Mundo tem 68,5 milhões de pessoas deslocadas

Tendências Globais do ACNUR foi apresentado em evento com apoio e participação do Complexo Educacional FMU | FIAM-FAAM

Por Redação AICOM [1]

Vídeo: Laura Yoko [2]

Dados do relatório anual de Tendências Globais divulgados pelo ACNUR (Alto Comissariado das Nações para os Refugiados) nesta terça-feira, dia 19, mostra que pelo menos 68,5 milhões de pessoas deslocadas por guerras, violências e perseguições até o final de 2017.

O relatório foi apresentado durante o I Encontro Internacional e II Encontro Estadual de Migração e Refúgio, com apoio e participação da Escola de Comunicação, Educação, Artes, Design e Moda do Complexo Educacional FMU | FIAM-FAAM.

De acordo com o documento, em 2017 foram feitos 16,2 milhões novos deslocamentos de refugiados. Desse total, 85% estão em países em desenvolvimento e mais da metade, 58%, vivem em áreas urbanas.

Das pessoas deslocadas a força, 6 milhões são da Síria, 2,6 milhões da África, 2,4 milhões do Sudão do Sul, 1,2 milhão são de Myanmar, 986 mil da Somália, e 63% das pessoas refugiadas ao redor do mundo moram em apenas 10 países.

O representante-adjunto do ACNUR no Brasil, Federico Martínez, ressalta que esses números são uma das razões pelas quais a entidade trabalha por um novo pacto global. “O ACNUR trabalha para fazer frente a esta nova realidade”, diz.

Pela primeira vez o relatório de Tendências Globais do ACNUR fez um capítulo separado para crianças refugiadas. De acordo com o documento, mais de 45.500 pedidos foram feitos por crianças separadas ou desacompanhadas. Mais de 12 mil delas são menores de 14 anos e a Itália lidera os pedidos de refúgio.

América Latina

O Brasil é o país da América Latina que mais recebe pedidos de refugiados. Os venezuelanos são os que mais solicitaram a condição de refugiados, até abril de 2018, foram 32 mil solicitações, além desses mais 15 mil têm recebido a permissão de residência para morar no País, informou Federico Martínez, durante o evento.

Em 2017, os venezuelanos registraram 111.600 solicitações de asilo no Brasil, já em 2016 foram 34.200 pedidos e em 2015, o número foi de 10.200.

“Estamos trabalhando (ACNUR), com autoridades federais para ter processos mais eficientes. É um desafio, pois existe um aumento significativo de quem precisa e pede apoio, e estamos buscando maneiras de corrigir essas solicitações”, diz Martínez.

O representante-adjunto do ACNUR no Brasil conta que a instituição tem um orçamento de 60 milhões de dólares para dar assistência e respostas a essa causa humanitária.

São Paulo

A cidade de São recebe 50% dos refugiados no Brasil. Dados do Sincre (Sistema Nacional de Cadastro e Registro de Estrangeiros), da Polícia Federal e do Ministério da Justiça mostram que entre os anos 2000 e 2016 a capital paulista recebeu 2.582 refugiados reconhecidos.

LEIA MAIS: Durante o evento, FMU assina acordo com ACNUR em prol dos refugiados

África do Coração

Para Jean Katuma Mulonday, presidente da ONG África do Coração, que presta trabalho de assistência social e atua na promoção da integração social dos refugiados e imigrantes, os refugiados não precisam só de comida e arte. “Queremos estar na pauta para acompanhar a integração”, diz.

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Rosana Baeninger, Unicamp; Marcio Fernando Elias Rosa, secretário de Justiça do Estado de São Paulo, Federico Martinéz, representante-adjunto do ACNUR no Brasil e Jean Katuma Mulonday, presidente da ONG África do Coração. (crédito: AICOM).

Jean destaca que o problema de língua já foi solucionado, com cursos, mas segundo ele, ainda há problemas de documentação, de validação de diplomas, que precisam estar em pauta. “Temos dificuldades para ser reconhecidos, temos problemas com vizinhos. Tem preconceito, discriminação, xenofobia. Precisamos de uma campanha de solidariedade, de vizinhos para nos dar ajuda”, deseja.

“Em Refúgio”

Durante o evento foi exibido o filme “Em Refúgio – um documentário sobre possibilidades”, dirigido pelo professor do FIAM-FAAM Piero Sbragia. Realizado pelo Complexo Educacional FMU com o ACNUR e apoio da Segundas Estórias Filmes, o documentário conta com 90% da equipe formada por alunos da Escola de Comunicação do FIAM-FAAM – Centro Universitário.

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Da direita para esquerda: Vicente Darde, gerente acadêmico da Escola de Comunicação, Educação, Artes, Design e Moda, coordenador dos cursos de Jornalismo e Relações Públicas; reitor do Complexo Educacional FMU| FIAM-FAAM, Manuel Nabais da Furriela, e professor dos cursos de Jornalismo e Rádio e TV do FIAM-FAAM, Piero Sbragia. (crédito: AICOM)

Com duração de aproximadamente 20 minutos, o filme acompanha a rotina de três personagens em refúgio no Brasil, na busca por um futuro melhor. Talal é engenheiro e fugiu da Guerra na Síria com sua família. Ele está estudando na Faculdade de Engenharia da FMU para conseguir a validação de seu diploma no Brasil. Carlos é jornalista e deixou a Venezuela depois de ser sequestrado e ameaçado de morte. No Brasil, trabalha como assistente de cozinha e ainda tem esperanças de trazer toda sua família para cá. Lara é de Moçambique e pretende se naturalizar brasileira. Ela quer casar e construir uma família aqui, longe dos problemas de sua terra natal.

Confira a reportagem em vídeo sobre o evento e o lançamento do documentário:

 

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