Grande reportagem precisa de tempo e dedicação

Os jornalistas Bruno Chiarioni, Chico Felitti e Conrado Corsalette falaram com alunos sobre o gênero jornalístico durante a II Semana de Jornalismo

Texto: Heloisa Vieira, Natalia Soares e Rita Moura [1]

Vídeo: Thais Rabelo. Produção: Ana Luiza Antunes e Renan Ferreira [2]

Edilaine Felix [3]

A mesa da manhã desta terça-feira, 3, que teve como tema “Os novos contextos da grande reportagem” contou com a participação do jornalista Chico Felitti, do co-fundador e editor do Nexo Jornal, Conrado Corsaltte, e do editor executivo do Conexão Repórter do SBT e professor universitário, Bruno Chiarioni.

Mediada pelo professor do mestrado profissional em Jornalismo do FIAM-FAAM, Sílvio Anaz, os profissionais deram início ao debate com a opinião unânime de que a maior dificuldade de se fazer grande reportagem é a falta de financiamento, justamente por ser um gênero caro que demanda tempo e dedicação do repórter.

Citando os diversos programas de grandes reportagens existentes na TV brasileira, Chiarioni apontou a importância do conhecimento do processo de construção, planejamento de ideias e enquadramentos até o longo e exaustivo método de decupagem para o sucesso de uma grande reportagem. “Na TV é melhor ter uma história completa com 25 ou 40 horas de imagens gravadas, do que ter algo que você viu, mas não tem para mostrar”, disse.

Para o editor do SBT “é preciso ter um plano de voo, saber o que você vai contar, de que maneira vai traçar essa história, que tipo de capacitação precisa ter e como vai abordar o personagem.” Ele explica que antes de qualquer coisa, primeiramente deve ser feito a estrutura do processo de produção e depois estabelecer os prazos e os limites para que a reportagem seja executada.

Novo

Corsalette, por sua vez, pontuou que as ideias devem ser sempre originais, já que o jornalista busca sempre revelar coisas que ainda não foram contadas. A busca pelo novo deve ser feita usando as ferramentas que o jornalista possui naquele momento, seja contando algo realmente atual ou então dando uma abordagem ainda não feita.

O editor do Nexo relata também que antes de pensar no futuro do jornalismo é preciso parar, dar dois passos atrás e reorganizar o debate de como a notícia está sendo feita, pois em algum momento da história jornalística perdeu-se essa capacidade de falar com o público, e este é justamente o papel do Nexo. Segundo ele, as notícias devem ser dadas com clareza, obedecendo e deixando nítido o seu contexto, buscando assim novas maneiras de se contar a história.

Confira o vídeo do evento:

“Jornalismo de samurai”

Felitti gosta de nomear o seu estilo de trabalho como o de “jornalismo de samurai”, no qual movido pelo instinto e paixão vai às ruas sozinho em busca de histórias e não se priva do processo de criação de laços com os seus personagens. “Não acredito em impessoalidade neste tipo de matéria, não tem como pedir tanto da pessoa por meses sem dar nada em troca.”

O jornalista ainda diz que, apesar da grande dificuldade de encontrar tempo e recursos financeiros disponíveis para este tipo de construção jornalística, a demanda por conteúdo de qualidade ainda existe, é sempre crescente e tem a internet como o seu maior facilitador.

A reportagem escrita por ele – “Fofão da Augusta? Quem me chama assim não me conhece”, publicada no site BuzzFeed em 27 de outubro de 2017, ganhou grande repercussão, tendo mais de 2 milhões de acessos e será retratado em um livro e um filme. Quando perguntado sobre de onde veio a inspiração para contar essa história Felitti é rápido em responder que surgiu porque ele passava todos os dias pela Rua Augusta e se deparava com um morador de rua, que chamava a atenção de todos que transitam por ali. “Eu ficava muito na Augusta e via muita gente mexendo com ele, jogando coisas e toda vez que cruzava com o Ricardo eu parava e perguntava se eu podia entrevista-lo e ele, muito educado, falava que era muito discreto”, disse.

Depois de trabalhar na redação, Felitti optou por atuar como freelancer no jornal Folha de S. Paulo e como colaborador do BuzzFeed. “Foi aí que eu comecei a fazer o jornalismo que eu gosto de verdade, que é esse jornalismo de instinto, que é passar o dia inteiro na rua. Eu sou rueiro, eu gosto de ficar na rua.”

“Nova identidade ao texto”

Para o professor do FIAM-FAAM, Sílvio Anaz, a reportagem traz ao jornalismo vivacidade e aprofundamento diante de uma informação, que está à espera de ser desdobrada é reconhecida. “A grande importância desse gênero jornalístico é transcender algo noticioso e transbordar de informações e fatos. É a grande chance de criar uma nova identidade ao texto.”

Rogerio Kruschessky, professor da instituição, que foi editor do SBT Repórter, destaca que “a reportagem traz valor às informações precisas, ela é capaz de captar a alma daquilo que era notícia”.

Na opinião da aluna do 6º semestre de Jornalismo da FIAM-FAAM, Rebeca Pinheiro, o tema debatido foi relevante para a sua formação universitária. “Acredito que a presença de convidados renomados e especialistas nos ajude a contextualizar o que é aprendido em sala de aula, além de servir como agente inspirador para que os alunos se espelhem e continuem acreditando na prática jornalística.”

 

[1] Heloisa Vieira é aluna do quinto semestre de Jornalismo e estagiárias da Agência Integrada de Comunicação (AICom); Natalia Soares é aluna do terceiro semestre de Jornalismo e estagiária da Agência Integrada de Comunicação (AICom) e Rita Moura é aluna do sexto semestre de Jornalismo e monitora da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[2] Thais Rabelo é aluna do terceiro semestre de Jornalismo e estagiária da Agência Integrada de Comunicação (AICom); Ana Luiza Soares é aluna do terceiro semestre de Jornalismo e estagiária da Agência Integrada de Comunicação (AICom) e Renan Ferreira é aluno do sexto semestre de Jornalismo e monitora da Agência Integrada de Comunicação (AICom)

[3] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

 

 

 

 

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