Locutores debatem os desafios da rádio comercial

Tecnologia, novos formatos e mercado de trabalho foram temas abordados no debate

Por Bruna Soares, Heloisa Vieira e Natalia Macedo [1]

Edilaine Felix [2]

O debate da noite de quarta-feira, 26, trouxe os radialistas Fernando Moreno, locutor da Rádio Gazeta FM e locutor comercial do SBT, Figueiredo Jr., um dos fundadores da rádio Estação I e Silmara Souza Melo, também locutora da Rádio Antena 1, para discutirem o tema “Rádio Comercial”. A mesa contou com a mediação do professor Júlio Moreno auditório lotado com alunos dos cursos de Rádio, TV e Vídeo,  Produção Audiovisual e Produção Multimídia.

Fernando Moreno, locutor do programa “São Paulo à noite”, na Rádio Gazeta FM, e das chamadas da programação da emissora de televisão SBT, ressaltou que a relação com o ouvinte é construída diariamente através de uma comunicação individualizada. “Sempre uso pronomes no singular, eu quero que o ouvinte saiba que eu falo especialmente para ele e que a minha única companhia está ali, do outro lado do rádio”, disse.

Interação entre ouvinte e locutor

Para Silmara, é através da tecnologia que o ouvinte consegue se aproximar do seu locutor preferido, pois ele pode ver sua imagem em livestream ou interagir pelas redes sociais, que contribuem para fortalecer ainda mais esses laços e fazer com que as ondas de transmissão deixem de ser um fator limitante.

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Silmara Souza Melo, locutora da Rádio Antena 1 (crédito: Yohan Pacheco)

Porém, mesmo com os benefícios da tecnologia, ainda há o público que não tem a imagem do locutor, como motoristas ou pessoas que estão ocupadas, apenas ouvindo o rádio. Isso faz com que os profissionais do meio necessitem de boa narração, ou seja, é fundamental saber interpretar o texto de rádio.

Um amor hereditário

Figueiredo Jr. lembra que ao ver seu pai, o radialista Dalton Figueiredo, na página de um livro comprado em um sebo ele entendeu um pouco mais sobre a história de seu pai no rádio e passou a admirá-lo ainda mais, tendo-o como maior inspiração para sua carreira. Para ilustrar as mudanças do rádio nas últimas décadas, o locutor levou instrumentos antigos da profissão, como um microfone de 1938, um gravador de 1982 da rádio Excelsior, que Fausto Silva utilizou na Copa do Mundo de 1982, e uma fita cassete da década de 1980, para mostrar aos alunos.

Formado em Rádio e TV, Letras e Jornalismo e pós-graduado em Publicidade e Propaganda, o radialista contou que buscou os estudos depois dos 27 anos de idade e incentivou os alunos a acreditarem no próprio trabalho. “Dediquem-se, invistam em vocês. E os jovens tem o diferencial que é a velocidade da internet e, além disso, a cabeça da geração Z, que processa muitas coisas rapidamente”, motivou.

O jornalista destaca as novas formas de fazer rádio estão surgindo, como o podcast, que faz parte da evolução do veículo, bem como a rádio web e as plataformas de comunicação. A maior adaptação que o rádio sofreu ao longo do tempo, segundo ele, é relacionada à velocidade da informação. “Hoje você tem a facilidade de poder transmitir ao vivo com o celular ou carregar um programa em um pen drive. Antes era complicado, precisava de um link, fita de rolo e muitas outras coisas”, lembrou.

Profissionais do mercado

Em relação à mulher no mercado de trabalho do rádio, Silmara afirmou que o gênero feminino precisa ocupar mais espaços e buscar ser mais versátil. Ela acredita que o mercado esteja abrindo mais possibilidades para as mulheres exercerem a função de locutora. “Acho importante dizer que devemos aceitar os desafios que a vida traz, mesmo que seja em uma função diferente.”

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Figueiredo Jr., um dos fundadores da rádio Estação I e Fernando Moreno, locutor da Rádio Gazeta FM e locutor comercial do SBT. (crédito: Yohan Pacheco)

Moreno ainda pontua que o profissional da área deve sempre ter em mente que a voz forte – apesar de importante – está longe de ser o único pré-requisito para o aluno que deseja ocupar uma vaga no ramo. “Agora é preciso acumular tarefas e fazer a locução enquanto opera a mesa. Por isso, é necessário investir sempre em conhecer o máximo de ferramentas possíveis”, disse. Ainda segundo ele, um fator relevante para ingressar na área é saber vender a palavra, ou seja, o conteúdo que estiver produzindo.

O professor do FIAM-FAAM, Marcos Nunes, por sua vez, complementa que um bom radialista deve ter acima de tudo pontualidade e organização. “No rádio tudo é muito rápido, se não tiver um método de condução eficiente, e nesse ponto incluímos até mesmo a entonação de voz necessária, perde-se todo o dinamismo e controle que o rádio exige.”

 

[1] Alunas do quinto semestre de Jornalismo e estagiárias da Agência Integrada de Comunicação (AICom)

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

 

 

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