Mercado plus size projeta crescimento de 8,1% em 2018

Segmento ainda representa apenas 5% do varejo brasileiro

Por Izabella Bianco [1]

Edilaine Felix [2] 

Existe um mercado de moda que cresce a cada ano, mas ainda é pouco explorado, o plus size. Em 2017, esse mercado cresceu 7,9% e teve uma arrecadação de R$ 7,1 bilhões, e a expectativa para esse ano é um crescimento de 8,1%. A Associação Brasil Plus Size (ABPS) projeta que este mercado chegue, em cinco anos, em uma receita de R$ 20 bilhões. Mas os números estão muito abaixo do verdadeiro potencial da moda plus size: existe mais de 100 milhões de potenciais consumidores no Brasil, porém, o segmento representa apenas 5% do mercado de varejo.

Mesmo sendo um mercado em crescimento e com forte potencial, o preconceito e o receio de entrar nesse nicho ainda reinam no âmbito empresarial. “Esse tipo de preconceito não pode estar na cabeça do empresário.  Tem alguns que têm certas restrições, só vendem até o tamanho 52, porque acham que desse número para frente já é um patamar em que a pessoa tem que se tratar, emagrecer e vestir tamanhos menores. Mas não é tão simples assim”, afirma Marcela Elizabeth, vice-presidente da ABPS. Foi a partir desse preconceito vivido que muitas marcas nasceram.

Marcas especializadas

Consultora de moda, empreendedora e consumidora plus size, Beatriz Celaya viu o seu problema como oportunidade para atender mulheres com a mesma necessidade que a sua: encontrar roupas plus size modernas, com personalidade e estilo. Assim nasceu o projeto de uma loja online multimarcas. “Vi que ainda sentia falta de peças modernas, com informação de moda e que abrangesse uma grade mais ampla. Daí nasceu a primeira coleção da Zuya+size. Desde então a marca teve grande aceitação e trabalhamos exclusivamente com ela.” A marca possui uma personalidade bem definida e marcante, além disso, Bia aposta em estampas diferenciadas e exclusivas. A Zuya+size ainda não completou dois anos, mas a produção por coleção tem duplicado, assim como as vendas.

Renato Gabel, que trabalhava com representação comercial de roupas, decidiu sair da empresa em que trabalhava e criar seu próprio negócio. Mesmo não tendo formação em moda, mas em negócios e publicidade, optou pelo segmento de moda, porque já estava inserido no mercado e já tinha um conhecimento razoável. Assim nasceu a Iguana Eco, marca sustentável que vende camisetas para todos os tamanhos. A marca vende apenas camisetas, mas suas peças são feitas com algodão orgânico e malha ecológica pet, além disso, as estampas são desenvolvidas por artistas do mais diversos backgrounds: grafiteiros, designers gráficos e ilustradores.

Mas o principal diferencial da marca Iguana Eco é o preço: “em uma pesquisa pelo mercado, vi que as marcas que atendiam a todos os tamanhos ainda faziam distinção entre os consumidores, colocando preços mais altos nas peças plus size. Decidi mudar isso. Lutamos tanto para acabar com o preconceito sobre nossa forma física, porque ainda diferenciar pelo preço?”

E-commerce

Foi também pensando em investir no mercado plus size que Sylvia Sendacz e as irmãs Cristina e Cynthia Horowicz, em 2012, tiveram a ideia de criar um site multimarcas com diversas categorias de roupas: lingerie, moda praia, moda para dormir, botas sob medida, etc. tudo que atendesse a mulher que veste acima do 46. Atualmente, a Flaminga tem em torno de 50 marcas, sendo que uma dela é a Creare, marca idealizada pela Cristina, e vende peças femininas e masculinas.

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Cynthia Horowicz e Sylvia Sendacz participam da Pop Plus (Crédito: Divulgação Facebook Flaminga / Pop Plus)

Sylvia acredita que o mercado plus size tem crescido nos últimos anos: “as marcas estão acordando para esse nicho. Ainda tem muito a crescer. O desejo de uma mulher que veste uma numeração maior é ter a mesma oferta de roupas que a mulher que veste até o 38. É chegar em qualquer loja e não ter que procurar por uma sessão específica plus size. É ter aquela marca que ela admira oferecendo roupas para ela”.

Como sócia de um dos maiores marketplace de plus size, Sendacz diz que a internet e os bazares especializados facilitam bastante a busca por roupas plus size, mas que os consumidores ainda sentem muita falta de entrar em qualquer loja em um shopping e poder ser atendido sem ter que ouvir “não temos roupa do seu tamanho”, e não sofrer gordofobia.

Atualmente, a C&A tem uma parceria com a Flaminga, mas a roupas estão escondidas em meio a uma extensa variedade de peças e categorias no site, não tendo o mínimo destaque.

O maior evento de moda Plus Size

Em dezembro de 2012 aconteceu a primeira edição do Pop Plus: feira de moda e cultura plus size que acontece quatro vezes por ano em São Paulo. O evento foi e ainda é idealizado pela jornalista, empresária e DJ, Flávia Durante.

Segunda Flávia, o evento “surgiu da minha própria necessidade de encontrar uma moda autoral e contemporânea, o que não existia no mercado plus size na época. Era tudo pensado para disfarçar o corpo gordo de alguma forma. Sentia falta de ousadia, criatividade e inovação neste mercado e com o Pop Plus estamos continuamente buscando isso”.

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Flavia Durante. (crédito: Divulgação Facebook Pop Plus

Se durante muito tempo o mundo fashion podou o gosto das mulheres plus size e não ofereceu alternativas, agora elas começam a ter espaço para se interessar por moda. De acordo com Flávia, estas mudanças só ocorreram porque as mobilizações aconteceram de dentro para fora. “Se fosse pelo mercado da moda, as mulheres gordas ainda estariam vestindo sacos de batata. Os corpos são diferentes, mas os gostos, muitas vezes, são os mesmos. Queremos qualidade, informação de moda, estar bonita e nos sentir bem. Os anseios são os mesmos das mulheres magras”, afirma. O que ela proporcionou não foi apenas um lugar de compras, mas uma oportunidade para mulheres se enxergarem, restabelecerem sua confiança e sentirem orgulho de seus corpos.

A próxima edição do Pop Plus acontece dias 16 e 17 de junho, no Club Homs (Av. Paulista, 735) das 11h às 20h, tem entrada gratuita e contará com 75 marcas, de roupas femininas e masculinas, calçados, acessórios e comida.

 

[1] Aluna do quarto semestre de Jornalismo.

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

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