No ar novo programa Espartilho

Campus Liberdade recebeu as convidadas Guiga Barbieri e Alexia Twister no programa da aluna Jogê Pinheiro para falar sobre o tema: Belas, mas homens felizes! 

Por Ana Luiza Antunes [1]

Edilaine Felix [2]

“Criamos um espaço para podermos nos expressar e dar voz para essas pessoas.” É assim que Jogê Pinheiro, aluna do sétimo semestre do curso de Jornalismo do FIAM-FAAM, define a estreia do novo formato do programa Espartilho, realizado no Campus Liberdade com a presença da Miss Brasil Gay 2017, Guiga Barbieri e a Drag Queen, Alexia Twister. O piloto de Espartilho teve como tema: Belas, mas homens felizes! para debater a vida de homens que convivem muito bem com seus corpos, mas que expressam traços de sua personalidade através de mulheres poderosas.

Um projeto que nasceu nas aulas de Radiojornalismo com o professor Marcos Nunes migrou para a televisão de forma compacta, após a necessidade de ampliar o formato. “O futuro é a web, não tem jeito. As pessoas estão caminhando para a internet porque fica muito mais fácil entrar no Youtube e ter acesso ao que quiser. É um programa compacto, com no máximo de 20 a 25 minutos”, explica Jogê. Ainda nas aulas de Radiojornalismo, Jogê conta que sua maior inspiração foi o professor: “O professor Marcos é uma pessoa muito querida. Foi durante suas aulas que comecei a trabalhar no programa e gostei muito, pois criamos um espaço no qual podemos nos expressar. Com certeza a maior inspiração foi ele”.

Quanto ao que podemos esperar para essa nova estreia, Jogê Pinheiro comenta o principal objetivo do Espartilho e nos lembra de movimentos importantes na sociedade. “Levantamos a bandeira de movimentos como o Me too, Time”s up  – movimentos que denunciam abusos sexuais – e Não é não (campanha contra o assédio no carnaval). O programa começou a ampliar a voz dessas pessoas. Para essa estreia, vamos falar de homens que se vestem de mulher, mas que não tem nenhuma intenção de virar mulher, travesti ou transexual.”

“Eu vim ao mundo para brilhar”

Questionadas sobre a importância de tratarmos sobre o assunto, Alexia e Guiga afirmam que é preciso mostrar e discutir para se informar para que, sobretudo, “a questão do preconceito possa ser diminuída”. Alexia diz ainda que as pessoas ainda visam apenas o bem próprio, a autopromoção. “Acho que nós somos criados numa sociedade capitalista, onde a briga por espaço acaba sendo refletida muito no comportamento das pessoas. Preferindo mais ter do que ser. As pessoas se esquecem do indivíduo, do outro. De entender e respeitar. Deveríamos substituir a sigla LGBT por H de humano”, afirma.

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Alexia Twister e Guiga Barbieri (crédito: Ana Luiza Antunes)

“Precisamos tratar cada vez mais isso com respeito, em virtude das pessoas sempre acharem que isso é um submundo e não é. Dentro dessa questão de gênero, de travesti, de transexuais, de transformista, nós temos pessoas que trabalham, que estudam, que possuem uma profissão, uma família. Não é um mundo só da noite. Essas pessoas, independentemente do que elas são, sexualmente falando, não interfere no seu dia a dia. A visibilidade abre espaço para tratar isso como algo normal e até de uma maneira bela e completamente digna do ser humano”, completa Guiga.

Segundo Alexia, estar de homem e de mulher é uma liberdade conquistada. “No meu caso, não vou dizer que é uma personagem, pois a Alexia vive dentro de mim. É um traço da minha personalidade exposta. Toda esse parafernalha de peruca, salto e afins dá uma liberdade que como menino você não tem”, diz Alexia.Drag Queen é um estado de espírito”, complementa.

Já Guiga, comenta que é preciso separar os dois momentos e que após o prêmio de Miss Brasil Gay, todos passaram a saber sobre a Guiga Barbieri. “Eu particularmente tenho que ter um tratamento diferente porque eu tenho uma profissão que exige isso. Eu sou arquiteto e lido muito com homens e obras. Eu sei muito bem separar o meu lado masculino, o Rodrigo, e o meu lado feminino que é Miss Brasil. Eu tenho que ter isso muito bem direcionado. Para mim é um tratamento quase psicológico meu, pois ocorre no momento de transformação, desde a maquiagem à peruca. A Guiga está dentro de mim, mas eu trato isso como uma personagem que aparece em eventos. Eu posso dizer que eu sou uma pessoa muito realizada porque eu tenho esse respeito da minha família, dos meus amigos, dos meus clientes que hoje sabem que o Rodrigo Kolton é a Miss Brasil Gay. A Miss Brasil Gay, Guiga Barbieri não vive, ela é um evento.”

 

[1] Aluna do terceiro semestre de Jornalismo e estagiária da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação. Atua na AICom.

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