Paraisópolis ganha escola de moda certificada pela USP

Projeto social ajuda jovens de periferia que querem entrar no mercado da moda

Por Natalia Soares [1]

Edilaine Felix

Alex Santos, estilista e Nilson Mariano, produtor cultural e psicólogo, sonhavam em tornar a moda mais acessível para aqueles que não tem oportunidades. E o sonho deles deu início ao projeto“Periferia Inventando Moda” (PIM) em Paraisópolis. Um projeto social que disponibiliza oficinas de passarela, maquiagem e fotografia. Em novembro de 2017, o PIM atravessou as fronteiras da zona sul ao levar 30 alunos do curso de passarela para participar do evento cultural da Universidade de São Paulo (USP).

Segundo eles, é comum ver jovens da periferia não poderem estar no casting de agências de moda porque  não podem pagar pelo ensaio fotográfico. Incomodado com esta situação, em 2014, enquanto cursava o segundo ano de graduação em Design de Moda, Santos resolveu fazer um projeto que pudesse inserir pessoas que, assim como ele, enfrentavam dificuldades sociais e financeiras para entrar no universo da moda, assim nasceu o PIM;

Clotilde Perez, chefe do Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo da USP, ficou deslumbrada com a habilidade dos modelos e concedeu uma bolsa de pós-graduação a eles. Mas a proposta não deu muito certo pois apenas um dos alunos possuía ensino superior completo, exigência para poder cursar uma especialização na universidade.

Com isto nasceu uma parceria e o projeto social se transformou, em março deste ano, uma escola de moda certificada pela USP. O projeto ganhou um prefixo no nome e passou a se chamar UniPIM, oferecendo cursos de extensão gratuitos sobre temas como consumo e construção de marca, para qualificar principalmente os jovens que desejam empreender no universo fashion. A diretriz dos idealizadores e da USP é dar o conhecimento teórico mas, acima de tudo, preparar para o mercado de trabalho.

Para atingir esta meta a Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas em Moda (ABEPEM) dedica-se a parte pedagógica, enquanto a USP fica responsável pela área acadêmica e mercado. O propósito é transformar as oficinas em uma graduação pública em 2019.

Transformação e reconhecimento 

Empoderar e transformar são as palavras de ordem para Santos, que considera o PIM e a UniPIM caminhos para as pessoas da periferia se fortalecerem e reafirmarem suas identidades.

A estilista Letícia Cortes viu no projeto uma forma para a consolidação de sua marca de roupas, a Afrontosa. A marca surgiu em 2016, quando ela estava no processo de aceitar sua identidade como mulher negra, estava parando de fazer processos químicos para alisar o cabelo, por exemplo. Entrou no PIM no mesmo ano. Com a chegada da UniPIM, Letícia conseguiu enxergar um caminho para atingir o projeto de empoderar outras mulheres da periferia com o  seu negócio.

Alan, de 18 anos, se inspirou nos seus colegas do PIM para o seu processo de autoaceitação. Agora, com a UniPIM, ele sente que irá aprender tudo o que precisa para poder começar uma marca de roupas de hip-hop.

As oficinas da UniPIM estão acontecendo uma vez por mês no CEU Paraisópolis e pessoas de todas as periferias são muito bem recebidas. Para se inscrever basta acessar o site da escola https://projetopimsp.wixsite.com/unipim

 

[1] Aluna do terceiro semestre de Jornalismo e estagiária da Agência Integrada de Comunicação (AICom)

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

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