lugar”, diz.

Para Natalia Souza, 16 anos, é a partir dessas ações que começamos a passar isso para as pessoas ao redor. “A ideia é que a gente saia pensando: ‘nossa, as pessoas jogam muito lixo no chão’”. Por sua vez, Helena Ureta, 15 anos, acredita que a ação pode também impactar as pessoas que ficam apenas observando “eles podem olhar e refletir sobre as próprias atitudes”.

Educação e cidadania

Reinaldo Canto, ativista do Limpa Brasil, professor, consultor, palestrante e especialista em meio ambiente, acredita que “educação e cidadania” são fundamentais para consolidar a participação das pessoas e também das empresas.

“Existem algumas que querem trabalhar a sua imagem, outras estão começando a ter uma consciência devido à necessidade de sobrevivência do seu próprio negócio. As empresas estão conscientes, porém, talvez a velocidade dos problemas esteja aumentando mais do que a velocidade da consciência”, diz Canto.

No sentido horário: Thalita explicando sobre o evento, pessoas recolhendo lixo, equipe da Igreja Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e lixo recolhido na ação, (crédito: Milena Wiltemburg Pochini)

Fique atento!

Para evitar reduzir o impacto no meio ambiente, siga sempre esses passos:

1: Repensar seus hábitos de consumo

2: Reduzir o consumo

3: Reutilizar o material sempre que possível

4: Reciclar

NEMA – FIAM-FAAM

O NEMA existe desde 2015, e está sob a orientação da professora Rita Ribas. Caso você queira participar do Núcleo de Estudos do Meio Ambiente, basta enviar um e-mail para rita.ribas@fiamfaam.br , contendo nome completo, RA, curso, período e disponibilidade.

 

[1] Aluna do sexto semestre de Jornalismo e estagiário da Agência Integrada de Comunicação (AICom)

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

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