Debate sobre Jornalismo, Violência e Direitos Humanos abre a II Semana de Jornalismo do FIAM-FAAM

Os convidados, entre outros assuntos, falaram sobre o papel do jornalismo como serviço público

Texto: Bruna Soares e Karina Iwaasa [1]

Vídeo: Natalia Macedo e Juliana Vilela [2]

Edilaine Felix [3]

Promovida pelo Curso de Jornalismo e pelo Mestrado Profissional em Jornalismo do FIAM-FAAM – Centro Universitário, a Semana de Jornalismo acontece pela segunda vez na instituição entre os dias 2 e 6 de abril, no campus Liberdade. A mesa de abertura, na manhã de segunda-feira, 2, lotou o auditório para ouvir os convidados sobre o tema “Jornalismo, Violência e Direitos Humanos”.

Mediado pela professora e coordenadora do NERA (Núcleo de Estudos Étnicos Raciais) Maria Lúcia da Silva, a mesa contou com a participação de João Ricardo Penteado, coordenador de comunicação da Artigo 19; Maria Teresa Cruz, jornalista da Ponte Jornalismo; Percival de Souza, comentarista de segurança da Rede Record; Vitor Blotta, professor doutor da ECA-USP e secretário executivo da Associação Nacional de Direitos Humanos, e Wilson Ribas, editor-chefe do programa Balanço Geral da Rede Record.

A professora Maria Lúcia destacou sobre o valor de debater violência e direitos humanos em uma semana de Jornalismo: “é de extrema importância para nosso currículo e para ampliar nossa visão em nossa formação”. Segundo ela, é importante que os alunos percebam que fontes importantes não são só autoridades, “somos nós todos”.

Segundo a jornalista Maria Teresa, a Ponte Jornalismo tem perspectiva de estar sempre ao lado das vítimas, apesar de ouvir todos os lados. “Há cadáveres que valem menos que outros, mas para a Ponte não”, provocou. Maria Teresa prendeu a atenção do público contando que, uma semana anterior à morte da ex-vereadora Marielle Franco (assassinada no dia 14 de março), ela foi à Acari, zona Norte do Rio de Janeiro, ouvir relatos de moradores sobre a violência sofrida pelo 41º Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

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Maria Teresa Cruz, Ponte Jornalismo (crédito: Rachel de Brito)

Maria Teresa que já havia atuado como jornalista em outros veículos de mídia, conta que trabalhar na Ponte Jornalismo – organização de jornalismo independente com foco em segurança pública, justiça e direitos humanos -, foi retornar ao encanto pelo jornalismo, quando já havia decidido mudar de área. “A Ponte é minha esperança de fazer um jornalismo honesto e contar boas histórias”, enfatiza.

Nomes

O professor Vitor Blotta apresentou dados de uma pesquisa do NEV (Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo) e um histórico de como a violência vem sendo abordada nas notícias ao longo dos anos e segundo ele, o jornalismo deve ir além e contextualizar os casos de violação de direitos humanos. “As pessoas têm nomes”, diz Blotta que destaca o quanto é importante a conscientização sobre os direitos humanos, que não é aplicado pela sociedade e pelo Estado.

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Professor da ECA/USP, Vitor Blotta (crédito: Rachel de Brito)

João Ricardo Penteado mencionou que, “quem defende direitos humanos, defende a aplicação da lei” e exemplificou os direitos humanos abrangendo saúde de qualidade, educação, moradia digna, direito à vida e a não sofrer violência. João comentou que cabe aos jornalistas pensar de forma mais crítica e de maneira mais aprofundada, “chegar às raízes do problema”.

“Violência e direitos humanos são dois temas que permeiam na nossa sociedade nos dias de hoje. E direitos humanos, ao contrário do que alguns supõem, não são um direito específico de um grupo de pessoas na sociedade. Nós somos seres humanos, nós temos direito”, afirmou Percival de Souza.

Wilson Ribas, editor-chefe do Balanço Geral da Rede Record, acrescenta que o jornalismo cobre histórias e que isso causa um envolvimento do profissional com o personagem. “É preciso trabalhar com transparência, preservar sempre as pessoas, as histórias e as fontes.”

Os convidados da mesa destacaram que os jornalistas devem sempre se questionar: “que fim levou?”, para que, assim, histórias contadas pela mídia há algum tempo não caiam no esquecimento. Percival deixou sua dica aos “futuros colegas”, como se referia aos estudantes de jornalismo: “ler, ler e ler”. O repórter e comentarista disse que a falácia que o jornalista é aquele que escreve de tudo sem saber de nada deve ser derrubada.

Da esquerda para a direita: Percival de Souza, comentarista de segurança da Rede Record; João Ricardo Penteado, coordenador de comunicação da Artigo 19; Wilson Carlos Ribas, editor-chefe do Balanço Geral da Rede Record e Vicente Darde, coordenador de Jornalismo do FIAM-FAA

Debate

O coordenador do curso de Jornalismo, Vicente Darde, explicou que a segunda Semana de Jornalismo discute o “Jornalismo em Transformação”. “Cada vez mais reforçamos o papel do jornalismo na construção de uma democracia forte.” Ele relembrou a oportunidade que os alunos têm de participar, discutir, debater e conhecer os novos modelos de negócio dessa profissão que está em constante mudança.

Quando a discussão foi aberta para os alunos, havia dúvidas sobre as mais diversas questões. Tiveram perguntas sobre a importância dos dados disponibilizados por órgãos públicos, acontecimentos atuais, como a manifestação dos professores em frente à Câmara Municipal de São Paulo, casos em que jornalistas foram ameaçados e sobre quem deveria oferecer segurança aos repórteres.

Ocorrerão mais nove mesas nas manhãs e noites da semana do dia 2 a 6 de abril, alunos e público externo podem participar no evento. Inscrições:  https://aicomfiam.net/2018/03/26/as-inscricoes-para-a-semana-de-jornalismo-comecaram/

Confira o vídeo do evento:

 

[1] Alunas do quinto semestre de Jornalismo e estagiárias da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[2] Natalia Macedo é aluna do quinto semestre de Jornalismo e estagiárias da Agência Integrada de Comunicação (AICom) e Juliana Vilela é aluna do sétimo semestre de Jornalismo e monitora da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[3] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

2 comentários Adicione o seu

  1. Yohan Pacheco Silva Domingues disse:

    olá, na parte dos créditos, logo no fim do texto, o numero “[2]” faz referencia ao texto e lá no começo a professora esta associada ao número “[3]”

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    1. aicomfiam disse:

      Obrigada, Yohan. Vamos alterar

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