ESPECIAL 45 ANOS: “Eu não seria outra coisa, eu só seria professora”

Ana Tereza. Esse é o nome mais lembrado pelos jornalistas formados pelo FIAM-FAAM ao longo desses 45 anos

Por Eder Cesaretti [1]

Edilaine Felix [2]

 

Ana Tereza. Esse é o nome mais lembrado pelos jornalistas formados pelo FIAM-FAAM ao longo desses 45 anos. Aos 70 anos de idade, a professora de “português” soma 42 anos na instituição, sendo 34 deles dedicados ao curso de Jornalismo. Ela não contabiliza, mas sabe que muita gente “passou por sua sala”.

“Eu não seria outra coisa, eu só seria professora”, diz sorrindo. Aliás, sorriso este que segue estampado em seu rosto durante a nossa conversa. E, em meio a tantas lembranças, Ana Tereza se recorda de alunos marcantes que a motivaram (e motivam) a seguir na docência: “Eu tive alunos que se destacaram, que me ensinaram. Eu tive uma aluna maravilhosa que depois se tornou minha amiga, Ingrid é o nome dela. Ela me ensinou muito, me ensinou a ser gente.”

Ana Tereza Pinto de Oliveira já lecionava em colégios estaduais e particulares, enquanto cursava a faculdade de Letras. Quando começou a pós-graduação em Comunicação e Semiótica na PUC (Pontifícia Universidade Católica) um professor de história falou sobre uma vaga para aulas de língua portuguesa no FIAM. Ana foi contratada e assim, em 1975, teve início essa relação que já dura 42 anos.

O primeiro campus do FIAM e FAAM (assim, com e, era o grafado o nome da instituição) foi na Avenida Jabaquara, zona sul da capital paulista – local que atualmente abriga uma casa de repouso. Em 1978, a FMU comprou o FIAM e FAAM e, em 1980 a escola de comunicação foi para o campus do Morumbi e passou a ser o FIAM-FAAM.

Além de Comunicação Social, o campus abrigava os cursos de Letras, Educação Artística e Música. E as memórias de Ana Tereza dos “anos de ouro” do Morumbi são muitas: “Lembro de quando o maestro Diogo Pacheco colocava um coral no hall do campus e realizava apresentações durante o intervalo, remontando a ideia de um grandiosíssimo teatro.”

Ana Tereza também se recorda do maestro João Carlos Martins, que fazia alunos e professores deixarem suas salas para apreciar o som que saía das notas de seu piano. “Infelizmente, tudo tem fim e o curso de Música saiu do Morumbi, logo seguido pelo de Educação Artística e o campus foi, por 20 anos, a casa dos cursos de comunicação.”

Além da sala de aula

A professora conta que, mesmo que indiretamente, o FIAM-FAAM abriu novas possibilidades de carreira. Ana Tereza lecionou em outras instituições e hoje além da docência, ela é revisora de texto, livros, artigos, revistas e escritora. Foram 3 livros sobre teorias, o último deles “Quem? Quando? Como? Onde? O quê? Por quê? – Maneira prática de se escrever um texto jornalístico em Português bem claro”, em parceria com o professor, jornalista, escritor e advogado Edgard de Oliveira Barros.

Em 1986, após o convite de uma aluna para ir até a Editora Melhoramentos, Ana Tereza foi, visitou e saiu de lá como uma das revisoras do dicionário Michaelis. Ela se recorda que eram dois volumes enormes que deveria se transformar em um exemplar de bolso. “Sem computador, o trabalho era excessivamente desgastante. Em um quarto vazio de meu apartamento, eu colocava vários ‘calhamaços’ no chão e começava a quebrar a cabeça. Esse processo levou alguns exaustivos anos.” Contudo, ela conta que foi aí que aprendeu a revisar, “aprendi a revisar com uma ex-aluna, a Elaine Ferrari, que trabalhava na editora”.

A professora das disciplinas de Laboratório de Redação e Laboratório de Redação Aplicada, divide seu tempo entre as aulas nos segundos e terceiros semestres do curso de Jornalismo do FIAM-FAAM com as revisões e um hobby: o crochê. “Adoro crochê, meus animais de estimações – diversos gatos e cachorros -, e viajar.”

 

[1] Aluno do sexto semestre de Jornalismo e monitor da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[2] Professora do curso de Jornalismo. Atua na Agência Integrada de Comunicação. Atua na AICom.

 

2 comentários Adicione o seu

  1. Antonio Nivaldo Nocelli disse:

    Estou entre os alunos das primeiras turmas que tiveram o privilégio inesquecível de estar nas aulas da querida Ana Tereza, no campus da Avenida Jabaquara. A sensação que ficou dessa experiência é a mesma de outros que tiveram a mesma sorte. Sempre que pergunto da Ana Tereza a alguém que esteja estudando, ou que se formou na Fiam, a resposta é igual: “Minha melhor professora!”. Tenho até hoje os textos que fiz nas aulas que tinham ambiente de total concentração e dedicação. Nesses guardados há anotações da mestra – observações, até elogios, que eram o prêmio que todos buscavam. Fico contente em saber do reconhecimento dado ao seu trabalho. A última demonstração disso foi feita pela minha estagiária, a talentosa Sara, que repetiu o que todos sabemos: “A Ana Tereza é a melhor professora”.

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