Difícil rotina do estudante prejudica a participação em atividades acadêmicas

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Mesmo sabendo da importância da conscientização nos tempos atuais, a falta de interação por parte dos alunos em atividades extras ainda é baixa

Por Mateus Lima Santos [1]

Carla Tôzo [2]

 

Fake news, guerras ideológicas, aumento do feminicídio, políticos com ideias antiquadas em pleno século XXI, xenofobia, preconceito e a constante luta da mulher pela igualdade… É só olhar o cenário atual e perceber a importância da interação entre as pessoas, a troca de informações, a necessidade do SABER para mudar posturas ou até mesmo entender questões essenciais para uma sociedade mais consciente.

Conscientizar significa “tornar(-se) consciente de; fazer(-se) sabedor;” portanto, essa continua sendo a melhor arma para alcançar mudanças, ainda mais dentro de núcleos acadêmicos que debatem a realidade do universitário e toda as influências sociais na vida do estudante.

Mesmo assim, nas últimas semanas os DCEs (Diretórios Central de Estudantes) e coletivos do Complexo Educacional FMU|FIAM FAAM promoveram rodas de conversa sobre diversos temas como “Nenhuma a Menos: Ninguém Merece ser Estuprada”, abordando questões relacionadas ao feminicídio e tiveram baixa participação. Muitos alunos passaram, pegaram panfletos, mas não ficaram para a reflexão.

Bárbara Quenca, presidente do DCE do curso de Direito da FMU, relata que o intuito dessa roda era trazer informações de apoio jurídico e psicológico, mostrar trajetos mais seguros das Estações de Metrô até o campus, além de passar o número do atendimento à mulher, o 180. “Mesmo com a importância acho que as pessoas estão alheias, falta interação”, disse.

A falta de interação e participação pode ocorrer por inúmeros motivos. É uma rotina corrida de trabalho, vida social, pessoal. Assim, a relação com a universidade acaba sendo mais “profissional”. “Acredito que minha relação com a faculdade seja mais profissional porque acabo não tendo tempo livre para participar de projetos, rodas de discussões e outras atividades que não sejam obrigatórias, por conta do trabalho. ”, cita Guilherme José Ribeiro, 22, estudante do 7° semestre de Jornalismo.

Quem também pensa assim é Bruno Daniel Meirelles, 24, estudante de Jornalismo. “A impressão que dá é que o modelo de ensino é feito para quem somente a tem como prioridade e não precisa trabalhar, por exemplo. É um excesso de coisas para fazer/cumprir”.

Ambos nunca participaram de uma roda de conversa ou debate, que não fosse obrigatório na Faculdade. Já Mayara Gomes Figueiredo, 28, que estuda na mesma sala de Bruno e Guilherme foi a única entrevistada que já participou de alguma roda organizada pelo DCE e/ou do coletivo feminista. “Sempre que posso participar de alguma atividade ‘extra classe’, eu participo. Inclusive, o coletivo [feminista] eu ajudei a fundar, mas como tranquei a faculdade as demais meninas deram continuidade Agora que retornei estou na monitoria de rádio e antes mesmo já fiz matérias por conta própria para que circulassem nos veículos da faculdade”, conta a futura jornalista.

[1] Aluno do sétimo semestre de Jornalismo e estagiário da Agência Integrada de Comunicação (AICom)

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

 

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