Mais de 7 milhões de brasileiros realizam trabalho voluntário

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), de 2017, mostram que as mulheres fizeram mais trabalho voluntário que os homens

Por Tainá Balduino

Edilaine Felix

“Eu gostaria de falar alguma coisa impactante e inspiradora, mas não tem segredo: para ser voluntário, tem que sentir, tem que ser de coração. Você tem que acreditar e querer ajudar o próximo”, diz o estudante de jornalismo Guilherme Fernandes, que realizou voluntariado no Instituto Curumim, que trabalha com crianças e adolescentes em vulnerabilidade social.

“Muitas [crianças e adolescentes] vieram de diferentes cenários e, por isso, foram tiradas de seus lares. Foi inspirador ver todas elas tentarem uma vida nova mesmo passando por diversas situações críticas. ” Fernandes conta que ajudou na construção de uma biblioteca e de uma brinquedoteca para o instituto.

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) entre 2016 e 2017, o percentual de pessoas que realizaram trabalho voluntário cresceu de 3,9% para 4,4%, chegando a 7,4 milhões de pessoas de 14 anos ou mais realizou algum tipo de trabalho voluntário.

A pesquisa mostra ainda que, proporcionalmente, as mulheres fizeram mais trabalho voluntário que os homens – 5,1% delas, contra 3,5%) deles. O estudo aponta também que, quanto maior o nível de instrução, maior a taxa de realização: 2,9% das pessoas sem instrução ou com ensino fundamental incompleto realizaram trabalho voluntário, já entre as pessoas com superior completo o percentual foi de 8,1%.

Incentivo e benefícios 

Cristina Stoll, nova-iorquina, que participou como voluntária da produção de Audiolivros para Fundação Dorina Nowill aqui no Brasil, diz que o ato teve grande impacto em sua vida. “Foi minha primeira experiência em ajudar pessoas com deficiência visual. Esse ato me deu coragem para me mudar para o Ceará e lá, realizar um voluntariado bem mais intenso na Associação Morcegos em Ação”, conta.

Após a mudança para o nordeste, a nova-iorquina aprendeu braile (sistema de leitura para cegos) e também a como ensinar inglês para cegos. Tais aprendizados fizeram com que Cristina deixasse o trabalho como editora de livros digitais para formular um projeto de tecnologia assistiva às pessoas com deficiência visual.

“Às vezes, pensamos que é necessário ir para o outro lado do mundo para ajudar pessoas, mas na verdade, devemos começar no nosso próprio bairro. Sempre tem alguém precisando de nossa ajuda”, explica Cristina.

Para a estudante de fisioterapia, Joyce Souza, que foi voluntária na Creche Naval do Lar Escola Jêsue Frantz, que atua para a inclusão e transformação social, nos municípios de Diadema e São Bernardo do Campo, no Grande ABC, São Paulo, dentre os benefícios causados pela ação, o mais motivador é o bem-estar e a sensação de ser útil.

A falta de divulgação das possibilidades de voluntariado também contribui para que poucas pessoas tenham conhecimento sobre as atividades realizadas às comunidades. “A maioria dos meus amigos dos Estados Unidos faz voluntariado. Aqui, no Brasil, é a minoria. Nos Estados Unidos, as empresas e as escolas nos incentivam a fazer voluntariado, enquanto você está trabalhando ou estudando”, conta Cristina.

Por lá, Cristina trabalhou em uma editora de livros, que tinha parceria com a escola pública do bairro. Ela conta que, uma vez por semana durante o almoço os funcionários  liam livros para as crianças na escola, isso para incentivar à leitura.

 

[1] Aluna do quinto semestre de Jornalismo e estagiária da Agência Integrada de Comunicação (AICom)

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

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