Comunidade unida ajuda a melhorar a segurança do bairro

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Ruas desertas, falta de iluminação e de fiscalização foram as reclamações mais comuns de moradores, trabalhadores e estudantes do Morumbi; Conseg e Vigilância Solidária são alternativas

Por Vitoria Rondon [1]

Edilaine Felix [2] 

Uma pesquisa elaborada em 2016 pelo Pnud, órgão das nações unidas, em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Fundação João Pinheiro, apontou que a cidade de São Paulo esta em trigésimo segundo lugar no ranking das melhores cidades para se viver no Estado de São Paulo.

O estudo leva em consideração as áreas de educação, renda, expectativa de vida e grupo dos municípios com Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) considerado “muito alto”.  No entanto, o IDHM não mede exatamente a qualidade de vida e nem os índices de criminalidade.

De acordo com pesquisas elaboradas pela SSP (Secretaria de Segurança Publica) o número de furtos registrados na capital cresceu 2,4% em comparação com fevereiro deste ano e o mesmo mês de 2017, sendo que no ano passado foram registradas 18.323 ocorrências, enquanto em 2018 os números subiram para 22.852.  No entanto, o total de roubos recuou de 12.493 para 11.622.

Este desnível entre roubos e furtos é notável na região do Morumbi, local que de acordo com pesquisas do “Bairro a Bairro” do Estadão é considerado o trigésimo oitavo mais violento em furtos, com aproximadamente 160 casos, enquanto 138 das ocorrências são direcionadas a roubos.

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Ruas desertas deixam moradores, trabalhadores da região amedrontados. (crédito: Vitoria Rondon)

Segundo moradores, trabalhadores e frequentadores da região o período da manhã é tranquilo, porém de noite a situação se complica. Segundo o site “Onde fui roubado”, 67% das ocorrências de crimes foram registradas à noite.  Vale ressaltar que o website apenas apresenta dados de ocorrências registradas na própria pagina, sendo assim os índices ainda podem ser mais elevados.

Insegurança

Ruas desertas, falta de iluminação e fiscalização foram as reclamações mais comuns, além da insegurança no ponto de ônibus que por unanimidade foi destaque.  Estudantes da região, como Isabella Torres e Laís Almeida relataram que alguns de seus colegas já tiveram seus pertences levados por criminosos enquanto aguardavam no ponto de ônibus na Avenida Professor Francisco Morato.

“Um grupo de meninas tinham acabado de sair da faculdade, no período da noite, e estavam num ponto da avenida Cidade Jardim, quando chegaram dois caras armados pedindo os celulares, elas estregaram e depois os dois fugiram”, conta a estudante Laís.

Isabella também contou que uma de suas colegas aguardava no ponto de ônibus da mesma avenida e não percebeu quando mexeram em sua bolsa e levaram seu celular.

Romário Santana trabalha como supervisor de loja na região há três anos e nos relatou um caso de furto na mesma avenida. “Ele estava esperando o ônibus no ponto quando o indivíduo o abordou e pediu a carteira, ele entregou e o assaltante foi embora, poucos minutos depois policiais passaram no local e prestaram assistência”, lembra Santana.

“Em um dos casos eu estava com um amigo perto do metrô Butantã e um homem abordou a gente perguntando exatamente aonde era a estação de  metrô e quando nós falamos ele anunciou que era um assalto e levou nossos celulares”, revela a estudante Priscila Alves.

Ponto de ônibus da Avenida Professor Francisco Morato (crédito: Vitoria Rondon)

De acordo com pesquisas elaboradas a partir de dados da SSP e analisadas pelo Sou da Paz Analisa, a “saidinha de banco”, ato no qual os criminosos abordam as vítimas ao deixarem agências bancárias, cresceu 171% em todo o estado de São Paulo em comparação entre 2015 e 2016. Juber Soares, que trabalha na região há dezessete anos foi uma das vítimas no Morumbi.

“Eu estava saindo do banco e tinha sacado um dinheiro para pagamento, peguei o carro e segui o meu caminho, quando parei em frente o shopping Iguatemi, fui abordado pelos assaltantes que conseguiram levar o dinheiro”, conta Soares que não registrou boletim de ocorrência.

Comunidade atuante

Com o anseio de diminuir a criminalidade do local, em 1993 foi instalado um Conselho de Comunidade e Segurança (Conseg).  Criado pelo Governador de São Paulo André Franco Montoro em 1985, o Conseg é formado por um grupo de pessoas de um mesmo bairro ou município que se reúne para discutir, analisar e acompanhar a solução de seus problemas comunitários de segurança, além de ser uma unidade de apoio a Polícia Estadual nas relações comunitária vinculada a Secretária de Segurança Pública.

Ao todo existem 476 Consegs no estado de São Paulo, 84 estão na capital, 55 na região metropolitana e 337 no interior e litoral.

De acordo com João Jaouiche, diretor do Deseg (Departamento de Segurança) quem tiver interesse em instalar um Conseg deve procurar a Delegacia de Policia Civil mais próxima para saber sobre a área de abrangência. “Depois é preciso definir quem serão os representantes daquela parcela da sociedade (presidente, vice-presidente e diretores). Tudo está formalizado e regulado em uma Resolução emendada pela Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo.”

Depois de formado o Conseg, os moradores do bairro/município elegem um representante que participará em todas as reuniões periódicas e apresentará as reinvindicações locais, que serão levadas para os órgãos responsáveis da área de abrangência.

O diretor do Deseg informa que as reinvindicações mais frequentes são as relativas à zeladoria, envolvendo a Prefeitura Regional, e de segurança, da ordem das Policias Militar e Civil.

A vice-presidente Júlia Titz de Rezende destaca o baile funk, roubos a residências e a moradores em trânsito no bairro, como os assuntos mais urgentes a serem resolvidos no bairro. Os usos inadequados das áreas e a iluminação pública são outras solicitações feitas pelos moradores.

Com relação aos projetos que o Conseg desenvolve e a participação da população Jaouiche diz: “Um dos projetos de maior amplitude e participação da população é sem dúvidas, o de Vizinhança Solidária. Trata-se de um programa orientado pela Policia Militar, no qual os moradores se organizam e passam a adotar práticas preventivas de comportamento e convivência, melhorando o ambiente, trocando e fornecendo informações às autoridades e assim aumentando a sensação de segurança de seu bairro”.

Segundo Júlia, o projeto é um dos que mais tem abrangência. “O programa de vizinhança solidaria é o que mais temos difundido no momento. É um trabalho conjunto de fortalecimento e organização da comunidade com a PM. Tem funcionado como um mecanismo eficiente contra o crime e a violência, principalmente na busca de soluções para a melhora da qualidade de vida com segurança.”

 

[1] Aluna do terceiro semestre de Jornalismo e estagiária da Agência Integrada de Comunicação (AICom)

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

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