Má qualidade do sono preocupa universitários

Noites mal dormidas são cada vez mais frequentes entre os jovens podendo levar a distúrbios  

Michelle Agda [1]

Edilaine Felix [2]

Beatriz Trezzi [3]

 

Uma boa noite de sono é responsável pela consolidação da aprendizagem e da memória, além de ter um papel importante no controle dos processos restaurativos do corpo, constatam o especialistas italianos Giuseppe Curcio, Luigi De Gennaro e Michele Ferrara , da Universidade de Roma La Sapienza, em seu artigo Sleep Loss, Learning Capacity and Academic Performance, (Perda do sono, capacidade de aprendizagem e performance acadêmica), publicado em 2006. Um longo período sem dormir pode acarretar sonolência durante o dia, além de interferir no desempenho do estudante em sala de aula. E pode, ainda, levar aos chamados distúrbios do sono, que quando se agravam, podem afetar a capacidade cognitiva, ao prejudicarem a atenção e concentração.

A estudante de Engenharia Civil Ilana Vieira Bonfim, de 20 anos, está entre os jovens que não dormem o suficiente. “Eu costumo dormir cinco horas por noite e eu acho que não é o suficiente, porque eu acordo cansada sempre”, enfatiza a jovem, que, além da faculdade, faz curso de inglês nos finais de semana. “Estou num nível mais avançado, então fica bem mais pesado”, diz.

Lucas Moura, que trabalha na área da saúde e cursa Bacharelado em Sistema de Informação no período noturno, também vive uma rotina de noites mal dormidas, entre três e meia e quatro horas de sono. “Eu acordo muito cedo e sempre durmo muito tarde por conta da faculdade. No período da tarde, por exemplo, que é quando eu teria um tempo livre para conseguir encaixar um sono ou algum tipo de atividade, eu não consigo. Fica corrido e não tem como dormir mais”.

Ele reconhece que dormir mal pode prejudicar a saúde física e mental. “Até por trabalhar na área da saúde, tenho muitos colegas de trabalho que dizem que eu precisaria dormir mais porque, futuramente, isso pode acarretar em problemas para mim”, relata.

Faixa etária

Pesquisas apontam que jovens com idade entre 18 e 25 anos devem dormir de sete a nove horas por noite e não menos de seis horas ou mais do que 10 ou 11 horas, para que haja um bom condicionamento mental e físico no dia seguinte.

De acordo com a psiquiatra da infância e adolescência Márcia Lizanka Oliveira Guberman, de Brasília (DF), existem vários distúrbios causados pelo sono ruim.Durante o sono, você vai processar o aprendizado do dia. Então, se você dorme pouco, consequentemente, vai aprender menos. Além disso, poucas horas de sono aumentam os sintomas de ansiedade, porque,  durante a noite, você libera hormônios neurotransmissores diferentes do que são liberados durante o dia”, informa a médica. “Então, menos horas de sono vão levar à alteração na ação de neurotransmissores, o que vai interferir na memória e no aprendizado.”

Ela completa lembrando que existem muitas razões para a falta de sono. “Hoje em dia, o celular e o computador podem atrapalhar muito, porque a luz que esses aparelhos emitem inibe a produção de melatonina e dificulta o adormecimento”, ressalta. Outros fatores que podem atrapalhar o sono ou gerar insônia são a ansiedade, trocar o dia pela noite e o uso de estimulantes como cafeína, diz a especialista.

Recomendações

Uns dos referenciais mais usados por especialistas para medir o índice de qualidade do sono atualmente, a Escala de Pittsburgh, formulada em 1989, é um questionário composto por perguntas relacionadas aos hábitos de sono. A pesquisa consiste em avaliar os escores (ou pontuações), que, acima de cinco pontos, indicam qualidade do sono ruim e, acima de 10 pontos, aponta diagnóstico de distúrbio de sono.

Entre as que já apresentam esses sintomas, como irritação, está Camila Oliveira, de 18 anos. A jovem, que estuda Publicidade e Propaganda no período da manhã e em seguida vai para o trabalho, dorme de seis a sete horas por noite. “Eu trabalho até 19 horas e estudo de manhã. Então, tenho que fazer todas as minhas atividades no período da noite, quando estou em casa”, conta. Para dar conta de tudo, ela tem que se organizar. Segundo o namorado, David Grotti Alves, 19 anos, “quando não dorme muito, Camila fica estressada”.

Esses distúrbios podem trazer prejuízos a curto e longo prazos. Os campeões de queixas entre os estudantes universitários são a insônia e a sonolência diurna excessiva. A privação de sono durante a noite pode explicar grande parte dos distúrbios do sono apresentados pelos estudantes. Esse fato preocupa, já que há comprovação de que a privação do sono tem relação significativa com a diminuição do desempenho acadêmico entre os universitários.

Diante da dimensão desse problema, a psiquiatra Márcia Lizanka recomenda: “Qualquer prática de relaxamento, como ioga, acupuntura e atividades físicas, vai liberar algumas substâncias que vão auxiliar no sono. Além disso, deve-se evitar tomar estimulantes como a cafeína e usar aparelhos portáteis como o celular e o computador próximos da hora de dormir. Se a pessoa tiver algum transtorno, como problemas de ansiedade ou de depressão, que também atrapalham o sono, sugiro procurar um psiquiatra, para ver se há necessidade de tomar alguma medicação específica. Em casos mais simples, uma psicoterapia pode ajudar”, diz.

 

[1] Aluna do segundo semestre de Jornalismo

[2] Professora de Jornalismo do FIAMFAAM – Centro Universitário. Atua na Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[3] Professora de Jornalismo do FIAMFAAM – Centro Universitário

 

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